Fotografia de gente de verdade

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Benedito Severo, o Dito, figura singular de Nova Veneza / Foto: Lázaro Neves

Daniela Martins

Longe dos holofotes está o Brasil que Lázaro vê, de povo simples, religioso e lutador. Gente de verdade.

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Do comum, Lázaro extrai o extraordinário. A sequência de imagens de Benedito, o “Dito Severo”, e seu pito é um desses exemplos. Benedito tem 82 anos. É de Nova Veneza, e trabalhou boa parte da vida como meeiro em terras que os imigrantes italianos ‘conquistaram’, há mais de 100 anos, na cidade vizinha à Capital – são menos de 50 quilômetros de distância. Meeiro é o trabalhador rural que cultiva a terra de outrem e divide a colheita, meio a meio, com o proprietário. Dito trabalhou primeiro nos cafezais, depois, com o fim do ciclo do café, nas colheitas de milho, de arroz, de verduras.

Lázaro Neves é fotógrafo, como explica, ‘fotógrafo de cena, still’. Também é fotojornalista. Já passou por revistas como Casa e Flora, Flora Mulher e Foco, de Brasília; pela redação do Diário da Manhã, e fez alguns trabalhos para O Popular e Tribuna do Planalto. Hoje prefere mergulhar em projetos mais intensos.  “Jornal diário cansa um pouco, você fica amarrado. Se quer uma coisa mais inteira, tem que entrar bem na história, ter mais tempo”, ensina.

Da paixão pela fotografia veio a paixão pelo cinema. Enveredou pelos documentos e curtas de ficção. Chegou a ser presidente da Associação Brasileira de Associação Brasileira de Documentaristas e Curta (ABD), em Goiás. O Benedito, de Nova Veneza, é personagem de seu último documentário, trabalho em parceria com Ângelo Lima  que deve ser lançado até o final de 2018. A temática social é perene no cliques de Lázaro. “Procuro fazer uma fotografia engajada nas causas sociais, isso com certeza vai estar de forma muito explícita em um próximo livro”, diz.

“Procuro fazer uma fotografia engajada nas causas sociais.”

Material ele tem de sobra. São muitos brasis, brasileiros e fatos visitados pelas lentes do goiano Lázaro Neves. Os índios de São Félix do Xingu, a prostituição infantil no Pará, a população amazônica, o Lago da Serra da Mesa, os oleiros de Jataí, os ocupantes do Parque Oeste Industrial na capital goiana, os pescadores de vilarejos de Belém do Pará, personagens de São Paulo, Maranhão e tantos outros cantos do País.

Marcante para Lázaro: mulher negra, entre militantes do Movimento Sem Terra (MST), fita a câmera do fotógrafo, como ele diz, com “olhar penetrante através dos óculos” / Foto: Lázaro Neves

Esse projeto em maturação é o livro com imagens em preto e branco, um clássico da fotografia. Lázaro, que é membro da Academia Trindadense de Letras Ciências e Artes (Atleca), está no processo de  seleção das fotos históricas, jornalísticas. Tem Iris Rezende, ministro da Agricultura, nos braços do povo, a posse de Lula na Presidência em 2002, a votação do impeachment de Dilma Rousseff, a luta do  Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, os esboços do arquiteto Oscar Niemeyer, eventos culturais, como o Festival Internacional de Cinema Ambiental (Fica), na Cidade de Goiás, e as belezas de Pirenópolis.

A religiosidade é outra temática igualmente presente na obra do fotógrafo. Da procissão do Fogaréu, em Goiás, ao Círio de Nossa Senhora de Nazaré, em Belém, ele faz expressivas imagens mergulhado, literalmente, na multidão. “Entro com duas câmeras, uma tele, outra de lente mais curta, no meio do povo, faço a foto junto deles”, conta.

O fervor das festividades religiosas estão nas páginas do primeiro livro de Lázaro Neves. “Festa, Folclore, Fé” é uma coletânea de 25 anos de fotos das Cavalhadas, Romaria de Trindade, Procissão do Fogaréu, Folias dos Reis e Congadas de Catalão. Como está na capa do livro: são “Olhares sobre as expressões culturais do Estado de Goiás”.

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