Entrevista | “Daniel Vilela tem sido claro: com o PSDB, nem conversar ele vai”

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Fotos: Assessoria

Pedro Chaves – Deputado Federal

Fagner Pinho

Decidido a ser candidato ao Senado Federal após cinco mandatos consecutivos na Câmara Federal, o deputado federal Pedro Chaves (MDB) vem trabalhando para viabilizar sua postulação, ao mesmo tempo em que trabalha para o crescimento da pré-candidatura do colega de parlamento, Daniel Vilela, ao governo do Estado. Nesta entrevista concedida à Tribuna do Planalto, Chaves vê o PP, do ministro das Cidades, Alexandre Baldy, mais próximo – como um todo – de fechar apoio com o emedebista do que o PSD do ex-deputado federal Vilmar Rocha, que também mantém conversas com Daniel, mas que vê sua base de deputados se aproximar da pré-candidatura de José Eliton (PSDB). Além disso, ele defende que Daniel aproveite o período de hiato político em meio à Copa do Mundo para se aproximar ainda mais da população e tornar seu nome cada vez mais conhecido, para conseguir crescer nas pesquisas. Confira a entrevista completa…

Tribuna do Planalto – Quando o senhor conseguiu mais um mandato na Câmara dos Deputados disse que nesta eleição deste ano tentaria uma vaga ao Senado. O sr. mantém essa decisão?

Pedro Chaves – Sim. Já comuniquei ao MDB. No ano passado fizemos 17 encontros regionais do partido, eu participei de 14 encontros. Em todos eles eu coloquei nosso nome, a avaliação dos companheiros e houve aceitação bem positiva do nosso nome. Então, estamos trabalhando, visitando os municípios pela segunda vez agora já em 2018 e vamos aguardar só a convenção para que a gente possa confirmar a candidatura ao Senado.

Porque a decisão?

Eu tive um mandato de deputado estadual, estou no meu quinto mandato de deputado federal e me vejo preparado para assumir uma cadeira no Senado Federal. Conheço bem a tramitação dos projetos no Congresso Nacional e lá no Senado eu não tenho dúvida de que pelo conhecimento que a gente tem a gente pode ajudar muito nosso Estado de Goiás, os municípios goianos com essa representatividade no Senado Federal.

Hoje os que se apresentaram como pré-candidatos ao Senado pelo MDB, além do sr., também o ex-vice prefeito, Agenor Mariano. Certo?

São esses dois nomes.

Fotos: Assessoria

Mas o partido, na figura do pré-candidato Daniel Vilela, continua conversando com outros, oferecendo, por exemplo, espaço dentro da chapa majoritária?

Sim, o MDB continua conversando. Nós temos alguns partidos que estão praticamente alinhados conosco nesta eleição e tem dois partidos que Daniel já avançou muito nas conversações, que é o Partido Progressista, o PP, tem conversado muito com o presidente estadual, o ministro Alexandre Baldy, e com o presidente nacional, Ciro Nogueira.

Da mesma forma com o PSD, tem conversado bastante com o presidente nacional, que é o Gilberto Kassab, e tem conversado também com o Vilmar Rocha, que é o presidente estadual. Obviamente conversando também com os parlamentares, os deputados federais e estaduais que compõem esses dois partidos. Então, as conversas estão bem adiantadas, mas o que a gente observa neste momento é que todos os partidos estão conversando, todos conversando com todos, mas acredito que a decisão final só deve acontecer mesmo no período das convenções partidárias, que vão acontecer de 20 de julho a 5 de agosto.

Na última semana, a chapa de deputados estaduais e federais do PSD anunciou apoio à candidatura de José Eliton. Como fica essa negociação?

