Entrevista | “Lúcia Vânia é um nome a ser buscado e não escolhido”

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Marcos Abrão – Deputado Federal

Fagner Pinho e Vassil Oliveira

Calejado após chegar à reta final de seu primeiro mandato, o deputado federal Marcos Abrão (PPS) se apresenta mais experiente na busca pela reeleição à Câmara Federal. Nesta entrevista concedida à Tribuna do Planalto na última semana, o parlamentar aponta as dificuldades de sua primeira campanha e o que espera deste segundo pleito do qual participa como candidato. Ele também aponta a qualificação que a senadora Lúcia Vânia (PSB) pode trazer a qualquer das chapas que decidir concorrer à reeleição, tanto em relação a votos quanto a sua experiência política, e acrescenta: a casa da senadora, em sua opinião, é a base aliada. Confira a entrevista completa.

Esta será a eleição mais difícil para a Câmara dos Deputados? 

Eu acredito que vai ser uma eleição diferente, uma eleição onde prevalecerá o serviço prestado e a conduta do postulante, isso que eu acredito. Acredito que para algumas pessoas será uma eleição muito mais difícil e para outros, acredito que será uma eleição onde você vai ter condições de conversar diretamente com o eleitor, em reuniões menores, e debater ideias. Acredito que vai ser uma eleição diferente.

Marcos Abrão – Eu acredito que vai ser uma eleição diferente, uma eleição onde prevalecerá o serviço prestado e a conduta do postulante, isso que eu acredito. Acredito que para algumas pessoas será uma eleição muito mais difícil e para outros, acredito que será uma eleição onde você vai ter condições de conversar diretamente com o eleitor, em reuniões menores, e debater ideias. Acredito que vai ser uma eleição diferente.

O eleitor está receptivo ao político?

O eleitor tem uma descrença muito grande hoje em relação à classe política. Todos esses acontecimentos que nós passamos nos últimos anos levou uma sensação de ceticismo muito grande da população em relação à classe política. Agora, eu acredito que também a população verá nessas eleições uma oportunidade para poder separar quem tem uma conduta que condiz com o ser público, o ser político com quem usa a política.

O eleitor quer novos políticos ou políticas novas?

Acredito que o eleitor quer novas práticas políticas. Não acredito que uma pessoa por ser nova transfira, independente da conduta dela, o sentimento de renovação. A população espera renovação na prática política e não em figuras. Tem pessoas que estão há muito tempo na política que representam renovação política, e tem pessoas novas que já entram na política com essa distorção sobre o que é ser político.

Não seria contraditório por parte da Câmara dos Deputados aprovar uma minirreforma, como a última, que em tese facilitaria a manutenção de quem já está no poder, indo contra essa vontade pública de novas políticas?

Eu votei contra até o fundo eleitoral, porque acredito que a gente precisa fazer política com relacionamentos, com compromisso, com corpo a corpo. Na minha opinião, esse limite de R$ 2,5 milhões de gastos de campanha política ainda acho alto. A gente precisava fazer essa reforma política, mas também precisava do voto distrital misto para que nós possamos ter representantes em distritos menores para que essas campanhas sejam menores em tamanho de estrutura. Isso sim seria um avanço para o país. Agora, eu acredito que a restrição do gasto, a fiscalização que está tendo hoje é um avanço para o país. Se eu não tivesse convicção de que é um avanço, eu não disputaria essa eleição.

“Acredito que o eleitor quer novas práticas políticas. Não acredito que uma pessoa por ser nova transfira, independente da conduta dela, o sentimento de renovação”

Em relação ao teto de gastos, não existe limite na pré-campanha. É uma coisa que os deputados fiscalizam uns aos outros?

Todas as movimentações que são atípicas chamam atenção e aqui em Goiás tem casos isolados de pessoas que estão extrapolando o limite de exposição. E a Justiça Eleitoral já detectou isso. Agora, por parte dos deputados eleitos, o que eu tenho visto as pessoas se movimentarem é legítimo. Eu não parei nenhum dia, desde o dia que me foi concedido o mandato. Só nas eleições municipais eu fui em mais de 70 municípios. Então, eu acredito que política tem que ser feita de forma integral e principalmente a todo tempo.

Dentro dessa perspectiva de renovação e mudança, está mais difícil a base do governo eleger mais um governador depois de 20 anos no poder?

Depende da forma que o governo mostrar a cara do novo governador. Nós fizemos aliança com o novo governador tendo em vista que a gente pode sim, apesar do tempo, representar a renovação. E como? A renovação, na minha opinião, é justamente a modernização da prática política. Goiás evoluiu muito no serviço público prestado, na prática política, essa política com mais diálogo. Então, eu acredito, sim, que você consegue, apesar do tempo no poder, se colocar como a renovação dependendo do trabalho que você faz. Nós temos hoje um novo governador.

E um mês com novo governador

E um novo governador que já mostrou um trabalho. Esse terceiro turno de atendimento médico é o clamor da população, isso é muito positivo. A melhora na segurança pública é explícita já também. Eu acredito muito que ele terá condições, apesar do curto período de tempo, poder mostrar a marca que ele representa e propor para a sociedade um pacto para governar Goiás pelos próximos quatro anos.

