Entrevista | “Nosso objetivo é o segundo turno”

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Foto: Mônica Salvador
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Rubens Otoni – Deputado federal

Fagner Pinho e Vassil Oliveira

Com uma experiência de mais de 10 eleições disputadas, o deputado federal Rubens Otoni (PT) chega a mais uma eleição estadual com a responsabilidade de ancorar seu partido, o PT, na disputa por conseguir o que até hoje o partido, que já governou Goiânia e Anápolis, ainda não conseguiu: governar Goiás. E embora muitos leitores não creiam na possibilidade, Otoni aponta pesquisas para justificar o anseio petista: Kátia Maria, pré-candidata ao governo pelo partido, apareceu na última pesquisa Serpes em um empate técnico com José Eliton (PSDB) e Daniel Vilela (MDB). A expectativa do deputado é que o PT chegue ao segundo turno em uma disputa com Ronaldo Caiado (DEM). Fora isso, Otoni, nesta entrevista à Tribuna, trata ainda de outros assuntos como coligações, Lula e PCdoB. Confira.

Tribuna do Planalto – No ano passado o senhor começou a apresentar o nome da Kátia Maria dentro do PT. Hoje ela se apresenta como nome do partido para a disputa ao governo. Esse é o direcionamento do PT?

Rubens Otoni – A professora Kátia cresceu muito como liderança política e é um orgulho para o Partido dos Trabalhadores ver (se destacar) uma militante que soube aproveitar seu espaço na direção do partido e fazer política em todo o Estado. Ela andou Goiás neste último ano como ninguém e soube fazer as articulações necessárias. Tornou-se presidenta do PT, conseguiu organizar os diretórios em todos os municípios, e isso reforçou muito o partido em um momento desafiador.

Todo o partido está unido no mesmo objetivo?

O PT tem muito cuidado com o processo democrático, e mostra isso ouvindo todos os setores e também respeitando os prazos.

Além de Kátia, outro nome surgiu dentro do partido?

Até este momento, não foi apresentado nenhum nome, mas, como eu disse, o PT respeita o calendário. Mesmo não tendo aparecido nenhum nome, é legítimo que a gente espere o final do registro, e caso apareça outro nome, isso também é normal e o PT saberá encaminhar a forma correta de definir internamente.

O PT vive um momento ruim em Goiás?

Não, de jeito nenhum. É um momento muito favorável ao PT. Parece estranho você falar em momento favorável em um período tão turbulento da política nacional, mas eu costumo dizer o seguinte: o tempo de uma guerra você nunca pode dizer que está bem, mas no cenário da guerra, nós estamos bem posicionados. Aqui em Goiás nós soubemos aproveitar bem esse cenário para construir o partido em todo o Estado e aí ressalte-se o papel importante que a professora Kátia Maria jogou, porque ela, com toda sua energia, disposição, competência e capacidade de articulação política, conseguiu avançar.

“Kátia Maria, com toda sua energia, disposição, competência e capacidade de articulação política, conseguiu avançar”

Foto: Mônica Salvador

O PT tem plano de governo?

Esse trabalho também tem sido feito de maneira muito competente e aí a professora Kátia também joga um papel importante porque ela é da área do planejamento, ela trabalha com planejamento estratégico, tem formação nessa área e desde o primeiro momento onde o nome dela ainda não era colocado como uma possibilidade para disputar o governo de Goiás ela já tinha sido chamada para contribuir na organização do planejamento nacional, do projeto nacional do PT, intitulado “O Brasil que o povo quer”. Baseado nesse projeto “O Brasil que o povo quer” nós organizamos aqui também o projeto “Goiás que o povo quer”. Então, esse debate está sendo feito ao mesmo tempo. Tem debates sendo feitos setorialmente, as contribuições sendo feitas por especialistas de cada área e com debate com a sociedade e também o recolhimento de sugestão em uma página virtual, onde nós recebemos também e fazemos essa interação com a sociedade.

Neste ano o PT pode ter uma candidatura sem aliança?

Esse cenário é possível, mas também se por acaso ocorrer esse cenário não é uma coisa de se assustar. Na eleição passada nós fomos sozinhos, fizemos quatro deputados estaduais e deixamos de fazer o quinto por 900 votos. Fizemos um deputado federal e deixamos de fazer o segundo por nove mil votos. Tivemos 280 mil votos para deputado federal. Se fizéssemos 289 mil teríamos feito dois. Isso sem ter nenhuma aliança com nenhum partido. Agora, é claro que estamos buscando o diálogo, a direção estadual está buscando o diálogo com os partidos mais à esquerda, o diálogo com o PCdoB avançou bem, estou convencido de que estaremos juntos nesta eleição. Mas estamos abertos ainda para dialogar com outras forças políticas. Mas estamos preparados, se for o caso, em poder disputar de maneira isolada.

