Aprendizado além da escola

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Fabiola Rodrigues

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O bom desempenho escolar pressupõe a união entre família e escola, aproveitamento no uso da tecnologia e maior oportunidade na formação profissional

Na semana em que se celebra o dia internacional da educação, 28 de abril, ESCOLA discute alguns desafios da educação brasileira. Uma dos grandes problemas é a ausência dos pais na vida educacional dos filhos, acompanhando as atividades escolares, inclusive frequentando a  escola em reuniões e outras datas. Outros desafios são maximizar o uso da tecnologia a favor do aprendizado e formar o adolescente para a vida profissional.

A importância da família na educação é indiscutível. Tão importante quanto o professor transmitir conhecimento, conteúdo cultural e ético, para o estudante, a família tem a função de educar para a vida, estabelecer os primeiros limites éticos e morais, respeito e cidadania. Por isso os responsáveis pelo estudante devem estabelecer bem o que é dever da escola e o que compete a eles, ainda que haja obrigações mútuas.

“As tarefas e conteúdos ministrados em sala de aula são de extrema importância, mas educar o adolescente para a vida requer atenção dos pais. As famílias muitas vezes estão confiando exclusivamente à escola a educação dos filhos, principalmente pela falta de tempo devido a trabalho ou outros compromissos”, ressalta a psicóloga Maris Eliana Dietz, especialista em comportamento educacional.

Essa lacuna pode acarretar problemas na educação e comprometer o rendimento no aprendizado das crianças. Se não forem tratados, poderão evoluir com o tempo. O estudante precisa estabelecer com seus pais, professores e outros adultos, relações equilibradas para que tenha desenvolvimento nos estudos e nas relações humanas.

“A escola deve instruir, mas é papel da família educar, ensinar sobre regras e valores e acompanhar a vida escolar do filho”, Maris Eliana Dietz

Além dos problemas na educação que são enfrentados no país, como falta de investimento e infraestrutura, outros fatores podem dificultar a evolução do aluno. Está claro que cabe à escola ensinar para que o estudante tenha maturidade para pensar, dialogar e aprender, mas é preciso que a família caminhe juntamente com a escola, cumprindo cada um sua função, tendo em vista que pais e professores têm que reconhecer como devem influenciar a criança, adolescente ou jovem.

“A escola deve instruir, escolarizar, fazer com que os alunos conheçam teorias, porém a formação do caráter é exemplificado em casa. Regras, respeito, direitos e deveres que regem a sociedade, tudo isso é missão dos pais. O ambiente escolar reforça os valores morais e éticos aprendidos na família. As forças devem ser unidas e não empurradas”, diz a psicóloga.

O jogo de empurra-empurra de quem deve educar e ensinar acaba gerando muitos equívocos e o maior prejudicado é o estudante, aquele que deveria ser preservado. Então a parceria necessita existir, especialmente nestes tempos modernos, sendo que ambas as partes jamais podem se isentar, caso que vem acontecendo principalmente por parte das famílias.

Maris Eliana Dietz esclarece que cabe aos pais mostrar para os filhos que existe caminho a trilhar e que esse percurso requer tempo e persistência e que há obstáculos que nem sempre são positivos. Também é papel dos pais mostrar que existe hierarquia nas relações, o que parece estar esquecido atualmente. É fundamental preparar os filhos para cumprirem deveres, isso gera compromisso.

Já à escola sempre ficará reservado o incentivo ao estudante a resolver problemas matemáticos, redigir textos e ampliar e rever conceitos. O respeito, limites e regras estão inseridos no dia a dia escolar, mas são vistos como um reforço dos valores já passados pelos pais.

“As famílias estão confundindo criar seus filhos com educá-los, isso é muito sério e cada vez mais preocupante. Alunos são passageiros, filhos são para sempre. Celebrar uma educação de qualidade requer muitos esforços, principalmente da união entre família e escola”, ressalta a psicóloga.

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Qualificação e tecnologia facilitam inserção no trabalho

Uma das grandes dificuldades profissionais do jovem hoje é ingressar no mercado de trabalho. Para aqueles que estão no ensino médio ou concluindo essa fase da formação escolar e procuram chance de emprego, o curso profissionalizante é uma porta de entrada. Nessa perspectiva o superintendente do Ensino Médio da Secretaria de Educação, Cultura e Esporte (Seduce), João Peres, diz que as equipes pedagógicas discutem a qualidade do ensino, para ajudar o aluno a encontrar emprego.

“O estudante de hoje não quer ficar somente copiando matéria do quadro, ele procura por interação e também capacitação. O desafio é pensar todos juntos até mesmo por meio da reforma do ensino médio e oferecer cursos profissionalizantes, técnicos, com itinerários formativos, com isso estaremos o preparando e capacitando”, observa.

“O aluno não quer ficar somente copiando matéria do quadro, ele procura por interação e capacitação”, João Peres

O curso profissionalizante sendo umas das boas opções para deixar o estudante mais perto do emprego, além de formar o profissional com mais agilidade, é um dos tipos de ensino que vem se aprimorando em meio a tantos desafios para melhorar a educação no país. O coordenador da Gerencia de Ensino a Distância (EAD) da Seduce, Divino Alves, afirma que falta mão de obra qualificada no mercado. Ele lembra que preparar o aluno é o melhor meio de aumentar a chance de encontrar emprego ao terminar o ensino médio.

“Ouvimos falar muito do desemprego, porém da mesma proporção são poucas as pessoas qualificadas. Não adianta ter vaga se o jovem não estiver minimamente preparado”, reforça.

Pensando nessa capacitação do estudante, um dos meios para aliar profissionalismo e agilidade é a tecnologia, que inclusive é uma prática forma de ensino, claro, se for bem utilizada pelo estudante. Há dois meses funciona a Gerência de Ensino a Distância da Seduce, localizada no Setor Aeroporto, que oferece cursos profissionalizantes e de treinamento para professores que têm interesse em atuar em cursos a distância.

O uso da tecnologia na educação já é uma necessidade. Além de agregar qualidade ao ensino, ela traz a escola para o universo do estudante. Há uma extrema necessidade do ambiente escolar ser um espaço dinâmico e pensado, que oferece conhecimento também usando aparelhos tecnológicos. Divino Alves frisa que o tempo em que estamos vivendo favorece os jovens, se eles souberem utilizar a tecnologia.

“Podemos solucionar de uma só vez a falta de tempo, espaço e de profissionalização, mas o estudante precisa ser determinado. Hoje tem inúmeras formas de adquirir conhecimento, a disciplina para quem quer fazer o uso dos dispositivos tecnológicos é um pré-requisito para chegar nos objetivos de estudo”, ressalta.

Tecnologia deve ser aliada do estudante

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