Rússia 2018 | Superar o trauma

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Fagner Pinho

Depois da triste despedida da Copa do Mundo de 2014, o Brasil chega renovado buscando se auto afirmar na Rússia

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Quatro anos se passaram. E mesmo depois deste hiato, muitos brasileiros não conseguem se esquecer da dolorosa fase derradeira da Copa do Mundo do Brasil. Quem não se esquece do passeio alemão sobre uma fragilizada defesa brasileira, completamente em frangalhos, diante de jogadores aplicados taticamente e de tanto sangue frio quanto os germânicos?

Quem não se esquece do choro copioso do zagueiro Tiago Silva, amparado pelo técnico Felipão, na decisão por pênaltis das oitavas de final daquela Copa, contra o Chile? Retratos como este é que esse grupo de jogadores renovados chega à Rússia buscando esquecer. Acima de tudo, exorcizar. Aquele time que sofreu 10 gols em dois jogos (7 a 1 diante da Alemanha e 3 a 0 diante da Holanda) tem que ter ficado para trás.

Em 2018, com novos nomes, novos atletas, novos membros na comissão técnica e novo comando, o Brasil encara, neste Grupo E, três seleções de respeito: duas delas se classificaram em seus grupos no Mundial passado: Costa Rica e Suíça. E a Sérvia trás consigo a tradição do forte futebol dos Balcãs. Cabe ao Brasil provar, mais uma vez, que é uma seleção de respeito e que permanece entre as melhores do mundo. Mesmo depois de 2014.

Seleções do Grupo E

Brasil

Esquecer os dois últimos jogos da Copa do Mundo de 2014, em especial a semifinal contra a Alemanha, e entrar focado nesta edição da competição e comprovar que ainda é uma das melhores seleções de futebol do mundo. Esse é o grande desafio do Brasil do técnico Tite na Rússia no próximo mês.

O trauma que atingiu os jogadores e também boa parte da torcida brasileira somente começou a ser superado quando o técnico assumiu o comando do time das mãos de Dunga, ainda durante as eliminatórias, organizando-o taticamente e tecnicamente, e recolocando o Brasil na liderança dentre os sulamericanos, se classificando antes de qualquer outra seleção.

Com mudanças em relação ao time titular da última Copa, os remanescentes Neymar, Marcelo e Neymar agora contam com outros craques para atuar ao lado, com destaque para Paulinho e Phillippe Coutinho, que vivem boa fase no Barcelona, e também o atacante Gabriel Jesus, titular do Manchester City. Dani Alves, com lesão, é dúvida.

Suíça

Não obstante se um mero coadjuvante em outras edições da Copa do Mundo, a Suiça chega até esta edição da competição buscando afirmação própria e conseguir um feito que não consegue desde a metade do século passado: conseguir superar as oitavas de final e chegar até as quartas.

As duas últimas vezes da qual os suíços mais se aproximaram da oportunidade foi em 1994, nos Estados Unidos, e em 2014, no Brasil. O time de 94 contava com craques como os meias Alan Sutter e Ciriaco Sforza, além dos atacantes Knup e Chapuisat. Eles levaram o time às oitavas de final, quando caíram diante da Espanha.

Já na última Copa, coube a Shaquiri carregar a seleção da Suíça até a classificação na primeira fase. Com um futebol destacado, o meia conduziu seu time com maestria com vitórias diante de Equador e Honduras, chegando até as oitavas onde encararam a forte Argentina. Apesar de jogarem de igual para igual, foram derrotados. Quatro anos depois, vem a chance de chegar mais longe.

Costa Rica

A participação da Costa Rica em Copas do Mundo não chegam a ser, assim, uma novidade. Desde a década de 1990 a seleção vez ou outra se classifica para mundiais, como ocorreu na Itália, em 1990; Japão e Coréia do Sul, em 2002; Alemanha, em 2006; e Brasil, na última edição da competição.

Em algumas edições, os costarriquenhos conseguiam se destacar, mais pela qualidade individual de algum jogador, como Paulo Wanchope em 2006, do que como o time em si. Mas na última Copa do Mundo, no entanto, o jogo virou, pois a Costa Rica surpreendeu o mundo ficando em primeiro lugar num grupo que reunia Uruguai, Itália e Inglaterra.

Neste ano, muitos nomes que conseguiram este feito – e ainda por cima levaram o time às quartas de final – estarão de volta à Copa, mas com uma média de idade mais envelhecida, a grande dúvida que passa pelo cabeça dos torcedores e jornalistas do país é se eles irão repetir o feito de quatro anos atrás.

Sérvia

Um time em busca de uma identidade. Este poder ser considerado o mote da seleção da Sérvia nesta edição da Copa do Mundo. Depois de disputar várias edições do certame ainda como a antiga República da Iugoslávia e também outras edições como a seleção da Sérvia e Montenegro, os sérvios chegam pela primeira vez como uma única nação.

Mas, ao contrário dos vizinhos da Croácia, que pareceram ter herdado o bom futebol que a seleção da Iugoslávia sempre apresentou em Copas do Mundo, a Sérvia luta para chegar ao nível do selecionado irmão. Para isso, disputará sua primeira Copa e conta com uma mescla de jovens jogadores com atletas destacados na Europa.

Como destaque dois nomes: o meia Matic, titular do Manchester United, e o atacante Mitrovic, que há anos atua pelo Newcastle United, ambos da Inglaterra. A eles se unem jovens como o meia Zivkovic, que chegou há um ano ao Benfica com 19 anos, e é considerado uma das maiores promessas do futebol mundial.

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