Carta ao leitor | O povo no poder

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Foto: Internet

O povo foi às ruas junto com os caminhoneiros nas últimas semanas e fez a diferença. Antes, o povo foi às ruas em 2015, em 2016, 2017, virando a política brasileira de cabeça para baixo. O povo tem força e tem poder. Mas o povo nem sempre é povo em movimento. Costuma ser povo acomodado.

Quando o povo se cala, se recolhe, se revolta para dentro de si mesmo, sem grito e sem ação nas ruas, tudo volta ao normal no País, e o normal é o povo como coadjuvante dos protagonistas políticos que fazem muito, só que fazem para si mesmo, e não para o povo.

Protestar contra a corrupção e contra o aumento contínuo do preço dos combustíveis é ato cívico e ato democrático. Vira teatro quando o protesto se consolida apenas da boca pra fora, nos grupos localizados onde o palanque é amplo, embora o alcance seja mínimo.

O povo é agente de seu destino quando tem pauta, tem motivação, tem sentido. Quando defende a lutar pelo que não compreende, ou quando levanta questão com base na superfície e na no fundo das questões, aí o povo confunde, aí o povo desanda. Por que ditadura? Para restaurar a democracia? Não há senso que explique o contra-senso.

Nas eleições de outubro, o povo poderá protestar e mostrar a que veio, desde que se levantou e foi às ruas. Poderá mostrar na prática o quanto quer mudar e que tipo de mudança pretende de fato. Pode ser que o povo esteja dizendo uma coisa, e faça outra. Mas, neste caso, o povo pouco terá a fazer. Talvez ir às ruas protestar contra si mesmo. Quem sabe lutar para mudar o povo, em vez dos políticos no poder.

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