Entrevista | “Eliton conduz seu governo de forma transparente, comunicativa e respeitosa”

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Foto: Mônica Salvador

Roberto Balestra – Deputado Federal

Vassil Oliveira

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Deputado constituinte, Roberto Balestra é um dos políticos de maior experiência ainda em atividade no Estado. Congressista há oito mandatos, o inhumense, que chegou a flertar com o Senado Federal no começo desta legislatura, firmou seu rumo na busca por mais quatro anos na Câmara dos Deputados. Em entrevista exclusiva concedida ao editor Vassil Oliveira na última semana, Balestra faz uma análise do primeiro mês de governo de José Eliton, elogiando o novo governante, avalia o comando de Alexandre Baldy em seu partido, o PP, e observa que as candidaturas ainda não estão consolidadas. Confira a entrevista completa:

Tribuna do Planalto – Após um mês no poder, o senhor acha que José Eliton está atendendo à expectativa de manter a base aliada unida?

Roberto Balestra – O questionamento que sempre existiu é em relação ao cargo e a função que ele exercia, de vice-governador, que sempre foi muito eficiente na execução dos projetos, esteve sempre ao lado do governador, ajudou a desenvolver e a implantar estes projetos. Só que prefeito, vereador, os deputados, a população tinha dúvidas se ele seria capaz porque ele era executor, não era quem determinava a execução. E agora ele está tendo a oportunidade de ser o executor, de mandar fazer. E nesse primeiro momento, eu acho que ele já conseguiu avançar, já conseguiu mostrar para muita gente que ele tem sido capaz, que ele tem toda condição de ser um bom governador. Politicamente ele tomou uma primeira atitude, que foi mostrar que companheiro é companheiro e adversário é adversário. Um dos deputados estaduais que tinha uma grande participação no governo resolveu manifestar apoio a outro pré-candidato ao governo e mudar de partido, para um partido que é contrário à base do governo hoje. E ele determinou que todos os indicados do deputado fossem demitidos. Então, isso sinalizou para a classe política que ele tem posição: companheiro é companheiro, adversário é adversário. E na política isso é importante. Tomou outra atitude recentemente que agradou muito a população, estendeu o atendimento hospitalar até a meia-noite, proporcionando ao cidadão que trabalha a oportunidade de ser atendido após o expediente, sem ter que deixar o serviço para buscar o atendimento. Então, estou ouvindo todo mundo elogiando. São atitudes como essa que mudam o perfil e, principalmente, o reconhecimento à administração e à política.

“As candidaturas ainda não estão consolidadas. Estamos só na discussão, pré-candidato, mas a gente não sabe até onde vai chegar isso”

A base permanecerá unida?

Na política, você só tem datas, data para isso, data para aquilo. Você tem que ter idade, título de eleitor. Você tem data para a convenção, data para a eleição e data para a posse. Então, como nós temos uma data que é de convenção, que foi estendida, alguns partidos não se manifestaram ainda, porque esses partidos que não se manifestaram não têm candidato a governador. Quais partidos que estão firmes e já trabalhando? Aqueles que têm pré-candidatos a governador, que tem pré-candidato a senador. Então, esses estão tranquilos. Os outros, a maioria, estão na base e não podem dizer que estão fora da base porque têm pessoas indicadas, estão indo e vindo dentro do governo. Agora, o que vai determinar o apoio definitivo é a convenção, só a convenção. Então, na convenção, todos esses que estão aguardando o momento, mas que fazem parte da base, são base. Ninguém pode negar que é base, a não ser que vá lá e entregue os cargos que tem.

Foto: Mônica Salvador

José Eliton tem conduzido bem as conversas?

Ele tem uma experiência vivida como vice-governador durante sete anos e pouco. Então, ele viu que não existe segredo em política. Não existe. Política tem que ser transparente, comunicativa e respeitosa. Quem conduz política dessa forma, terá vida eterna, estará sempre bem com a política.

E ele está conduzindo assim?

Ele está conduzindo. Estou dizendo que Eliton conduz seu governo de forma transparente, comunicativa e respeitosa. Então, quem conduz bem e tem respeito ao companheiro e, sobretudo, ao eleitor, jamais será desmerecido.

O PP hoje é melhor do que estava quando presidido pelo senador Wilder Morais?

O partido não tinha quem liderava. Estávamos todos nós com um pé na frente e outro atrás. Até porque o senador tomou atitudes que bem entendeu, porque ele não tinha legitimidade dentro do partido. Ele fez o que bem entendeu. A minha cidade, Inhumas, o prefeito que é do partido e nós não tínhamos nem comissão provisória porque não foi autorizado por ele. Então, por aí você tinha uma base. E o que eu quero dizer com falta de legitimidade? Agora nós fizemos um acordo com o ministro, ele não sendo candidato nós abrimos mão para que as coisas pudessem caminhar. E nós esperamos que isso caminhe bem, com essas premissas que eu disse, de respeito, consideração e total confiança em nós. Não pode ser diferente, para o partido poder desenvolver. Porque se alguém acha que é dono do partido, dá no que deu anteriormente. Então, o partido não pode ter dono, partido tem que ter companheiro, fiel, que trabalha, que luta pelo partido.