O sr. acredita que a eleição do PT será com o Lula definitivamente fora?

Esta eleição o Lula não tem jeito de sair dela mais. Lula é o nosso candidato e esse é o desespero de nossos candidatos porque eles gostariam de ao condenar o Lula e depois levar ao extremo e prender Lula é que isso desse tranquilidade de colocar uma pá de cal e não se fala mais nesse assunto. O que está acontecendo é exatamente ao contrário. O nome do Lula é cada vez mais divulgado, ele cresceu nas pesquisas. Em todas as pesquisas ele cresce e o PT já definiu com a concordância dele. Ele estando livre ou não, vamos registrar a candidatura dele. A legislação permite isso. Deve ser uma disputa sub judice, sim, mas o Lula estará na disputa nacional.

Qual o limite para o PT apresentar aliança com outros partidos em Goiás?

Na convenção. Até 5 de agosto nós estamos abertos, todos os partidos podem fazer alianças. Nós temos tempo para discutir aliança. Agora, formação da chapa de deputado estadual e federal é um desafio que você tem que formar, e é importante para a formação de chapa de deputado estadual e federal definir a candidatura majoritária. Ao definir a candidatura majoritária, você, de certa forma, incentiva a formação da chapa de deputados estaduais e federais que também já está em curso a sua formação a partir dos encontros regionais que o PT realizou, 27 encontros regionais andando todo o estado de Goiás no mês de fevereiro, março e abril.

Uma preocupação em todos os partidos e alianças é a formação de chapa de deputado estadual e federal. Quem o PT tem para puxar a campanha, além do senhor, que é deputado? Tem mais candidatos a serem apresentados?

Tem. Nosso objetivo, como eu disse, estamos trabalhando para ter uma chapa completa de deputado estadual e federal, sabendo que para você formar uma chapa completa de candidatos você não tem os candidatos ao mesmo nível, mas é aquele trabalho de equipe, onde você tem aqueles candidatos mais competitivos e tem outros que vão entrar para dar projeção e somar. Então, nós queremos usar todas as vagas. Podemos lançar 26 candidatos a deputado federal e queremos lançar os 26.

Sozinhos ou em uma chapa maior, com mais legendas?

Uma chapa com o PCdoB.

Quando o sr. fala em montar a chapa, é algo que já está encaminhando?

Já está em curso a partir dos encontros regionais. Como eu disse, o PT estadual realizou encontros regionais em 27 pontos, andou o Estado de Goiás inteiro. Foram 27 encontros regionais em fevereiro, março e abril, feitos para debater o cenário nacional, o cenário estadual e também estimular o lançamento dessas candidaturas. Eu diria que, hoje, o Partido dos Trabalhadores, nesse esforço de fazer a chapa completa de deputado estadual e federal, já teria 60% disso realizado, já tem mais da metade garantido e formado.

Porque não deu certo a aliança PT e MDB?

Porque o MDB fez uma opção. O projeto que o MDB defende hoje no Brasil é um projeto totalmente diferente do projeto do PT e fez com que o governo, que hoje é coordenado pelo Temer, seja o mais rejeitado da história política do Brasil. E olha que o Brasil já teve governo ruim, mas este é o mais rejeitado de toda história política. A medida que o MDB de Goiás fez questão de firmar uma posição de defesa desse projeto do MDB nacional e acabou se isolando e afastando.

“É possível um crescimento de José Eliton e de Daniel Vilela”

Mas e a tentativa de aproximação do ex-prefeito Antônio Gomide com Daniel Vilela?

É uma conversa normal, essas conversas são normais.

Chegaram a negociar vice de Daniel Vilela?

Negociação não, mas a conversa é legítima. Eu tenho conversa com Daniel, com Pedro Chaves… A questão é a diferença política, das propostas. Na realidade, as propostas para o estado de Goiás do MDB, do DEM, do PSDB não têm muita diferença, são propostas de políticas administrativas excludentes, que não atendem a maioria da população.

Qual é o adversário mais direto do PT em Goiás?

Nós não estamos entrando para disputar com A, B ou C. A gente não escolhe adversário. Não é uma disputa de nome, é uma disputa de ideias, de projetos, de posições na sociedade, seja do ponto de vista administrativo, seja do ponto de vista de gestão, mas seja do ponto de vista político.

“Estou convencido que estaremos juntos nesta eleição, pois o diálogo com o PCdoB avançou muito nos últimos dias. Estamos abertos a conversar”

Em um cenário em que o líder das pesquisas é Ronaldo Caiado, o PT não teria desvantagem?

Nós vamos disputar projeto. Vamos entrar na disputa com objetivo de ir para o segundo turno. Esse é o nosso objetivo. Na última pesquisa divulgada, a Serpes apresentou o nome do partido, a professora Kátia, que nem ainda estava definido, a margem de erro com o governador e com o candidato do MDB. Já ganhamos eleições em que começamos lá em baixo, e já perdemos eleições em que começamos lá em cima. Então, isso faz parte do jogo.

