É agora ou nunca

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Vassil Oliveira

Candidato do MDB vive momento de tensão, enquanto adversários avançam

Daniel Vilela nunca teve vida fácil para viabilizar a sua candidatura ao governo dentro do MDB. Nos últimos dias, as dificuldades ganharam um ingrediente novo, com declarações enviesadas de seu pai, o ex-governador Maguito Vilela.

Admitindo conversar com todos em favor do projeto do filho, inclusive com o PSDB, adversário histórico do partido no Estado, ele abriu a guarda para os adversários, que imediatamente ‘venderam’ o seu gesto largo como capitulação.

Quem mais se aproveitou da situação foi o grupo dissidente do MDB, que defende a candidatura do senador Ronaldo Caiado (DEM). Foram à forra, depois de entrarem na linha de fogo de Daniel ao ser aceito pedido de expulsão deles na comissão de ética emedebista.

Adib Elias, prefeito de Catalão, até pediu tratamento igual a Maguito. Aliados do governador José Eliton, pré-candidato do PSDB à reeleição, acenaram com outra provocação: Daniel poderia ser vice. No jogo de cena e na guerra de nervos, Daniel foi levado às cordas e lá continua. Cadê a reação?

Falta agenda de candidato, o que ele tem mostrado pouco, frente à movimentação dos adversários. Falta discurso. E falta apoio, de lideranças relevantes e de partidos para composição. A avaliação é interna, de quem torce por sua candidatura.

No meio da semana, o emedebista tentou ponderar que a discussão eleitoral está muito centrada nas picuinhas e nas escaramuças de bastidores, e nada em propostas. Sobra razão no argumento. A realidade, porém, é outra: se ele não mostrar as cartas que têm, ou algumas, pode ser atropelado pela falta de perspectiva de poder. Jogo é jogo.

Uma das evidências da fragilidade da reação de Daniel está na fragilidade do principal argumento do ‘fogo amigo’ disparado contra ele: o de que não é oposição de verdade. Oposição genuína, no caso, estaria entre os caiadistas.

O debate sobre quem é e quem não é oposição de verdade animaria a disputa. Entre os dissidentes que reclamam do ‘governismo’ de Daniel está, por exemplo, o deputado estadual José Nelto.

Nelto, em fevereiro, foi alvo de ataque direto do tucano Marconi Perillo. Na volta dos trabalhos na Assembleia, ele criticou o então governador. Na réplica, ouviu o que não esperava.

“Das tantas vezes que o senhor foi a minha casa como deputado de oposição, escondido, deputado José Nelto, eu devo um favor ao senhor pelo menos. O senhor foi até a minha casa para dizer que o ex-presidente Lula e o ex-governador Alcides Rodrigues estavam montando um dossiê falso para tentar destruir-me politicamente. Vim aqui para defender o meu legado, minha honra, meu trabalho, a luta que fiz pelo estado de Goiás”, disse Marconi.

Candidato com pouca política e tímida comunicação, Daniel recebe cobrança natural do jogo. Ele precisa avançar, antes que seja tarde

A oposição de Nelto não destoa do grosso da oposição na Casa. Poucos deputados sobem à tribuna com frequência para denunciar ou apontar falhas do governo. E muitos são os que são agraciados com obras do Estado par suas bases e com convites frequentes para jantares, almoços ou cafés no Palácio das Esmeraldas.

E pouco chegou a ser lembrado, pelos aliados de Daniel, que Ronaldo Caiado estava, até poucos anos, na base do governo, ajudando a eleger Marconi pelocmenos duas vezes. O argumento é conhecido, no entanto está adormecido. Na disputa pelo imaginário, Caiado vence Daniel como mais oposicionista que qualquer outro nome no Estado.

Daniel tem tentado sair das cordas por outros caminhos, como o posicionamento firme contra o foro privilegiado e o fim da prisão depois de condenação em segunda instância. Mas tem contra o fato de estar na base do presidente da República, Michel Temer.

Hoje, estar ao lado de Temer é sofrer as consequências de uma reprovação que só atrai resistência a apoios de outros políticos e de parte significativa da população. E, enquanto Daniel é carimbado como o candidato de Temer em Goiás, Caiado e Zé Eliton navegam em campo oposto.

As benesses de fazer parte do governo federal ainda são pouco capitalizadas por Daniel. Como não são as de ter à disposição a maior estrutura partidário do Estado. A máquina federal não converge para ele, e a máquina estadual do MDB está, em parte, brigando com ele. O que sobra para Daniel?

Ganhar perspectiva de poder é certamente hoje o principal desafio para o emedebista. Para mobilizar o MDB a seu favor, afastando de vez a desconfiança e a falta de segurança em relação à sua viabilidade eleitoral. E para sair da pauta negativa, quando poderá, aí sim, chamar para si o debate sobre o futuro de Goiás.

Neste momento, valem mais os efeitos da comparação, usados por adversários e aliados para medir a viabilidade eleitoral dos nomes na disputa. Enquanto Caiado e Eliton reúnem gente e tem agenda cheia de eventos populares e de conversações políticas, Daniel tem eventos pequenos e passos tímidos.

Candidato com pouca política e tímida comunicação, Daniel vive a pressão natural dos que esperam que mostre capacidade (habilidade e força) de se firmar de vez no jogo, para então receber o voto. Esperar quase parado não é (mais) uma opção estratégica para ele. Até quando Daniel vai resistir? É a questão de momento. E aposta.

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