Ele tem conversa com o MDB, e o PP ainda não definiu oficialmente o apoio. O PP pode apoiar o MDB?

Todos os partidos que não têm candidato ao governador estão conversando com os outros candidatos. Isso é da natureza política. Isso não quer dizer que vai apoiar A, B ou C, é da natureza política. Como é da natureza política quem está participando do governo ser da base do governo. Não tem como negar.

É favor do PP continuar com Eliton?

Sou a favor de que enquanto o partido for base, é base, mas a decisão será anunciada na convenção. Eu sei onde você quer chegar…

Essa definição será só na convenção?

Está acertado que será na convenção. Nada impede que haja uma antecipação de nossa decisão. Por exemplo, o PTB estava dizendo que só ia anunciar na convenção. Já fez os arranjos dele, as conversas que queria, se sentiu satisfeito e anunciou o apoio ao governo. Pronto, isso é uma decisão partidária. Agora, tem outros partidos que ainda não anunciaram. No caso, somos um deles. Agora, nós somos governo, nós estamos no governo.

O cenário nacional influencia aqui?

Não tem nada a ver. Toda a vida Iris teve influência no MDB nacional, não influenciou nada aqui. Todos nós temos influência lá, sou do partido, sou fundador do partido e não tenho nada a ver. Cada estado tem sua peculiaridade. Aqui as lideranças são diferentes das lideranças nacionais. Pode coincidir que tenha liderança lá e tenha liderança aqui.

O que os desgastes de siglas com denúncias pode afetar nas eleições?

Não tem nada a ver uma coisa nacional com uma coisa local. Aqui nós já tivemos outros casos, por exemplo, de outros partidos que estavam no governo e teve pessoas com dificuldade na Justiça e que não tiveram nenhum efeito no estado de Goiás. Não tem nada a ver. Se tivesse alguém aqui com problema, aí tudo bem. Mas mesmo assim, para chegar ao povo é muito difícil.

O sr. acha que o combate à corrupção será uma bandeira pesada em 2018?

Acho que vai pesar na eleição o que sempre pesou: trabalho. O que é a eleição? Futuro, esperança, é quem conseguir levar a esperança às pessoas. Não é porque o partido tem gente que é corrupta. Não é nada disso. Você já viu isso no passado. Não é isso que define. Até porque isso pode, às vezes em uma eleição majoritária, ter um efeito maior. Agora, em uma eleição proporcional, é muito difícil pegar qualquer problema desse, nacional, e ter influência em uma eleição proporcional.

Foto: Mônica Salvador

O sr. acredita que o desgaste do atual governo pode ser o maior desafio, por estar tantos anos no poder?

Se não houver proposta nova, se não houver alguma coisa que traga esperança para o futuro, encerra. Eu não sei quais as propostas que dr. José Eliton vai fazer, quais as propostas que o Ronaldo [Caiado] vai fazer, quais as propostas que Daniel [Vilela] vai fazer. Então, é uma questão de futuro. Eu estou com 74 anos, e tenho oito mandatos e estou candidato. Porque? Não estou falando daquilo que já fiz, eu quero é construir mais. Se eu conseguir que sou capaz de trabalhar mais, e a última campanha eu fiz dizendo ao pessoal: “Não tenho nenhuma proposta a trazer. O que estou trazendo aqui é a minha experiência de sete mandatos”. Se eu fui capaz nesses sete mandatos você vai me dar o voto de confiança ou não. E agora vou ter que fazer proposta novamente. E o dr. José Eliton vai ter que fazer proposta porque ele está representando os 20 anos. Mas se ele tiver propostas, ele já tem um começo de campanha bom.

A eleição deste ano se parece com outra, com a de 1994, por exemplo?

As candidaturas ainda não estão consolidadas. Estamos só na discussão, pré-candidato, mas a gente não sabe até onde vai chegar isso. Então, temos que esperar pelo menos uma consolidação das pré-candidaturas e quais serão realmente os candidatos. É lógico que se houver três candidaturas, duas da oposição e uma da situação, a maior vantagem é da situação. Pode até em um primeiro momento a sombra dos dois de darem mais votos do que o candidato de situação. Quando você vai para o embate mano a mano, o candidato que ficou em terceiro lugar nunca apoia o outro candidato da oposição, sempre apoia o candidato da situação e vice-versa.

O que as pesquisas mostram agora é o retrato daqui a dois meses?

