Festival em Goiás resgata o secular carnaval de Veneza

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Foto: Divulgação

Baile de máscaras que será realizado no próximo dia 9 de junho (sábado), durante o Festival Italiano de Nova Veneza, será aberto ao público. Evento remonta tradição que nasceu na Itália no fim do século 11, e diferente da festa que é celebrada no Brasil, cujas manifestações nascem principalmente da mobilização popular, o carnaval veneziano reproduz o estilo de vida dos nobres

Se o carnaval brasileiro é conhecido no mundo inteiro por sua intensa alegria, danças, músicas, brilho e cores, na Europa, na Itália mais especificamente, um outro carnaval também traz muito brilho e suntuosidade, mas de um jeito diferente. O carnaval de Veneza é muito mais antigo do que se pensa, seu primeiro registro data de 1094. A festa foi instituída pelo doge Vitale Falier, governante da antiga República de Veneza. Proveniente de uma poderosa e rica família veneziana, Falier propôs que antes do início da Quaresma, a população tivesse direito a usufruir de um período de jogos, brincadeiras e diversão pública.

Foto: Francisco Andrade

A ordem era diversão e os venezianos, considerados tradicionalmente sérios e contidos, aproveitavam o período festivo para liberar-se. Com a euforia do carnaval, as pessoas abandonavam a própria identidade e se sentiam livres, pelo menos durante  um período do ano, para ser como queriam. Daí vem o anonimato fornecido pelas máscaras, que com o passar do tempo se tornaram uma atração à parte no Carnaval de Veneza.
Essa tradição milenar é mantida ainda nos dias de hoje e atravessou o Atlântico, desembarcando na cidade goiana de Nova Veneza, que recebe no próximo dia 9 de junho (sábado) um baile de máscaras. O evento aberto ao público integra a programação da 14ª edição do Festival Italiano de Nova Veneza e será realizado na Praça da Matriz. A animação do baile ficará por conta da banda Raizes de Veneza, formada há mais de 25 anos, por 12 integrantes naturais da cidade de Nova Veneza. O grupo irá tocar marchinhas tradicionais do carnaval brasileiro, só que em italiano.

De acordo com Hermione Stival, presidente da Associação Pró-Festival Italiano (Afest), o baile de máscaras é um momento bastante divertido e lúdico do evento. “É uma em que nos vestimos e nos inserimos em uma realidade de muitos séculos atrás. É uma experiência fascinante e envolvente”, revela.

Diferente do carnaval brasileiro, cujas manifestações nascem principalmente da mobilização popular, o de Veneza reproduz o estilo de vida dos nobres que viveram nos séculos 17 e 18. A festa também faz muitas referências a personagens da Commedia Dell’Arte, representações teatrais muito comuns na Itália e por toda a Europa do século 16 até a metade do século 18.

De sua origem no final do século 11, até o fim do século 13, sempre foram as famílias ricas que promoviam o carnaval de Veneza. Mas foi em 1296, que o Senado veneziano formalizou a festa, com um decreto que declarava que o último dia antes da Quaresma fosse festa. A população, porém, já começava a comemorar meses antes, em dezembro. A oficialização do evento trouxe consigo uma série de usos, costumes, além de caracterizá-lo como um verdadeiro business. Nesta época já existiam, por exemplo, as escolas ou confrarias dos “mascareri”, ou seja, os artesãos que produziam as máscaras e fantasias para os foliões.

 

Máscaras

Naquela época, as máscaras não só garantiam um total anonimato, mas funcionavam como uma espécie de nivelamento das divisões sociais, servindo também para dar vazão às tensões e brigas que se criavam na sociedade por causa dos rígidos limites impostos pela moral e pela ordem pública da República de Veneza.

De acordo com historiadores, as máscaras de Veneza faziam parte da rotina dos cidadãos, até que foram proibidas por  dificultar a identificação de criminosos.Por isso os venezianos começaram a utilizá-las só em tempos de carnaval e nas festas. E são elas, a principal marca do Carnaval de Veneza.

Durante o Festival Italiano de Nova Veneza, os interessados em participar do evento podem adquirir as máscaras nos stands de artesanato – que serão montados no evento. Cada máscara custará entre R$ 15,00 e R$ 20,00.

 

Resgate da tradição

A queda da República de Veneza, com a invasão do exército do imperador Napoleão Bonaparte, em 1797, marcou não só o fim do carnaval de Veneza, mas transformou profundamente a cidade. Com medo do anonimato e da liberdade que a festa oferecia, o ditador decretou seu fim, permitindo sua realização  somente em casas privadas e nas ilhas de Murano, Burano e Torcello.

Somente dois séculos depois, mais precisamente no ano de 1979, que o carnaval de Veneza voltou. Um grupo de cidadãos, por meio de associações ressuscitou o carnaval, saindo nas ruas com fantasias, jogos, máscaras. As autoridades públicas passaram dar atenção à volta do carnaval e a investir no incentivo de manifestações e festas.

Hoje o Carnaval de Veneza atrai foliões do mundo inteiro, curiosos em participar da festa como protagonistas ou somente observadores. A Praça de São Marcos, tradicional palco do carnaval, é invadida pelo povo e por turistas, enquanto a elite se refugia nas majestosas mansões e nos castelos do Gran Canale, onde ocorrem também requintadas celebrações, nas quais não faltam champanhe do mais caro e as orquestras mais refinadas.

Os integrantes das altas camadas sociais ocupam os salões de festas dos luxuosos hotéis de Veneza, ornamentados com motivos extraídos de trechos das óperas de Verdi. Eles bailam ao som de valsas, tarantelas e nos últimos anos, com maior frequência, ao ritmo do samba brasileiro.

Exposição fotográfica

Para aqueles que quiserem conhecer um pouco mais sobre o carnaval de Veneza e a sua tradição de máscaras, o Festival Italiano de Nova Veneza convidou o fotógrafo paraibano Francisco Andrade para realizar um momento de bate-papo com os visitantes, no próximo dia 9, sábado. Ele é autor do livro a Cenas Venezianas, que fala sobre Carnaval de Veneza.

A publicação deu origem a uma exposição de fotografias que irá integrar a programação cultural do evento. O livro de Francisco Andrade retrata as experiências que vivenciou durante os quatro anos em que viveu na Itália.

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