Base Nublada

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Fagner Pinho

Definição acerca da composição da chapa majoritária da base aliada volta à estaca zero. Só Marconi e Eliton estão garantidos

Dizem que política é como nuvem. Cada dia está de uma forma. Pois bem. É exatamente assim que se encontra a disputa dentro da base aliada por dois lugares restantes na chapa majoritária encabeçada pelo governador José Eliton (PSDB). PP, PSD, PTB, PSB e PRB lutam cada um com suas armas em um duelo onde quem der um passo em falso, perde a vez.

Há dois meses, uma fotografia sacada ao final de um encontro no qual apareciam felizes o então governador Marconi Perillo (PSDB), e o então vice-governador, José Eliton (PSDB), ladeando a senadora Lúcia Vânia (PSB), deu a dica: chegava ao fim a disputa pela segunda vaga ao senado no grupo da base aliada.

Naquele 1º de março, uma sorridente Lúcia Vânia acreditava ter vencido a disputa contra seu colega de senado, Wilder Morais, então presidente regional do PP, e com o ex-secretário estadual de Meio Ambiente e presidente regional do PSD, Vilmar Rocha, quando apenas os três postulavam a segunda vaga da base.

Seria ela, Lúcia Vânia, senadora por dois mandatos – e em busca do terceiro – a caminhar ao lado do governador Marconi Perillo nas eleições de 2018. Para Wilder, viola no saco, e início de conversações com o senador e pré-candidato ao governo estadual Ronaldo Caiado (DEM). Para Vilmar, resistência, com discursos desqualificando a pré-candidatura de José Eliton.

A disputa, então, passou a ser ao cargo de vice de Eliton. O primeiro partido a dar o grito foi o PTB. Em entrevista concedida à Tribuna, o deputado estadual Henrique Arantes (PTB) foi enfático: o seu partido queria uma vaga na chapa majoritária da base aliada – notadamente a vice – ou então de qualquer outra candidatura majoritária, até para o Senado.

Na sequência, em Rio Verde se iniciou um movimento de apoio ao nome do deputado federal Heuler Cruvinel, então no rachado PSD, para ser o escolhido como vice de Eliton. O PDT, da deputada federal Flávia Morais, também foi lembrado, bem como o PP, também rachado, com os deputados Roberto Balestra e Sandes Júnior.

Assim se seguiu por mais um mês, até que chegou abril e, com ele, dois fatores que, como nuvens, modificaram mais uma vez a situação. O ministro das Cidades Alexandre Baldy se filiou ao PP e se tornou presidente regional da legenda, e o ex-senador Demóstenes Torres, já filiado ao PTB, reconquistou seus direitos políticos que haviam sido cassados pelo Senado, junto à 2ª Turma do Superior Tribunal Federal (STF).

Esses dois fatores provocaram uma grande reviravolta na situação política do Estado. Com a movimentação de Demóstenes, Lúcia Vânia, até então garantida na chapa, passou a ser dúvida. O PP, sob o comando de Baldy, cresceu, a ponto de atrair Heuler Cruvinel e o ex-prefeito de Senador Canedo, Vanderlan Cardoso. Mas, para onde o barco das siglas irá remar?

Fortalecido

LUANA BALDY — Após permanência do marido no Ministério das Cidades, seu nome passou a ser cogitado.

De todos os partidos que hoje compõem a base, o PP talvez seja, ao lado do PSD, o que mais traz preocupação ao governador José Eliton. Com a chegada de Alexandre Baldy ao comando da legenda, a sigla se reaproximou do governo – houve afastamento quando Wilder Morais ainda estava na presidência – mas não há o fechamento de apoio de forma oficial.

Em entrevistas, Baldy tem repetido que o compromisso do PP com o governo estadual é até o final deste governo. “Até 31 de dezembro”, tem repetido, deixando claro que ele está pronto para articular, negociar e, principalmente, jogar o jogo político. Em outras palavras: com ele, o PP cresceu. O partido se valorizou. E agora quer somente uma coisa: ganhar tempo, até ter sinais de como o eleitor goiano poderá se definir.

Com qual candidatura – José Eliton, Ronaldo Caiado e Daniel Vilela – o PP deverá seguir, só se saberá após as convenções, em julho, indica seu presidente. Até lá, o partido já começou a lançar nomes para a disputa na chapa majoritária de Eliton, mas cada um puxando brasa para sua sardinha.

Baldy lançou, há duas semanas, o nome de sua esposa, Luana Limírio Baldy, para a disputa ou pela vice, ou pelo Senado, de qualquer das três chapas majoritárias – preferência para Eliton ou Daniel. Muitos da base aliada podem torcer o nariz para Luana, afinal, nunca foi testada nas urnas e sequer é política.

Luana, porém, tem alguns pontos a seu favor. Por ser uma neófita na política, tem nome limpo e pode ser considerada uma outsider, ou seja, um nome apolítico concorrendo a um cargo político. Segundo, pode receber transferência de votos de Baldy. Terceiro, é descendente de uma das mais tradicionais famílias de Anápolis.

