Entrevista | “Me causa muita satisfação a sondagem para participar de chapas majoritárias [vice ou Senado]”

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João Campos – Deputado Federal

Fagner Pinho e Vassil Oliveira

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João Campos (PRB) tem experiência política em Goiás. Deputado federal há quatro mandatos, ele tem enfatizado que seu projeto para este ano é a busca pela reeleição. Nesta entrevista concedida à Tribuna do Planalto, o parlamentar, entretanto, deixa escapar que lhe agrada ser lembrado para compor a chapa majoritária de uma das três maiores pré-candidaturas postas à mesa até o momento – as do senador Ronaldo Caiado (DEM), do governador José Eliton (PSDB) e do deputado federal Daniel Vilela (MDB). E embora venha sendo lembrado como um bom nome para compor a vice, ao se pensar na sigla PRB, talvez a maior possibilidade é que busque uma vaga ao Senado, uma vez que fortaleceria a legenda. Na entrevista Campos aborda este e outros assuntos. Confira.

Tribuna do Planalto – Goiás está discutindo a composição de chapa para eleição. Seu nome aparece como um possível vice ou a senador de alguns pré-candidatos a governador, como José Eliton (PSDB) e Daniel Vilela (MDB). O senhor já foi convidado por alguém?

João Campos – O meu projeto nestas eleições de 2018 é ser reeleito a deputado federal. Defini isso em março do ano passado e tenho trabalhado nessa direção. Me causa muita satisfação ter abordagens por parte dos grupos políticos de Goiás no sentido de me sondar quanto à possibilidade de participar de algumas das chapas majoritárias (como candidato a vice ou a senador). É claro que isso gera satisfação porque certamente é um reconhecimento das forças políticas e que eu agrego valor em uma chapa majoritária. Houve sondagens quanto à possibilidade de ser um candidato ao Senado, mas essas conversas não avançaram, o que não significa que também cessaram.

O sr. chegou a tratar disso com algum dos pré-candidatos diretamente?

Os três pré-candidatos em algum momento chegaram a fazer abordagens nesse sentido, as conversas, repito, não avançaram a um estágio de definição, mas houve provocação por parte dos três pré-candidatos a governador.

Não quis levar as conversas para frente?

É porque o processo político é cheio de fatos que fazem com que, de repente, um agente político acha que tem que puxar o freio de mão para a coisa acelerar e como não é uma iniciativa minha, eu não saberia dizer: “O fulano avançou tanto por razão x”. Não, porque não foi provocação minha, não dependeu de mim, não foi de iniciativa minha, sabe? Eu continuo aberto a esses diálogos, com todas as forças políticas e não só em relação à possibilidade de vice ou ao Senado, mas tenho uma preocupação de o PRB ampliar a bancada estadual. Hoje nós só temos dois deputados, que são Jeferson Rodrigues e Marlúcio Pereira, e queremos sair desta eleição com uma bancada de três a quatro estaduais e reeleição de federal. É claro que nesses diálogos para participação de uma majoritária nós, do PRB, temos uma preocupação, que ainda que ocupemos uma vaga na majoritária, não abrimos mão de ter alguém eleito a deputado federal. Eu, como presidente do PRB do estado, não posso entrar para uma eleição tendo deputado federal, que hoje sou eu, mas poderia não ser, o que importa é que tem deputado federal, e sair dessa eleição sem deputado federal. “Não teve deputado federal, mas teve a vice-governadoria”. É importante? É, mas a vice-governadoria não é importante para todo partido como é um deputado federal. Porque a regra para definir tempo de televisão, recursos do Fundo Partidário, recursos do Fundo Eleitoral mede-se pela bancada de deputado federal. Então, se eu sair da eleição sem o partido ter um deputado federal é como se o partido saísse menor. E isso, portanto, faz parte das minhas preocupações nesses diálogos.

“Hoje nós só temos dois deputados, que são Jeferson Rodrigues e Marlúcio Pereira, e queremos sair desta eleição com uma bancada de três a quatro estaduais, além de buscar um eleito na Câmara dos Deputados”

Neste caso, o PRB vai buscar participar de um chapão?

Em relação a deputado federal, necessariamente tem que ser, senão inviabiliza. Agora, em relação aos deputados estaduais, não. Nós tentamos construir uma chapa própria para deputado estadual, ainda não fechamos ela, mas ainda não desistimos, porque podemos trabalhar essa chapa própria até a época das convenções, mas essa é uma das premissas que estamos trabalhando. A outra preocupação é dependendo de qual grupo nós vamos nos aliançar para as eleições, para deputado estadual, as chapas que serão postas admitirão o PRB, já que o PRB tem um puxado de voto? Aí a chapa diz: “Uma vaga já é do PRB”, cria dificuldade, isso acontece muito. Tem partidos menores que procuraram ter chapa própria e esses que têm chapa própria não vão querer coligar com a gente de forma alguma, porque tem essa consequência de plano. Partidos maiores para deputado estaduais e que vão ter chapa coligando com outros partidos maiores aceitam o PRB porque estaria no mesmo nível. Mas o PRB tem outra preocupação: não queremos reeleger só o deputado Jeferson, queremos eleger mais dois ou três, que às vezes podem, na hora de fazer uma composição ou coligação, ter resistência. E isso tudo tem que estar à mesa na hora de a gente fechar uma aliança para 2018.