Não existe. A pesquisa que está aí tem 20% do eleitorado se manifestando. Outra coisa, nós não temos nada definido. O pré-candidato que está há mais tempo falando é exatamente o senador Ronaldo Caiado, que se manifestou há mais tempo como pré-candidato. O vice-governador José Eliton, o governador trabalhou com ele como um nome possível de ser o pré-candidato e depois o candidato. Daniel ficou, mas de repente também manifestou interesse. Então, o tempo é que vai consolidar alguma coisa.

O sr. acredita que a eleição nacional se dará em um clima ruim ou haverá uma pacificação?

Sempre que eu vejo em Brasília que no pós-eleição o Congresso sempre deu oportunidade ao novo presidente ou para a nova presidente. Quem mantém essa situação é exatamente o presidente que consegue compreender o Congresso, os congressistas e etc, e compatibilizar o que a sociedade fala com o que o Congresso fala e o que o governo federal deseja. Então, é preciso que haja uma harmonia nisso aí. E o Congresso sempre deu oportunidade para qualquer presidente, independente da maioria eleita ter trabalhado contra aquele eleito. Para você ver, a oposição ao Lula fez a maioria dos deputados e maioria dos senadores. A maioria dos deputados e senadores foram contra a eleição da Dilma. Mas sempre deram apoio a ela, como deram apoio ao Lula. Fernando Collor tinha dois deputados e teve o apoio do Congresso para aprovar propostas que ele fez.

“Sou a favor de que enquanto o partido for base, é base, mas a decisão será anunciada na convenção”

Por sua experiência, quem tem mais condições de ganhar as eleições?

Eu espero conhecer os pré-candidatos, quais serão os pré-candidatos. Tem [Geraldo] Alckmin, tem [Jair] Bolsonaro, tem Ciro Gomes, Marina [Silva], o senador Álvaro Dias. Tem muita gente.

Tem um favorito?

Até agora, não. Como aqui em Goiás, acho que está tudo zero a zero. Porque o jogo não começou, está todo mundo correndo atrás de todo mundo. Todo dia você vê o pré-candidato A tentando ver se pega o apoio do partido B e assim por diante. Então, o jogo ainda não começou, o povo ainda não está envolvido. O que existe aqui é apenas a imprensa. O povo não está envolvido. Na hora que começar o jogo mesmo… Todo dia você pega o jornal e lê, como vai ser o MDB com o Democratas? O MDB vai juntar com o PSDB? Quer dizer, tudo é dúvida.

Mas eles já estão conversando…

Conversar, você vai conversar até a última hora.

O que motiva para mais uma disputa?

Durante todo esse tempo, nós procuramos construir e corresponder. Então, hoje você tem N municípios, N pessoas que fazem parte da política e que entraram, talvez, motivadas por conversas nossas, por um estímulo que foi dado e etc. chega um momento que a gente até quer deixar de fazer política, deixar de participar de eleição, mas você acaba sendo convencido pelas pessoas que você convenceu no passado a participar. E como ainda existe disposição e uma experiência acumulada ao longo dos anos, acredito que com menos esforço a gente consegue até mais, que é o que tenho visto a cada mandato que a gente exerce. A cada mandato a gente consegue alcançar mais. No primeiro momento, a minha disposição era ser candidato ao Senado, mas eu sempre defendi e sempre falei que não existe direito adquirido em política, e eu acabei sendo também uma vítima disso. Porque o fato de ter sete mandatos não me deu o direito de ser candidato ao Senado, porque o processo político está acima de toda e qualquer vontade, de todo e qualquer interesse. Porque é política, é uma decisão política. A não ser que eu seja detentor de um poder que eu não fico na expectativa, na esperança ou aguardando a oportunidade de alguém querer ou concordar que eu seja. E eu não consegui. Se você me perguntar: “E aí?”. E aí, ninguém tem direito adquirido na política. Agora, para brigar, se tivesse que brigar, não é que eu não sei brigar, é que eu acho que não compensa. Se eu quero é servir, se eu fosse brigar para alguma coisa para mim, tudo bem, eu iria brigar, ia até as últimas consequências.

Com tanta gente falando mal, políticos criticando, o sr. ainda acredita na política?

Acredito. Eu nasci, me criei sempre ouvindo a mesma coisa. É o mesmo em casa, os pais falando para os filhos: “Menino, não gasta, faz economia, nós vamos precisar lá na frente. Não faz isso, não faz aquilo”. Em política é a mesma coisa, não tem nada de diferente. Toda vida você vai ter alguém que tem sucesso, alguém que não alcança o sucesso. Aquele que não alcança fala mal da política porque não alcançou o sucesso e tem que falar mal. Mas eu vou falar o que da política? Eu não tenho o que falar, eu só recebo o bem dela.

 

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