Quem também apresentou seu nome para a vice foi Heuler Cruvinel, em entrevista à Tribuna, quando falou na necessidade de Eliton melhorar seus números na região sudoeste, exatamente a que ele representa. Com ele na vice, a situação poderia melhorar, analisa. Há, ainda, o nome de Vanderlan Cardoso, embora este tenha entrado nas eleições deste ano sem muito planejamento. Ele mira 2020. Quer a Prefeitura de Goiânia.

Após o final da janela, novos nomes se juntaram aos antigos na busca por espaço na chapa majoritária da base. Alguns buscam a vice. Outros, o Senado.

Árvore

O PTB, por sua vez, mudou o discurso. Se antes o partido trabalhava para buscar uma vaga na chapa majoritária sem, no entanto, nem os próprios petebistas saberem qual seria essa vaga e, principalmente, qual nome indicar para vice ou Senado, depois da recuperação dos direitos políticos de Demóstenes Torres, a situação se clareou.

A exemplo do que ocorreu com Lúcia Vânia, uma fotografia deu o tom de como estaria a situação da base aliada. Mas ao contrário da foto da senadora, tirada após um encontro de portas fechadas, quase que escondido, no caso do PTB não foi apenas uma, mas diversas fotos, em evento de apoio do partido à pré-candidatura de Eliton.

Nelas, um Eliton feliz, satisfeito, ao lado de Jovair Arantes, Demóstenes Torres; do prefeito de Itumbiara, José Antônio; do prefeito de Anápolis, Roberto Naves; e do prefeito de Águas Lindas, Hildo do Candango – e também do prefeito de Senador Canedo, Divino Lemes – como uma nuvem, fez modificar mais uma vez o cenário político da base.

Lúcia Vânia, até então garantida no topo da árvore, escorregou e voltou ao chão. Demóstenes, até sem chão, após decisão do STF e do encontro do PTB, já chega escalando ao menos a metade da árvore. Árvore, esta, plantada e cultivada por Marconi Perillo desde 1999.

Em relação a Lúcia Vânia, uma avaliação a seu favor: as pesquisas, que a colocam como segunda colocada no geral. Já em relação ao ex-senador, sua capacidade de aglutinação, seu discurso e, acima de tudo, seu preparo intelectual, que o colocam subindo nas pesquisas, se aproximando de Jorge Kajuru (PRP), terceiro colocado.

Uma coisa é certa. O jogo continuará a ser jogado. Até para o PTB, que já anunciou apoio à pré-candidatura de José Eliton, uma vez que, como política é igual nuvem, amanhã ela pode estar de outra forma. Mais nublada, talvez. Até a estiagem típica do final de julho e início de agosto, quando tudo deverá clarear.

DUAS FOTOS — O acerto em dois momentos: à direita, Lúcia Vânia se garantindo na disputa. À esquerda, com Demóstenes, a situação volta a estaca zero

Vilmar flerta com oposição

E quanto a Vilmar Rocha? Uma incógnita. Assim pode ser classificado o posicionamento do PSD nesta campanha. Certeza, apenas uma: o ex-titular da Secima não se dá bem nem com o pré-candidato da base, José Eliton, tampouco com o líder das pesquisas e principal nome da oposição, Ronaldo Caiado, desafetos seus. Isso quer dizer que seu caminho natural é Daniel Vilela? Não.

Não, porque essa decisão não será definida agora. Em relação ao discurso, o PSD afirma estar avaliando as possíveis articulações, e dito que não há pressa nenhuma em definir para que lado irá. Este é o discurso de Vilmar Rocha, que tenta demonstrar uma certa independência de sua sigla em relação aos nomes postos na mesa.

Para comprovar isso tem realizados encontros com antigos desafetos. O primeiro encontro público com Ronaldo Caiado ocorreu há duas semanas, mas nos bastidores, aliados de Vilmar e de Caiado consultados pela reportagem, afirmam que reuniões informais já vêm ocorrendo desde outubro passado.

Até com o governador José Eliton, do qual Vilmar tem colocado inúmeras dúvidas sobre a capacidade de conduzir a base aliada, defendendo a adoção, por parte desta base, de uma nova candidatura, o presidente pessedista já afirmou estar buscando reaproximação.

Isso porque apesar de Vilmar estar defendendo a aproximação com todos os nomes na disputa, sua base na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa defendem aproximação com José Eliton. Se os discursos do ex-titular da Secima não encontram eco sequer em sua legenda, encontrão no restante da base?

PRB

JOÃO CAMPOS — Lembrado por seu companheiro de partido Marlúcio Pereira (d), o deputado federal se disse lisojeado. Ele negocia com base e oposição

Quem também tem buscado um espaço na chapa majoritária é o deputado federal João Campos. Desde 2015, o parlamentar, que tem grande força dentro do movimento religioso e da Polícia Civil, tem afirmado que buscará vaga a vice ou ao Senado neste ano.

Na última semana, seu nome foi lançado pelo deputado estadual Marlúcio Pereira e passou a ser mais um considerado dentro da base aliada, não só para o cargo legislativo, como também para chapas majoritárias. Para tal, vem conversando sobre a possibilidade tanto com Caiado como com Daniel Vilela.

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