A gente percebe que Daniel tem conversado bastante com Vilmar Rocha e com Gilberto Kassab, mas também tem conversado com os deputados federais. E, claro, os deputados ainda não definiram. Todos eles estão dizendo que vão definir justamente no período das convenções. Tem parlamentar que, obviamente, demonstra simpatia por Daniel e tem aqueles parlamentares que demonstram simpatia pela candidatura da base. Então, vamos dizer, as conversações continuam e a gente espera que no final a gente consiga essas alianças.

O PP então se aproximou também?

O PP também. Daniel tem conversado muito com o presidente nacional, mas tem conversado também com os deputados, com o deputado Balestra, com o deputado Heuler Cruvinel, com o deputado Sandes Júnior. Então, as conversas não se encerraram, elas continuam acontecendo a pleno vapor em Brasília.

Dos dois partidos, qual hoje está mais próximo de Daniel Vilela?

Eu vejo que o PP é o partido mais próximo de Daniel, mas eu vejo também que existe possibilidade de aliança com o PSD. Mas, vamos dizer, a convenção que é a soberana. Ali, obviamente, o número de pessoas que vão votar na convenção é um número maior e vamos ver o que vai dar lá na frente.

Fotos: Assessoria

O deputado Daniel Vilela ultimamente tem tido dificuldades de manter em voga o discurso de oposição dentro do Estado, até por algumas declarações de Maguito Vilela. O MDB perdeu essa posição de ser a cabeça da oposição? Caiado “roubou” essa situação do MDB?

Não, eu vejo Daniel muito claro, muito decidido em suas colocações em todas as reuniões que participa. Então, ele sempre colocou que o MDB é oposição ao governo do Estado e não existe possibilidade de aliança. Então, Daniel tem sido muito claro nessas colocações. Essas outras interpretações, muitas vezes, algum membro, o partido é muito grande, obviamente, você vai encontrar líderes, prefeitos, ex-prefeitos que podem se manifestar diferente, mas o presidente estadual, que é o deputado Daniel Vilela, tem sido muito claro de que é impossível o MDB aliar com o PSDB. São os partidos de oposição aqui no Estado de Goiás, como sempre fomos nas eleições anteriores.

Foi um ato falho de Maguito?

Eu vi a entrevista dele. O ex-governador Maguito fala de uma forma geral de conversar, mas em nenhum momento eu vi na fala dele que o MDB iria aliar. Ele falou que todos os partidos tinham que conversar. Mas o deputado Daniel tem sido claro: com o PSDB nem conversar ele vai.

Em relação à possibilidade de crescimento de Daniel, como o MDB acompanha isso? Ele pode decolar?

É difícil decolar agora porque Daniel é o menos conhecido dos pré-candidatos. Grande parte da população goiana não conhece Daniel Vilela. Por isso ele tem andado muito no interior do Estado e tem feito um trabalho gigantesco para levar seu nome, e à medida que as pessoas vão conhecendo ele vai ganhando simpatia. Então, a gente sabe que crescer neste momento agora é difícil, porque estamos nesse vácuo. Nós tivemos no ano passado os encontros regionais, depois tivemos esse período para as filiações partidárias que encerrou dia 7 de abril, e esse período de 7 de abril até as convenções fica um, vamos dizer, vazio político. Então, Daniel está preenchendo esse tempo fazendo inúmeras visitas ao interior do Estado, tem visitado bastante. Então, com isso, a tendência é crescer, mas é impossível você ter um crescimento se ainda não tem seu nome conhecido no Estado todo.

O sr. acredita que Ronaldo Caiado deve perder alguma porcentagem nas próximas pesquisas?

É difícil fazer uma avaliação nesse sentido. O que a gente tem feito, sem olhar a questão dos outros partidos, é o fortalecimento do grupo do MDB e o deputado Daniel se tornar mais conhecido. Ele tem feito isso, como eu disse, visitando os municípios do interior, participando de várias ações aqui em Goiânia, divulgando seu nome e o que a gente percebe é que a medida que ele vai se tornando mais conhecido, a tendência, obviamente, é seu nome aparecer melhor situado nas pesquisas.

