Sonhos e sacrifícios

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Daniela Martins
Especial de Rio Verde

Casal empreendedor realiza sonho e vive história de sucesso viajando pelo país

Até onde vai sua disposição ao sacrifício para alcançar um resultado? Já se perguntou?

Márcia e Hilário não pensam sobre isso, apenas riscam o objetivo e vão.

Empreendedor desde sempre, o casal vendeu as três lojas – duas de roupas e uma de ração – que tocava em Marechal Cândido Rondon, no Paraná, para investir o dinheiro e a vida em um sonho que começou por acaso.

– As pessoas chegavam na minha casa e se apaixonavam pela mesa que a gente tinha. – Márcia decidiu vender. Ganhou R$ 20 mil e uma ideia.

Era uma mesa talhada por artesãos em madeira pura, o tronco do pé de jaca. Márcia Corrêa Pinto e Hilário Darolt enxergaram a oportunidade. Investiram no projeto e passaram a confeccionar móveis rústicos, em variados tamanhos e estilos, em madeira da jaqueira, para vender em grandes feiras do país.

Começava ali uma vida de sacrifícios, mas muita, muita alegria. É uma felicidade perceptível, estampada no rosto cansado e nas mãos calejadas pelo lixar e selar da madeira. Uma, duas, três vezes. Toda feira que começa é um trato novo que dão na mercadoria. “Para manter o brilho”.

As peças são encomendadas para artesãos do Paraná. Chegam brutas para o casal. Márcia e Hilário dão o acabamento. Fazem questão! É o cuidado final, o toque especial.

São três anos nessa lida. “Não tem sábado, não tem feriado”, avisa Márcia. É vida na estrada, de cidade em cidade, estado em estado, de feira em frente, percorrendo quilômetros no caminhão repleto de móveis e utensílios dos mais variados tamanhos e pesos. Tem peça de 20 gramas até mesas de incríveis duas toneladas e meia, e dois metros de comprimento. “É madeira pura em peças exclusivas”, reforça um sorridente Hilário.

Manhã ensolarada de 9 de abril. Entre animais, produtos agropecuários, artesanais e novidades tecnológicas para o campo, lá estava o espaço da ‘Márcia Móveis Rústicos’. Sob duas largas tendas, os móveis talhados na própria tora chamavam a atenção de quem passava pela beleza. Pela originalidade.

Era o primeiro dia da 7ª Tecnoshow, em Rio Verde, maior feira de tecnologia para o campo do Centro-Oeste que, em 2018, reuniu 550 expositores e alcançou um volume de negócios de

R$ 2,5 milhões, em cinco dias.

Dali, para Márcia, saem bons negócios. Ela e o marido venderam R$ 70 mil em 2017. Rio Verde tem a segunda melhor feira que fazemos, conta, perde apenas para a Agrishow, na cidade paulista de Ribeirão Preto. A maior do Brasil, e para onde o casal seguiu dias depois da passagem por Goiás.

Casados há nove anos, Hilário e Márcia já se acostumaram com a vida de ‘caixeiros-viajantes’ e com os sacrifícios. O primeiro veio logo no início. Apaixonados por bichos, precisaram abrir mão dos 13 cachorros que tinham em casa. Não teve outro jeito, porque as viagens são longas e constantes. Já chegaram a ficar 90 dias sem voltar para casa. É feira em Goiás, São Paulo, Pará, Foz do Iguaçu… Filhos não têm. Ainda. “Filho eu quero ter sim, mas entrego nas mãos de Deus e de Nossa Senhora Aparecida”, diz, esperançosa.

E garante que muda, de novo, a vida depois da maternidade. “Gosto da minha vida de viajante, mas quando Deus me presentear com um anjinho quero só ficar em casa curtindo meu bebê”.

Também não tem mordomia. Economizar é palavra de ordem para os dois. “A gente dorme no caminhão, toma banho em posto de gasolina, e até de balde”, afirma Márcia. Às vezes sobra um tempinho para conhecer a cidade, mas a pizza é de lei.

Enquanto o país reclama da crise econômica, para os dois os negócios vão muito bem, obrigado! Hilário revela que em 2017 foram 150 mesas vendidas, peças que podem valer de R$ 2mil a R$ 100 mil. E há uma boa diversidade de produtos: colheres, fruteiras, bancos, gameleiras, cadeiras, vasos. Tudo de madeira.

Os clientes são também dos mais diversificados. “Aparecem médicos, fazendeiros, gente que é assalariado. Pra você ter ideia, vendi mesa para uma empregada doméstica. Ela queria, e nós parcelamos. Dinheiro de todo mundo é igual, e trato todo mundo bem”. Bem, e com simplicidade. Tem sempre um café quentinho.

É tanto esforço, empenho e as conquistas vão chegando. Hilário e Márcia compraram um sítio, já pagaram. Fora a experiência fantástica que dinheiro nenhum paga: a oportunidade de conhecer muita gente, outras culturas, aprender e trocar vivências. “Cada dia estamos em um lugar diferente, com um povo diferente, aprendemos muito”, reforça Márcia.

E para o futuro, depois de tanto trabalho, o sonho é viajar. A passeio.

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