Cozinhar se aprende na escola

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Diretora Lenilza Maria Silva, professora de gastronomia Larissa Santos e coordenadora Samantha Silva

Fabiola Rodrigues

Estudantes da educação infantil e de até o 5º ano do ensino fundamental do Colégio Recanto do Saber, no Recanto das Minas Gerais, em Goiânia, estão aprendendo a cozinhar e socializar por meio de aulas práticas de gastronomia, além descobrirem tudo a respeito da alimentação saudável. Ao mesmo tempo que preparam os alimentos, eles conhecem a importância e a função dos nutrientes para o organismo. Esse incentivo ainda na infância é fundamental para uma vida saudável.

A forma prática das aulas idealizadas pela professora de Gastronomia Larissa Santos tem surtido bons resultados entre as crianças desde o início do ano, pois estão aprendendo a importância de cada alimento e mudando hábitos alimentares. Durante a aula de gastronomia, o estudante se torna um chef kids, nome dado ao trabalho realizado com os alunos da escola. A cada toque, cheiro e descoberta da história dos alimentos, antes de pôr a mão na massa a criança vai construindo novas ideias, quebrando conceitos, como o da cebola, que a criançada quase não gosta.

“Ao ensinar sobre alimentação saudável, englobamos questões pedagógicas e culturais durante as aulas, procuramos ressaltar a importância das frutas e verduras. Incentivo muito para que o estudante experimente as receitas, mesmo que seja acompanhado de algum recheio. O importante é começar”, diz a professora.

A proposta é as crianças aprenderem a comer de forma saudável, com consciência e corretamente. A cada aula aprendem a preparar os alimentos, e a cada descoberta, tentam ensinar e ajudar a mãe na cozinha. As aulas do projeto Chef Kids incentiva o estudante a interagir com a família.

Diretora Lenilza Maria Silva, professora de gastronomia Larissa Santos e coordenadora Samantha Silva / Fotos: Mônica Salvador

Vale lembrar que a participação da família neste processo de educação e reeducação alimentar também é fundamental. Para incentivar este envolvimento, todas as receitas preparadas pelas crianças vão na agenda deles, como uma espécie de tarefa de casa.

“O incentivo começa no ambiente escolar, mas se estende para as famílias, pois é uma mudança de hábito de todos, porque se tudo que a criança vivenciar ficar apenas na escola cai no esquecimento e é em vão”, frisa Larissa Santos.

Por meio de aulas práticas de gastronomia, crianças colocam a mão na massa e aprendem a importância de alimentar-se bem

Com essa interação o estudante passa a experimentar comidas que não comiam, legumes, principalmente que é um dos desafios a serem inserido no cardápio da garotada. A cada aula, novas receitas são ensinadas para os estudantes: sanduíche natural, salada de fruta em formato de animal, pastel com verdura, sucos naturais. As crianças também são orientadas sobre os riscos do excesso de fritura, gordura, refrigerante, doces na alimentação.

Para quebrar questões culturais da família, já que cada uma tem seus hábitos alimentares, as aulas de gastronomia têm dado a oportunidade da criança degustar diferentes alimentos e ter sua opinião própria. Isso proporciona descobertas e desenvolve autonomia.

Os alimentos que as crianças ingerem têm papel determinante na infância, afinal essa é a fase mais importante do desenvolvimento do organismo de qualquer pessoa. A alimentação interfere no desempenho cognitivo, motor e fisiológico da criança, sendo que qualquer tipo de exagero calórico pode ser prejudicial à saúde.

Incentivo muito para que o estudante experimente as receitas, mesmo que sejam acompanhadas de outros recheios. O importante é começar a preparar e degustar os alimentos” Larissa Santos

Coordenadora Samantha Silva: “As aulas de gastronomia reafirmam a necessidade de cuidar da saúde da criança” / Fotos: Mônica Salvador

“Quem come bem consequentemente apresenta melhor desempenho nos estudos e consegue ter mais concentração. A pele fica sempre bonita e saudável. Ensinar as crianças a qualidade de cada alimento é prazeroso, porque teremos bons resultados no futuro”, lembra a professora de gastronomia.

Este modelo de aula poderá ser inserido na grade curricular das escolas públicas de Goiás, como complemento das atividades pedagógicas. No final deste mês Larissa Santos apresentará o projeto para o vereador Felisberto Tavares, de Goiânia, que tem apoiado o trabalho. Ainda no mês de maio, acontecerá uma audiência pública, com participação de profissionais da área de gastronomia e da educação.

“Vamos debater este formato de dar aula, ensinado as crianças a aprenderem tudo a respeito da alimentação o quanto antes, já que a tendência é eles comerem mal. Queremos alcançar todas as escolas do Estado”, diz Larissa Santos.

As aulas de gastronomia para crianças foram idealizadas pela professora desde quando cursava a faculdade. A paixão por crianças e o desejo de ensiná-las fizeram de sua profissão um espaço onde a educação se encontra com a gastronomia.

“Sou o chefinho da minha mãe”

“Ajudo minha mãe fazer comida em casa e a gente brinca e se diverte muito” Vitor Rabelo / Fotos: Mônica Salvador

As aulas práticas de gastronomia estimulam a criatividade das crianças e ajudam a desenvolver até mesmo a coordenação motora, durante a preparação das receitas sob supervisão. Para a coordenadora do Colégio Recanto do Saber, Samantha Silva, esse trabalho reafirma a necessidade de cuidar da saúde da criança desde cedo, além de mostrar que o filho pode ajudar a mudar a estrutura alimentar da família.

“As crianças aprendem muito rápido. O vínculo com a família se estreita, porque a criança chega em casa querendo fazer com os pais o que aprendeu na escola. Isso é gratificante, principalmente por ser cada vez mais raro existir essa interação hoje em dia”, destaca Samantha Silva.

Como trabalham todos os conteúdos, as aulas refletem na alimentação e também na interação entre as crianças, que aprendem a dividir os objetos na hora de preparar as receitas e esperar passo a passo até a comida ficar pronta, além de verem o resultado do trabalho deles.

Jordana Inácio, de 9 anos, que não perde nenhuma aula, conta que está desenvolvendo seus dotes culinários. Durante o preparo dos alimentos, que acontece dias de segunda e quarta-feira na escola, ela praticamente mal pisca os olhos, ficando atenta para fazer a receita, que pode ser um bolo, pastel assado, suco, salada, torta de legumes ou outras.

“Nossa turma estava aprendendo na aula de ciências sobre a pirâmide alimentar. Com as aulas de chef kids, estamos descobrindo como tanta comida é preparada. É tanta coisa gostosa. Estou aprimorando cada dia mais”, diz.

A criançada brinca, se diverte e também fica com vontade de ajudar a mamãe em casa. Isso acontece com o Vitor Rabelo, de 9 anos, que aprendeu a gostar de ajudar a mãe na cozinha. Ele sempre tem pedido a ela para comprar os ingredientes da receita que vai na agenda para fazer em casa.

“Agora sou até mais rápido na cozinha, sou o chefinho da minha mãe. A gente brinca, se diverte, é muito bom. E tenho aprendido que alimentos gordurosos fazem mal e nem podem usar muito na hora de preparar a refeição. Ajudo fazer a comida e é tudo uma delícia”, diz o estudante.

Alunos fazem pastéis e aprendem a colocar legumes no recheio / Fotos: Mônica Salvador

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