“Grande parte da população goiana não conhece Daniel Vilela. Por isso ele tem andado muito no interior do Estado”

Voltando à questão da chapa majoritária, além das duas vagas também tem a vaga para vice-governador. Hoje, Daniel Vilela conversa com o vereador Jorge Kajuru, que tem demonstrado essa possibilidade de ser candidato ao Senado, e também existe conversas com a senador Lúcia Vânia. Existe possibilidade de fechamento com esses dois nomes ou acha mais difícil?

Tudo depende do que vai acontecer nas convenções partidárias. Nós temos a vaga de vice, que está aberta, temos também conversado com outros partidos. Eu vejo que havendo a aliança com partidos de médio e grande porte há a possibilidade de compor dentro da chapa majoritária.

Fotos: Assessoria

Lúcia Vânia é um bom nome?

Sim, a senadora Lúcia Vânia é um nome de peso, todos nós reconhecemos isso. O PSB, que é presidido por Lúcia Vânia, é um partido que tem que ser considerado por qualquer coligação.

Há desgaste após 20 anos do grupo político do governador Marconi Perillo no poder?

Ah, sim, sem sombra de dúvidas. O que a gente percebe é que existe um certo desgaste, o que chamamos de fadiga de material na Engenharia. Mas existe sim esse desgaste, a gente percebe no interior do Estado que a população clama, quer mudança, quer mudança nas práticas políticas, quer mudança na forma de gestão. Isso aí é bem claro para todos nós que andamos no interior do Estado e aqui também, em Goiânia, a gente percebe isso. Então, a alternância e a mudança estão muito cristalina em todos os encontros que a gente promove, que a gente participa.

Como o MDB pode tirar proveito disso?

Justamente apresentando propostas diferentes, alternativas, com novas propostas, e o deputado Daniel está buscando, com um grupo de apoio, elaborar um plano de governo bem diferente, outra linha do que é executado atualmente no Estado de Goiás. Então, não adianta você falar em mudança e continuar com as mesmas práticas políticas.

Ele não poderia já ter apresentado isso?

Não, porque a legislação eleitoral estabelece o prazo para que os partidos, as coligações, apresentem seus planos de governo registrados no Tribunal Regional Eleitoral. Mas ele está colhendo dados, tem vários subsídios já e já tem um esboço preliminar.

Existe previsão?

No momento que a legislação eleitoral estabelecer, ele vai apresentar o plano de governo.

Como o sr. acompanhou, sendo um MDB há bastante tempo, a reação de prefeitos de apoiar a candidatura do senador Ronaldo Caiado?

Tivemos algumas reuniões antes do mês de abril, tivemos reuniões no mês de fevereiro parece, início de março, e nós pedimos a eles que aguardassem até as convenções, esperar dar um tempo para que Daniel pudesse apresentar seu trabalho, mas o MDB é um partido muito grande, existem muitas opiniões e é difícil você ter uma ideia única dentro de um partido do tamanho do MDB. Mas estamos fortalecendo o grupo, com os prefeitos e as lideranças que ficaram no partido, que continuam no partido, e a gente tem percebido esse, vamos dizer, fortalecimento da pré-candidatura do Daniel.

Mas eles foram muito precipitados?

É, eu acho que poderia esperar mais, até disse a eles que poderia esperar até o mês de julho, época das convenções, mas cada um pensa de uma forma. Então, eles entendiam que tinha que resolver antes do período das filiações partidárias para que pudesse formatar a chapa de candidatos a deputado estadual e federal. Mas a decisão foi tomada e não tem mais o que fazer.

O apoio dessas lideranças regionais, que são os prefeitos de grandes cidades e importantes cidades, não atrapalha?

Claro, qualquer liderança que a gente perde, obviamente ninguém quer perder liderança, acaba atrapalhando parcialmente a candidatura. Mas mesmo nessas cidades o MDB está com candidatos a deputado estadual e deputado federal, em algumas delas. Então, vamos dizer que mesmo perdendo alguns líderes, o MDB não foi exterminado nessas cidades. Outras lideranças estão se prontificando a trabalhar a candidatura do deputado Daniel.

