Rússia 2018 | Futebol e Espionagem

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Fagner Pinho

O grupo G deve ser o que mais atrairá a atenção dos torcedores. Mas não só pelo futebol

No último dia 14 de março a primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, decidiu congelar relações com Moscou e expulsou 23 diplomatas russos do território britânico. O fato ocorreu como retaliação por parte do governo após o ex-espião russo Serguei Skripal e sua filha Iulia Skripal terem sido envenenados após um almoço em um restaurante em Londres.

O agente duplo acabara de ser condenado pela Justiça russa por espionagem a favor dos interesses britânicos, e, segundo o governo britânico, ele e sua filha foram envenenados com a substância tóxica A-234, em uma operação comandada pelo governo russo, que negou qualquer relação com o caso.

Com isso, a situação da chave G na Copa, deve ter um cunho político muito grande, uma vez que a Inglaterra – único País a fazer parte do Reino Unido que se classificou para a Copa – caiu. As atenções estarão voltadas para ingleses e, claro, dentro de campo, para a atuação da Bélgica, uma das favoritas deste torneio. Ah, o grupo ainda conta com Tunísia e Panamá, que correm sério risco de sequer serem notados.

Seleções do Grupo G

Bélgica

Cabeça de chave do Grupo G, a Bélgica chega a esta edição da Copa do Mundo com a impressão de que será a última chance de sua geração de ouro conseguir, finalmente, conquistar uma taça na competição. O mais perto que conseguir chegar disso foi em 1986, quando alcançou a semifinal no México.

Se aquela, até o momento, era considerada a geração de ouro da Bélgica, por contar com jogadores do quilate de Enzo Scifo, Franky van der Elst, Nico Claesen e Jan Celeumans, a geração atual conta com excelentes jogadores, tais como Kevin de Bruyne, Vermalen, Vertonghen, Kompany, Fellaini, Witsel, Dembelé, Eden Hazard, Mertens e Lukaku.

Trata-se de um time forte, principalmente do meio para o ataque, e, caso consiga formar verdadeiramente uma equipe e não somente uma junção de vários grandes jogadores, pode surpreender nesta Copa. Do contrário, amargará seu fim antes, ao menos, das semifinais que a geração anterior alcançou.

Panamá

Houve um tempo na qual a seleção panamenha de futebol era lembrada por ter, em seus quadros, um dos melhores atacantes do mundo na década de 1990. Aquela seleção do Panamá contava, em seu ataque, com o artilheiro Júlio César Dely Valdez, que jogou, dentre outros no Cagliari, no Paris Saint Germain, no Málaga e no Real Oviedo, sempre marcando muitos gols.

Hoje a realidade é diferente. Seu jogador mais conhecido no Brasil e no mundo é o zagueiro Baloy, o mesmo que participou do segundo rebaixamento da história do Grêmio. No mais, conta no ataque com dois velhos atacantes: Luis Tejada, com 36 anos, que atualmente joga no futebol peruano; e Blás Perez, de 37 anos, que atua no Municipal, da Guatemala.

A verdade é que o Panamá já conquistou sua taça ao se classificar para a primeira Copa do Mundo de sua história, ao vencer a Costa Rica com um gol marcado aos 53 minutos do segundo tempo, gol este que, de quebra, eliminou os Estados Unidos da Copa. Naquele dia, foi decretado feriado nacional. A Rússia é lucro!

Tunísia

Já se vão 12 anos desde a última vez que a Tunísia disputou uma Copa do Mundo. E a exemplo das participações anteriores, em 2002 e 1998, o os tunisianos não conseguiram sequer passar da primeira fase. Em todas estas participações, uma curiosa coincidência: em todas a Tunísia foi eliminada com um empate e duas derrotas.

Em 1998 a seleção caiu em um grupo no qual também enfrentaram a Inglaterra, além da Colômbia e da Romênia. A Tunísia jogou bem nos dois primeiros jogos, mesmo perdendo ambos – para Inglaterra e Colômbia. Naquele que jogou mal, por pouco não venceu a Romênia, líder do grupo. Final, empate em 1 a 1.

A expectativa é que os tunisianos voltem a vencer em uma Copa do Mundo, algo que não ocorre desde 1978, quando, na Argentina, eles surpreenderam o mundo empatando com os então campeões mundiais – a Alemanha Ocidental – perderam para a Polônia e venceram o México, por 3 a 1.

Inglaterra

Tradicionalíssima em Copas, a seleção da Inglaterra, tal qual a França, volta a disputar uma competição mundial em busca daquilo que a atormenta e a seus torcedores: provar que pode ser campeã mundial atuando fora de seus domínios – a última e única vez que venceu a Copa do Mundo foi em 1966, em casa.

Para isso o técnico Gareth Southgate chega à Rússia com um time com bons nomes, como os do goleiro Pickford e dos meias Henderson e Dier. Mas é no ataque onde a Inglaterra apresenta sua maior força. O time conta com nomes do quilate de Vardy, Sturridge, Rashford, Sterling e, principalmente, de Harry Kane.

É nos pés do atacante do Tottenham que vivem as maiores esperanças dos ingleses, que, chegam a esta edição da Copa do Mundo com uma das últimas gerações que não passaram por uma nova política de formação de jogadores implantado pela Football Association, que fez com que a Inglaterra se tornasse uma das maiores potências de base do futebol mundial nos últimos anos.

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