Parecia definida a chapa com José Eliton, Marconi Perillo e Lúcia Vânia. Agora, com Demóstenes Torres e possibilidade de o PP apresentar outro nome, como o de Vanderlan Cardoso, pode criar ruído e atrapalhar uma aliança do governo?

A chapa majoritária precisa ser definida com pessoas que tenham condições de somar qualitativamente e eleitoralmente para que nós possamos mostrar essa proposta de governo para os próximos quatro anos. Por isso que eu acredito muito na pré-candidatura da senadora Lúcia Vânia. Ela tem serviço prestado há mais de 30 anos no estado de Goiás, sempre se colocou na vanguarda de práticas políticas. Ou seja, é uma pessoa que tem conduta ilibada, que é referência não só em Goiânia e em Goiás, mas em Brasília.

Se Lúcia Vânia não for escolhida, o senhor é a favor de que ela mantenha conversas e até faça aliança com Ronaldo Caiado ou Daniel Vilela?

Desde o início ajudamos a construir esse projeto. Desde o início ajudamos a construir as bases dessa base política que hoje sustenta o governo. Não acredito nessa hipótese. Trabalho com a perspectiva de ela ser a escolhida a candidata, hoje pré-candidata ao Senado. Agora, o diálogo é permanente. Nós temos relacionamento com os três. Eu tenho relacionamento quase que diário com Daniel Vilela na Câmara Federal. Eu tenho relacionamento e abertura para conversar com Caiado e ela também. Isso não esgota a possibilidade de diálogo.

Então, a porta não está fechada nem com Caiado nem com Daniel?

A questão da porta política a gente nunca abriu. No meu caso, nós nunca abrimos essa conversa, mas o relacionamento existe. E que pode, em função de alguma situação, se transformar em uma aliança. Agora, nós temos uma aliança consolidada e não queremos que essa aliança seja mudada.

O PPS pode ir para a oposição, caso Lúcia Vânia vá?

Nós temos um projeto, que é na base aliada. Desde o início estivemos e prospectar sobre hipóteses eu não vou fazer, porque isso é um exercício que eu ainda não dou conta, de prever futuro.

A gente tem visto os pré-candidatos com uma dificuldade muito grande, que é montar chapa de deputado federal. Porque?

Primeiro porque como a gente vem de uma eleição onde a polarização é muito grande e a base de sustentação do governo cresceu muito, é muito difícil você criar uma chapa de deputados federais que vá conseguir o coeficiente eleitoral. Para cada deputado com a possibilidade de ser eleito, precisamos de, no mínimo, 180 mil votos. Então, é muito difícil você criar essa chapa de deputados federais para que possa ter a possibilidade de eleger um. E a base se consolidou ao longo desse período todo, ampliou e eu acredito que outras chapas terão dificuldades de montar essas proporcionais.

O PPS seguiria com os outros partidos da coligação da base em relação à não manutenção de um chapão dentro da disputa para a Assembleia Legislativa?

Olha, a decisão da composição da chapa de deputados estaduais do PPS será de responsabilidade dos pré-candidatos. Desde o início eu coloquei para eles que essa era uma decisão deles, eles que vão tomar essa decisão, se querem ou não fazer parte do chapão para deputado estadual. Para deputado federal nós já fizemos parte na outra eleição. Eu fui eleito pelo PPS, no chapão.

“José Eliton precisa mostrar a marca do governo dele. Creio que nos próximos levantamentos isso vai começar a ser refletido”

O partido poderá eleger quantos deputados estaduais?

Nós temos a possibilidade de eleger de dois a três.

Em relação à chapa do governo, quando o PPS espera que esteja tudo definido, só na convenção?

Na medida em que forem mostradas as pesquisas qualitativas e quantitativas, não tenho a menor dúvida de que ficará claro qual o nome que soma na chapa. A senadora Lúcia Vânia não é um nome a ser escolhido, é um nome a ser buscado, porque ela tem coeficiente eleitoral, tem voto, tem credibilidade, e isso é decisivo nesse momento tão difícil que estamos passando na sociedade.

Este ano, Lúcia Vânia dá a impressão de que não vai querer brigar como antes para manter a vaga. O senhor acredita que ela vai querer brigar mais uma vez ou vai aguardar?

Pelas conversas que tenho com os deputados estaduais e federais, todos sabem o valor que ela tem na chapa majoritária. Todos. É claro que muitas vezes as pessoas não se expressam, mas eu tenho certeza. Tenho um relacionamento excelente com vários deputados, e todos sabem a necessidade de tê-la na chapa para podermos disputar as eleições. A gente precisa deixar muito claro que a eleição vai ser muito disputada. É uma eleição acirrada, uma eleição em que precisamos de pessoas que têm votos e credibilidade. Essa eleição é uma eleição de quem tem credibilidade.

Como Eliton precisa posicionar a campanha dele para poder sensibilizar o eleitor e crescer nas pesquisas?

