Entrevista | “Eliton, Caiado e Daniel sempre estiveram alinhados em algum momento”

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Foto: Divulgação
Confira aqui a entrevista em PDF

Weslei Garcia – Pré-candidato ao governo pelo Psol

Fagner Pinho e Vassil Oliveira

Enquanto o PT ainda se define pelo lançamento ou não de uma pré-candidatura própria nas eleições deste ano, o Psol já pulou na frente ao definir seu pré-candidato ao governo estadual já está definido. Trata-se do Professor Weslei, ou apenas Weslei Garcia, que já havia sido candidato anteriormente.

Educador da rede municipal de ensino da cidade de Valparaíso, Weslei se tornou conhecido após ser considerado a grande novidade das eleições estaduais de 2014, quando, com um discurso forte, causou incômodo tanto no candidato da base aliada à reeleição, Marconi Perillo (PSDB), quanto nos da oposição, Iris Rezende (MDB); Vanderlan Cardoso (PSB) e Antônio Gomide (PT).

Com um discurso forte e ligado à esquerda clássica, Weslei promete, nesta entrevista concedida à Tribuna do Planalto, afirma que buscará se apresentar como uma alternativa no campo popular, buscando defender os princípios fundamentais do programa socialista e de movimentos sindicais goianos. Além disso, o pré-candidato do Psol relembra que seu partido estará alinhado com todos que classificaram como golpe a deposição da presidente Dilma Rousseff, via impedimento, em 2016.

Weslei também é ácido ao avaliar as três maiores pré-candidaturas postas à mesa nas eleições deste ano. Para ele, José Eliton, Ronaldo Caiado e Daniel Vilela representam um programa conservador de governo e que sempre, em algum momento, todos estiveram alinhados, acrescentando que qualquer um deles representará a manutenção do continuísmo implantando no Estado de Goiás. Confira a entrevista completa.

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Tribuna do Planalto – O senhor teve pouco mais de 10 mil votos nas eleições de 2014. Qual a meta do PSOL em 2018?

Weslei Garcia – O PSOL cresceu no estado, faremos um debate de projetos buscando atrair principalmente os setores da classe trabalhadora. Dialogaremos com os movimentos sociais para consolidarmos a candidatura junto a estes seguimentos.

Como foi a disputa interna entre a pré-candidatura do sr. e a do policial federal rodoviário Fabrício Rosa? Houve algum atrito entre o sr. e ele?

Foi feito um bom debate político de forma respeitosa, o PSOL é um partido democrático, a definição de nossas candidaturas se deu no Diretório Estadual que foi eleito em outubro de 2018 no Congresso do partido. A minha candidatura foi definida no dia 22 de abril durante reunião ampliada do Diretório Estadual do PSOL em Valparaíso de Goiás. Foi um momento festivo e de crescimento onde, por consenso, indicamos o nome do camarada Fabrício Rosa, que orgulhosamente, será nosso pré-candidato ao Senado.

“O PT precisa fazer uma autocrítica das suas experiências no governo federal e na Prefeitura de Goiânia, principalmente no que tange aos seus aliados na ápoca. Trata-se de um partido de grande influência popular”

Por que a frente das esquerdas, proposta pelo PT em Goiás neste ano, não foi para frente?

A única conversa que houve com o PT foi sobre uma frente ampla a favor da democracia. Somos contrários a prisão arbitrária do ex-presidente Lula e os ataques que a classe trabalhadora vem sofrendo a partir do golpe do 2016 pelo ilegítimo e golpista Michel Temer a partir de um pacote de medidas impopulares tais como: Reforma Trabalhista, Ensino Médio, Congelamento de investimentos em educação, saúde e segurança pública por 20 anos, cortes na Universidade Pública, Privatização dos serviços , e, especialmente, em Goiás, ações igualmente agressivas contra a classe trabalhadora como as OSs na saúde, venda da CELG, Subdelegações da Saneago (com participação da ODEBRETCH) e militarização do ensino. Com toda essa longa pauta, existe sim uma unidade programática para as esquerdas e a busca pelo diálogo tem sido o caminho a buscar.