Qual o melhor candidato a governador para esse projeto do PRB?

Eu não tenho segurança de te responder isso agora. Veja, com o governador José Eliton, para deputado federal tem uma chapa com grandes partidos, um chapão, que assegura a eleição de um federal do PRB. Se pegar a chapa do Caiado, também assegura e, às vezes, até com mais facilidade, porque na chapa do Caiado, em nossa leitura, você tem um ou dois nomes com votação mais expressiva, os demais com votação mediana, o que facilitaria a eleição do deputado do PRB. A chapa do deputado Daniel Vilela, embora ele já tenha colocado para mim uma vez, e eu teria que voltar a vê-la e agora tem mais nomes, o que dá mais consistência, inicialmente teria dificuldades, é uma chapa com menos nomes poderia ter risco. Mas a notícia que tenho é que o deputado Daniel Vilela conseguiu agregar mais nomes para federal, que daria certa tranquilidade.

Hoje o senhor e o partido estão alinhados em relação a permanecer ou deixar a base?

Não, o partido tem uma linguagem só: a decisão que for tomada será unânime. Para onde haver a decisão, todo mundo caminhará junto.

“Hoje nós somos da base. Em 2014 o partido participou  da eleição de Marconi e Eliton. Nosso compromisso com o governo é até 30 de dezembro”

Hoje é da base?

Hoje nós somos da base. Quando ocorreu as eleições de 2014 ainda não estava no partido, estava no PSDB, mas o partido participou desse processo de eleição de Marconi e José Eliton, dá apoio ao governo e continuará dando apoio até 30 de dezembro. Nós temos compromisso com esse governo. O partido tem tido uma postura de muita tranquilidade durante todo o período deste governo, embora ter participado das eleições, ter acreditado, ter defendido as bandeiras, mas ao mesmo tempo não ter colocado como condição de apoiar desde que tenha cargos no governo. O partido não tem uma Secretaria, não tem uma diretoria e isso nunca foi motivo para o partido tencionar com o governo. Mas ao mesmo tempo isso dá muita liberdade nesses diálogos.

Nessas conversas do PRB, o senhor é quem conduz as negociações?

Tenho dito que o PRB dá ampla liberdade para todo mundo conversar, expressar o que deseja, o que pensa, conversar com qualquer agente político, mas na hora da decisão, certamente, terá que sentar à mesa comigo para a gente alinhar a decisão e essa decisão seria uma decisão em que todos possam caminhar juntos.

Na composição dos candidatos, os que já estão ao lado do governo estão sempre sinalizando porque isso facilitaria também a eleição, que seria mais confortável. Essa seria a tendência do PRB ou não há tendência, é conversa aberta?

Conversa aberta. É o João Campos, embora não seja possível separar do PRB, mas é claro que tem um componente que sempre tenho que olhar com muito carinho: é sabido que parte expressiva da minha base espontaneamente passou a caminhar com Caiado já no início do processo, porque o primeiro suplente do Caiado é da minha igreja, da Assembleia de Deus. Não foi indicação da igreja, até porque a igreja não faz política partidária, foi indicação do MDB nas eleições de 2014. Só que coincidentemente o cidadão é da igreja, e como é uma igreja que tem um número de fieis muito expressivo, naturalmente esses fieis, não em nome da igreja, mas em função do nome próprio desse sentimento político, já aderiram ao pré-candidato Ronaldo Caiado. Evidentemente que eu não tiro isso da minha percepção. Eu tenho que, de alguma forma, saber lidar com isso. Minha base não é só a igreja Assembleia de Deus, não é só o segmento evangélico. Graças a Deus eu tenho uma votação muito expressiva no segmento evangélico, mas tenho muito expressiva na segurança pública e nos mais diversos segmentos da sociedade. Acho que ao longo do tempo eu consegui me colocar, sim, como deputado que tem capacidade de dialogar com os mais diversos segmentos da sociedade, tanto é que hoje sou relator de um Código de Processo Penal, e não de um código religioso. Mas não posso perder de vista que parte expressiva da minha base está com Caiado e eu tenho que saber lidar com isso, sob pena de amanhã até um adversário dentro dessa mesma base dizer: “João Campos está traindo a base dele”. Por isso mesmo tenho mantido um bom diálogo com lideranças minhas dentro desse segmento.

A pressão é para o sr. apoiar Caiado, então?

Não diria pressão. Há muito diálogo, mas um diálogo muito respeitoso, muito equilibrado. Um diálogo que não me coloca condição, dizer: “Venha aqui sob pena de ter essa e essa consequência”. Não, um diálogo muito tranquilo, muito respeitoso, muito educado do ponto de vista democrático.

O sr. vai ouvir essa base para tomar a decisão?