Na minha opinião, ele precisa mostrar a marca do governo dele. Eu acredito que nos próximos levantamentos isso vai começar a ser refletido porque nós já vivemos um avanço na área de saúde, de segurança, outras áreas do governo também já estão mostrando resultados positivos e o que eu acredito que precisa ser feito, que naturalmente será, é ele se tornar mais conhecido. Um vice-governador é totalmente diferente de um governador. Então, eu acredito, sim, que ele terá possibilidade, a partir do momento em que o governo mostre a sua marca, de se consolidar como uma perspectiva de projeto futuro para Goiás. Por isso que nós acreditamos nessa aliança, por acreditar que nós podemos propor para a sociedade um projeto para os próximos quatro anos.

Quem lidera as pesquisas hoje é Caiado, mas Goiás sempre polarizou entre o governo e o MDB. Pode ser que este seja o momento dessa terceira alternativa?

Nós não podemos ainda fazer essa análise de polarização entre duas forças só, porque essas três forças que hoje se colocaram, até o momento, se misturam e hoje não têm uma definição clara, elas estão conversando e nós podemos ter novidades no cenário. Então, eu não acredito ainda que… Primeiro que o eleitor não está pensando na eleição. Eu acredito muito que ele hoje está colocando o candidato que ele mais conhece e eu acho que ainda a eleição está no início, as composições, e não vejo de forma clara que será uma eleição polarizada em dois polos só.

“A decisão da composição da chapa de deputados estaduais do PPS será de responsabilidade dos pré-candidatos. A escolha será deles”

Esta eleição tem alguma semelhança com a de 1994, quando Lúcia Vânia e Caiado disputaram com Maguito Vilela?

Acredito que cada eleição é uma história diferente. Claro que podem ter contornos parecidos por três candidaturas, mas não acredito que possa ser a mesma história. Acredito que nós vivemos momentos, nos últimos dois anos, que poderão trazer surpresas. O eleitor sabe quem é quem, o eleitor está esperando o momento só de se definir, mas que ele conhece os candidatos, começa a conhecer os candidatos e que isso vai ter um peso na eleição. Não acredito que a eleição tem essa obrigatoriedade de se repetir um cenário que foi em 94, que eu já acompanhava. Apesar da pouca idade, eu já participava da campanha, segurava a bandeira, participava como expectador dos debates. Fui criado em um ambiente político, então eu sempre acompanhei.

Demóstenes Torres afirmou que o eleitor já demonstrou que não quer um quinto mandato de Marconi Perillo e que José Eliton ganharia a eleição se mostrasse ser diferente. Obrigatoriamente, a gestão de Eliton deve ser diferente da do ex-governador?

Primeiro, eu não quero fazer qualquer tipo de comentário sobre a declaração de outra pessoa. O que eu acredito é que qualquer candidato que venha postular o governo do Estado de Goiás precisa mostrar um projeto para os próximos quatro anos. Isso que eu acredito. Claro que nunca destruindo uma marca que é consolidada. Goiás viveu um avanço nos últimos anos em função da administração de Marconi, isso é inegável. É claro que você pode propor, como está sendo proposto, algumas inovações na área da saúde, na área da segurança, e ele tem acertado. Então, eu não acredito que você precisa se mostrar antagônico ao que já foi colocado para mostrar uma perspectiva de futuro para o estado de Goiás.

Qual é o projeto do PPS para a eleição nacional?

O PPS vai priorizar a eleição da bancada tanto federal quanto das Assembleias Legislativas. Porque nós precisamos consolidar nas duas casas para que nós possamos disputar as eleições de 2020 sem coligações proporcionais.

Quem apoiará nacionalmente?

Existe já no Congresso, que nós participamos, uma sinalização de apoio à candidatura de Geraldo Alckmin. Foi tirada uma sinalização, mas não é uma decisão definitiva.

Para o senhor, quem é o melhor pré-candidato?

Eu acredito muito que nós precisamos ter um governo hoje com uma principal bandeira, que é a responsabilidade, responsabilidade no ato de gerir o recurso público. A população mais humilde hoje tem uma sensação de que perdeu o poder de compra que ela tinha, em função de uma situação que era vendida que não era realidade. Isso eu acho muito preocupante, você colocar para as pessoas que elas estão vivendo uma situação melhor e depois retirar. Isso é muito triste, porque as pessoas já estavam consumindo, estavam viajando, estavam colocando seus filhos em escolas melhores. A população mais carente tinha uma perspectiva de que estava melhorando de vida e, de repente, estamos convivendo hoje com mais de 14 milhões de desempregados. Eu acho que essa é a maior mazela do país hoje, é o desemprego.

Por isso que Lula aparece à frente nas pesquisas?

Acredito que ele aparece porque ele foi presidente em um período muito pujante da economia, e as pessoas têm isso como um retrato do que elas viviam, mas a situação do país hoje é outra. Nem todas as pessoas sabem que o País hoje passa pelo período, são milhares de obras paradas. Estamos vivendo hoje uma situação difícil, fruto de uma política irresponsável.

Qual a perspectiva?

Eu sou um otimista nato, então eu acredito que se nós soubermos escolher o próximo presidente da República, nós vamos superar essa crise em definitivo.

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