O desgaste do PT irá atrapalhar os partidos de esquerda?

O PT precisa fazer autocrítica das suas experiências no governo federal e na prefeitura de Goiânia, principalmente no que tange aos seus aliados da época. Trata-se de um partido que tem uma grande influência popular no Brasil e no estado.

Em Goiás, o sr. acredita que há um campo aberto para novas candidaturas de esquerda?

Sim. Estamos nos apresentando como alternativa no campo popular. Nosso diálogo será com os setores que foram abandonados pelas políticas estaduais, os movimentos sociais, trabalhadores (as) do campo e da cidade, com os servidores públicos, e todos os setores progressistas do estado.

Quem hoje representa a esquerda em Goiás?

O Psol, PCB, MTST, MST, Terra Livre, Stiueg, Oxumaré e todos os setores progressistas que lutam contra o golpe aos direitos da classe trabalhadora, e lutam pela democracia no país.

PSB, PCdoB, PT e PDT são de esquerda?

Historicamente são partidos de esquerda, não podemos esquecer de lideranças icônicas como Miguel Arraes; como João Amazonas; como Florestan Fernandes e como o ex-governador Leonel Brizola, que sempre lutaram pela democracia e pelo socialismo.

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Em quantas cidades o PSOL está organizado no Estado?

O nosso partido está organizado em mais de cinquenta cidades no estado.

O sr. pretende viajar pelo Estado organizando diretórios?

Vou viajar pelo estado com o objetivo de aprofundar o meu conhecimento sobre a realidade das cidades e regiões do Estado. Nestas viagens vou apresentar as propostas para governar o estado.

Qual será o papel principal do PSOL nesta eleição? O partido quer surpreender ou apenas aprofundar o debate social na campanha eleitoral?

O PSOL entra na disputa para chegar ao Palácio das Esmeraldas, eleger deputados estaduais e federais e eleger o companheiro Fabrício Rosa para o Senado

Existe alguma das três maiores pré-candidaturas postas à mesa no Estado da qual o Psol poderia caminhar junto em um segundo turno?

Não. Eu sou pré-candidato. Se outros partidos do campo democrático e popular quiserem caminhar comigo, serão benvindos. Não dialogaremos com aliados de Marconi Perillo, Ronaldo Caiado, Iris Rezende e de Michel Temer.

No ano passado a Comissão de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e da Amazônia, aprovou um projeto do deputado Célio Silveira (PSDB), que convoca plebiscito para a população se manifestar sobre a criação do Estado do Entorno, nos municípios localizados em volta do Distrito Federal. O sr. defende esta criação, como defende o parlamentar?

Não coaduno com o pensamento de muitos parlamentares na criação do chamado “Estado do Entorno”. Como pré-candidato ao governo de Goiás, defenderei a inclusão de todas as regiões excluídas social e culturalmente. A região do entorno é conhecida como “terra do nem”; nem Goiás nem DF. Nossa atuação é assumir de fato essa região tão importante para o estado e trazer políticas públicas de fortalecimento a cultura, educação como incentivo de combate ao tráfico e a criminalidade. Fortalecimento da economia invertendo a lógica tributária aonde irá menos impostos aos pequenos e médios comerciantes e desburocratizar o acesso de recursos junto ao Banco do povo.

O que o sr. proporia para melhoras a situação econômica e social do Entorno do DF?

Fortalecimento da Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e do Entorno. A Ride foi criada em 2000, e até nenhum dos governos de Goiás e do Distrito Federal incentivaram a unificação de projetos na área econômica, infraestrutura para o desenvolvimento social e econômico da região. Nosso governo irá liderar essa articulação com o governo do Distrito Federal, Minas Gerais e a União.

Como integrar o Entorno às outras regiões do Estado, equilibrando o desnível econômico e social?

O fortalecimento da Ride exercerá um papel fundamental, o que certamente equilibrará o desnível econômico e social da região do entorno. Somente um programa articulado de desenvolvimento enfrentará essa situação. É preciso vontade política, e nosso governo criará a secretaria especial para assuntos do entorno.