O sr. é a favor da expulsão dos prefeitos?

Quem está analisando é o Conselho de Ética, mas na minha opinião a expulsão dos prefeitos do MDB é um ato muito extremo, mas isso aí o Conselho de Ética que vai analisar, junto com a Executiva. Vai dar oportunidade de defesa também para eles e como está no Conselho de Ética, vamos aguardar o Conselho vai se pronunciar.

Não existe possibilidade de composição com a candidatura do senador Ronaldo Caiado neste primeiro turno?

Eu vejo com muita dificuldade. Não vou afirmar categoricamente porque a decisão passa pela convenção estadual, mas eu vejo que com a participação do deputado Daniel, com as visitas que ele está fazendo, com a mobilização que está acontecendo no interior, eu vejo que é muito difícil o recuo da candidatura dele neste momento.

Qual a sua avaliação que o sr. faz da gestão do prefeito Iris Rezende?

O prefeito Iris, com a experiência que ele tem, obviamente pegou a Prefeitura com muita dificuldade, estes dois últimos anos também de recessão econômica, mas ele com a sabedoria administrativa que tem está conseguindo vencer esses grandes desafios e a gente já esperava isso, que ele, com a experiência, saberia conduzir o destino de Goiânia.

Essa dificuldade pode atrapalhar a candidatura de Daniel Vilela?

Não, eu vejo que ele vai ajudar. Ao contrário, a administração dele vai ajudar a candidatura do deputado Daniel. Ele está conseguindo vencer esses desafios e não tenho dúvidas de que o apoio dele é fundamental para qualquer candidatura, tanto para governo quanto para Senado e de deputados.

“Quem está analisando é o Conselho de Ética do nosso partido, mas na minha opinião a expulsão dos prefeitos do MDB é um ato muito extremo”

Algum da região do Entorno do Distrito Federal?

Da região do Entorno, sim. Temos dois pré-candidatos do Entorno.

Quem são eles?

O dr. Lucas, que é um médico da cidade de Águas Lindas, e tem o Bernardo Sayão Neto, que é um candidato bem-conceituado na região. Tem esses dois candidatos a deputado federal do Entorno. E no Estado nós estamos com aproximadamente sete a oito candidatos, hoje. Mas vamos passar das dez candidaturas. Então, a gente quer ter um número bem significativo de candidatos para poder eleger pelo menos três deputados federais.

E a chapa para estadual?

A estadual está bem mais robusta, nós temos aí aproximadamente quase 40. Desses, grande parte, acredito que entre 25, 30 candidatos com potencialidade de eleição. Então, a chapa do estadual, até pelo fato de o deputado estadual representar ali a sua cidade ou a sua região, nós conseguimos com mais facilidade as candidaturas a estadual. Então vejo que nossa chapa a estadual não tem nenhum reparo a ser feito.

Nacionalmente, Daniel Vilela pode esperar o quê do governo federal para ajudar dentro dessa pré-campanha?

Bom, o governo federal não tem muito o que fazer, dessa pré-campanha o trabalho tem que ser feito todo ele, conduzido pelo deputado Daniel. O governo federal praticamente não tem nada a somar neste momento na campanha de Daniel.

Neste momento é inimigo?

É, tem os problemas nacionais. Mas então Daniel está focando e trabalhando com suas próprias pernas, vamos dizer com suas próprias forças.

O presidente Michel Temer acertou ou errou lançando o nome de Henrique Meirelles?

Não, eu acho que foi acerto. Henrique Meirelles é um nome muito conceituado no Estado de Goiás, muito conceituado no Brasil, preparadíssimo. Ele, em duas oportunidades, conseguiu recuperar a economia nacional e eu vejo que é um excelente nome para governar nosso País.

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