O senhor acredita no crescimento de José Eliton e Daniel Vilela?

No jogo político eleitoral, é possível. Eles também estão se mexendo e fazendo o jogo devido para que possam ser vitoriosos. É legítimo da parte deles. Então, é possível que eles possam crescer e ganhar a eleição? Qualquer um que está na disputa pode crescer e ganhar a eleição. O que estou dizendo é que isso, também para o PT, é possível. É possível para eles e é possível para nós, também, ganhar a eleição.

O PT tem dificuldade em relação à Capital, uma vez que a avaliação da administração anterior, que era de um petista (Paulo Garcia), não terminou bem, não deixou boa memória?

O exemplo que você cita de Goiânia se refere a determinado momento, quando houve dificuldade na administração. Mas hoje vemos que o povo já está com saudade da administração do PT diante dos problemas que a administração do MDB enfrenta. E temos exemplos de administrações exitosas por onde passamos, (exemplos) da nossa seriedade, do nosso compromisso com o povo trabalhador, o povo mais simples, das políticas públicas que atendem o pequeno. Então, isso é a sinalização que vamos fazer ao povo de Goiás, é uma aposta que estamos fazendo, e vejo que temos chance de emplacar essa ideia em Goiás.

Foto: Mônica Salvador

O que o PT vai propor de diferente dos outros quatro candidatos?

Queremos apresentar até o final do mês de junho a nossa proposta deste, digamos, resumo do programa de governo. Queremos fazer uma apresentação, um lançamento desse programa de governo antes das convenções que acontecem no final de julho, começo de agosto. Esse programa de governo que vamos apresentar terá contribuição, e está tendo contribuição, de especialistas das diversas áreas que estão fazendo o debate disso.

Hoje uma das palavras mágicas nas candidaturas postas é “novo” e “mudança”, tudo converge para isso. O que o PT vai apresentar?

A primeira coisa é fugir do chavão. Acho que temos que apostar, e isso o partido ainda está discutindo internamente. Mas a minha visão, pela experiência que tenho, é que nós temos que fugir das soluções prontas e convencionais de marketing e apostar na discussão da realidade das pessoas. Estamos andando o Estado todo nesses encontros regionais, e é impressionante os depoimentos que a gente colhe das pessoas, do desejo das pessoas de ver algo diferente, que excite, que a motive a fazer parte. Acho que este é o conteúdo que vamos ter que buscar.

Em relação a essa guinada para a direita que estamos sentindo nos últimos anos dentro do País, como deve ser o discurso do PT, que vai contra essa onda?

Isso vai facilitar para o PT também. Acho que este é um dos pontos que favorece a participação do PT porque nessa polarização que está dada e esse risco que a população está correndo de ataques à democracia e enveredar para um caminho onde nossa democracia esteja prejudicada, o PT se apresenta como um polo principal de resistência a isso.

A legislação melhorou ou piorou para fazer política? O que foi construído para vigiar o caixa 2, melhorou ou piorou?

Eu vejo que a Reforma Política que nós realizamos e que hoje tem como resultado a legislação atual está muito aquém da necessidade que precisamos para fortalecer a democracia. Mas avançou.

As instituições estão resguardadas?

Justiça seja feita, não se fala do Judiciário como um todo, mas setores do Judiciário, que acabam enveredando para um trabalho que não é sua função, fazer política. Na medida em que se vê uma atuação do Judiciário tendenciosa e seletiva, você perde a noção do que é do Judiciário. Então, isso nos preocupa. Do ponto de vista eleitoral, não vejo que vai haver tanta influência. Temos uma Justiça Eleitoral com regras próprias, que tem seu próprio controle, bem organizada, e que tem todas as condições de coordenar esse processo da eleição, do processo democrático.

Com todas as denúncias e focos no PT, como o partido fará campanha este ano?

Essa pergunta não é para o PT, é para todos os partidos. Quem dera se o problema fosse o PT. Estamos com Lula hoje privado de sua liberdade sem ter nenhuma prova contra ele, sem ter nenhuma conta no exterior, sem ter nenhum real descoberto em algum lugar.

Os eleitores do Caiado gostam de dizer que ele tem couro duro. De tanto apanhar, o PT ficou com o couro mais duro?

O PT mostrou em sua trajetória que é capaz de aprender na caminhada, é um partido que nasceu pequeno, que foi se organizando, crescendo, participando, aprendendo na caminhada, aprendendo com os acertos e aprendendo com os erros. E eu sempre digo isso: não nos consideramos donos da verdade, até porque não somos donos da verdade. Se hoje parássemos aqui, teríamos deixado um legado de políticas públicas, de legislação, tudo que foi feito ao longo do tempo para atender a maioria do povo brasileiro.  Nossa missão só está começando.

 

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