Recentemente a Secretaria de Segurança Pública implantou uma unidade da Rotam, até então uma força especializada da Polícia Militar que atuava apenas em Goiânia, no Entorno. O sr. acompanhou essa articulação? Considera esta uma forma correta para diminuição dos índices de violência na região.

Sim, acompanhei. O aumento da violência precisa ser enfrentado com uma política de segurança cidadã, que articule o aparelhamento, reestruturação e valorização das polícias com a garantia de direitos sociais, de emprego e renda para a população. Por outro lado, não basta ter polícia na rua, é preciso investir em inteligência e na apuração dos crimes – apenas 8% dos homicídios no Brasil têm uma investigação bem-sucedida, o que mostra como nosso modelo de segurança pública está doente.

“Estamos articulando uma agenda em Goiás com o companheiro Guilherme Boulos, que é o nosso candidato à presidência da República”

Há algumas semanas o seu colega de partido no Rio de Janeiro, deputado estadual Marcelo Freixo, afirmou que a esquerda no Brasil não sabe se comunicar com as forças de segurança pública, e que isso acaba tornando as corporações militares e civis da área em um terreno fértil para a atuação do discurso da direita. O sr. concorda?

Concordo, mas temos avançado nesse diálogo, inclusive no Rio de Janeiro, onde o PSOL conta com pessoas gabaritadas nessa área, como o Coronel Íbis Pereira, que foi Comandante-Geral da PM-RJ, e o delegado Orlando Zaccone, da Polícia Civil, entre outros. Buscaremos o mais amplo diálogo com as forças de segurança para elaborar nosso programa de governo. Entendemos que não é possível ter uma política séria de segurança pública com policiais mal remunerados, sem condições adequadas de trabalho nem oportunidades contínuas de capacitação.

O Psol já se definiu para formação de uma chapa majoritária pura ou ainda está propenso a conversar com outros partidos para ocupar a segunda vaga ao Senado, e também a vaga de sua vice?

O PSOL estabelecerá um debate com o PCB e setores sociais, e com o conjunto dos filiados para completarmos a chapa majoritária.

Há possibilidade de união com siglas mais à esquerda, além do PCB como o sr. já citou anteriormente, como PCO e também o PSTU?

Estaremos aliados com aqueles que acreditam que houve um golpe em 2016, e todos aqueles que acreditam que precisamos resgatar a democracia no país.

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O pré-candidato à Presidência da República pelo Psol, Guilherme Boulos, tem previsão de visita a Goiás? Tanto no Entorno quanto na capital?

Estamos articulando uma agenda com o companheiro Guilherme Boulos, que é o nosso candidato à presidência da República, e com sua candidata a vice-presidente Sonia Guajajara para junho. Assim que for confirmado a sua presença, daremos ampla divulgação a imprensa.

Boulos vem se aproximando muito de Lula nos últimos meses e surgido como uma opção dentro da legenda petista caso o ex-presidente realmente se torne inelegível. Neste contexto, o Psol deve buscar o apoio do PT? O sr. abriria mão de sua candidatura em uma composição PT/PSOL para viabilizar Boulos?

A candidatura de Guilherme Boulos e Sonia Guajajara, buscam o apoio de todos os setores progressistas que lutam contra o golpe e em defesa da democracia. O PSOL tem um projeto nacional, e por isso, apresentamos candidaturas em todos os estados.

Que avaliação faz dos adversários, Zé Eliton, Ronaldo Caiado e Daniel Vilela?

Eliton, Caiado e Daniel representam um programa conservador, sempre estiveram alinhados em determinados momentos. Representam a continuidade do estado de exclusão da maioria dos trabalhadores urbanos e rurais. A eleição de qualquer um deles representará o continuísmo, sem nenhuma perspectiva de mudança.

Como será sua pré-campanha, até a convenção?

A coordenação de campanha estabelecerá a estratégia da pré-campanha. A princípio foi estabelecido pelo diretório estadual um conjunto de atividades para elaboramos o programa de governo, como seminários e grupos de trabalho. Por outro lado, as redes sociais serão uma ferramenta importante para dialogarmos com a sociedade goiana. @professorwesleigarcia

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