Tenho ouvido. Essa base e os outros segmentos que também me apoiam.

Quando pretende tomar a decisão?

A depender da vontade do conjunto que dirige o partido, tomaremos essa decisão nas convenções, em julho. Agora, o prazo da lei nem sempre é o tempo da política. Por vezes, os fatos e acontecimentos políticos nos levam a antecipar decisões, e aí pode ocorrer. Se os fatos políticos não me conduzirem a isso, eu terei condição e prefiro deixar para a época das convenções.

“Não posso perder de vista que parte expressiva da minha base está com Caiado e eu tenho que saber lidar com isso”

Tradicionalmente há a polarização das eleições entre o governo e a oposição, que é mais representada pelo MDB. O sr. tem falado muito das conversas com Caiado. O senhor acredita que essa polarização pode ser quebrada nestas eleições?

Parece que sim, mas ainda está sendo. Estamos a cinco meses das eleições. Isso ainda pode mudar substancialmente e as duas forças se configurarem de outra forma.

As candidaturas ao governo também podem mudar?

Acho remoto. José Eliton assumiu o governo, o grupo, toda a estrutura partidária e do próprio governo já vinha trabalhando o nome dele, ele já assumiu o governo e isso dá mais consistência para se colocar como candidato, e tem se colocado. Não vejo nenhuma possibilidade de substituir José Eliton. Ele é o candidato do governo. O que a gente tinha algumas indagações eram sobre a possibilidade de Daniel Vilela e Caiado se juntarem, mas penso que as últimas atitudes do MDB, presidido pelo deputado Daniel Vilela, de expulsão de prefeitos do partido que estão apoiando Caiado, enfim, acho que criou um ambiente que vai impossibilitar esse possível entendimento. Ao meu sentir, vão prevalecer as três candidaturas.

Onde está a força de Daniel Vilela e ele poderá reverter essa dificuldade inicial de chapa pequena, com intervenção do presidente Michel Temer?

Não descarto essa possibilidade, porque o presidente da República é do MDB, o presidente da República está com nível de aprovação baixíssima, mas essa definição não depende de alta aprovação do governo. Isso é para fins da eleição, o eleitor. Para fins de composição, daí por diante, normalmente tem outros instrumentos, que são o poder de governo. Aí eu penso que o presidente da República vai se valer disso. Partidos que ocupam posições na Esplanada da República, Michel Temer tem condições de dizer e tentar fazer um convencimento: “Olha, em Goiás eu preciso que vocês andem com fulano” e o partido dizer: “Tudo bem, mas aumenta a estrutura do Ministério, aumenta um crédito para o Ministério ter mais capacidade de ação”. E haver uma conveniência política e, de repente, Daniel adquirir uma musculatura muito maior aqui no estado. Eu não descarto essa possibilidade e penso que o Daniel também aposta muito nisso.

Porque os partidos estão esperando tanto as convenções para tomar as decisões? Aguardar é por prudência e não falta de articulação?

Penso que articulação está tendo muita. Partidos que estão anunciando que devem aguardar a época das convenções são o PP, o PSD e não sei se tem mais algum. Esses dois a gente tem visto excessivamente dizer que vão aguardar a data das convenções. Confesso que não sei qual a motivação, se é aguardar definir melhor o quadro político ou se é porque tem diálogos com a interferência do governo federal. Confesso que não sei. O PRB, como não tem nenhum cargo no governo do Estado, embora apoie o governo do Estado, tem a tranquilidade para aguardar até para mensurar. Por exemplo, Daniel Vilela, com quem eu voltei a falar ontem em Brasília, na última conversa acerca de chapas para deputado federal e estadual, de fato, estava aquém. Mas ele sinalizou para mim que conseguiu mais nomes e que agora pode ter uma chapa competitiva para estadual e para federal. Isso é interessante para o PRB aguardar, dentro daquilo que temos como prioridades de eleição. Em relação ao governo não tenho nenhuma dúvida referente às chapas colocadas e nem em relação ao Caiado. Mas a Daniel Vilela, de repente, amanhã pode ter um quadro que seja mais favorável do que dos demais candidatos. Então, me parece razoável aguardar.

Então não são as pesquisas que fazem os partidos esperarem?

Em relação ao PRB, não. Em relação aos demais, eu não sei.

Quem é o candidato a presidente pelo PRB?

Flávio Rocha. É um empresário bem-sucedido, que defende ideias liberais, que identifica com aquilo que o partido defende. Ele costuma dizer que é liberal em relação à economia, estrutura de governo e muito conservador em relação a valores. Isso tem muito a ver com nosso partido.

Como o sr. observa a disputa à presidência deste ano, será muito aberta, com muitos candidatos?

Tem vários pré-candidatos, não sei se isso vai subsistir até a época das convenções. Está muito aberto, mas acho que não vai ficar assim. Acho que esse número de candidatos vai diminuir, vai haver entendimentos, já para as convenções. Acho que não vai ficar tão aberto como está, com essa quantidade de candidatos. Acho que não. Mas é um quadro, de fato, muito indefinido.

 

 

 

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