Vassil Oliveira: Briga no Senado vai definir jogo para o governo

0
1238

Cenário é: Senado define governo, e não governo define Senado

Eleição para Senado começa a ser determinante para o embate pelo governo. É por onde passarão as alianças

Vassil Oliveira

Clique para ler em PDF

A pesquisa Exata OP/Tribuna não esgota o assunto, ou seja, não é a fotocópia do boletim da urna, com o resultado final, consolidado. Ela mostra exatamente o contrário: que a disputa está aberta. Na semana passada, a Tribuna mostrou exatamente isso, sem números, com fatos e uma leitura desses mesmos fatos.

Somando tudo, temos uma disputa indefinida. Em andamento, ela passará por processos de tensão natural, afunilamentos e, a partir de agosto, um ‘corredor polonês’: a campanha oficial, com os candidatos definitivos, porque já então terão deixado de ser pré-candidatos, o que são hoje. Pré-candidatos de um jogo em andamento.

Pesquisa mostra eleição aberta

A aflição dos militantes e de eleitores costuma fazer crer que uma eleição só precisa de pesquisa, não depende do desempenho das equipes de campanha. Se hoje um nome está em evidência, amanhã poderá não estar não exatamente porque a pesquisa errou, mas porque os fatos mudaram, alguém trabalhou mais e melhor, uma desvantagem foi vencida.

Em sua edição da semana passada, a Tribuna mostrou, sem números, com fatos e uma leitura, que a disputa está aberta

Desde que Caiado foi lançado pré-candidato, as cobranças sobre ele, por exemplo, são frequentes. A Tribuna tratou disso algumas vezes. Ele vai conseguir manter o apoio de tantos partidos, mais de 10, ao seu lado? Vai superar o chamado ‘teto’, que está no índice de 35% a 40% das intenções de voto, que historicamente atinge mas não ultrapassa?

Daniel saberá superar as barreiras dentro do MDB para se firmar no pleito? Vai sair das cordas, onde está desde que se consolidou uma dissidência dentro da legenda? Será afetado pela má avaliação do presidente Michel Temer? Conseguirá o apoio do PP, para formar chapa competitiva?

E o governador José Eliton, terá habilidade suficiente para manter unida uma base aliada ampla e heterogênea? Ou será atropelado pela reorganização dos agrupamentos de poder no Estado? Arranjará discurso e força suficiente para não sucumbir ao desgaste de 20 anos de poder do grupo que representa, liderado pelo ex-governador Marconi Perillo?

E têm ainda o PT e o Psol no jogo. Partidos menores, em maior desvantagem no momento, porém vivos e jogando. Jogando pra ganhar. PT que tem Lula. Psol que tem Guilherme Boulos. Kátia Maria e Weslei Garcia se mexem não como quem quer marcar presença, mas como quem quer vencer.

E por que seria diferente? E por que negligenciar a força de ambos, ainda mais se considerarmos que a disputa pode ter segundo turno, quando outras alianças serão feitas, quando, é possível dizer, uma outra eleição será disputada? Nada está perdido. Nada pode ser desconsiderado.

Somando tudo, temos uma disputa indefinida. Em andamento, ela passará por mais processos de tensão

Com tudo isso em foco, é possível dizer que a eleição traz um elemento extra como bagagem adicional na tradicional disputa pelo poder no Estado. Se antes a eleição para governador era determinante para os candidatos ao Senado, desta vez a eleição para senador será crucial para o embate pelo governo.

Neste momento, a eleição goiana é tratada como um plebiscito do ‘tempo novo’ de Marconi Perillo, que quer uma vaga de senador. E a montagem da chapa majoritária do governo é estratégica para se medir o tamanho da força aliada e, por extensão, o da oposição.
José Eliton governador, Marconi e Lúcia candidatos ao Senado significa, talvez, que PSD, PP ou PTB sobrem (ainda tem a vice), e que, sobrando, busquem espaço ao lado de Caiado dou Daniel. Daniel com o PP e/ou PSD, e até com o PTB, é um candidato – tem mais perspectiva de poder –; sem qualquer deles, é outro – um nome só em um partido grande, mas também isolado.

Caiado com qualquer dessas legendas, na visão de aliados e emedebistas, pode até se tornar imbatível, com possibilidade de vitória no primeiro turno. E ainda que fique como está em termos de aliança, e mantenha a intenção de voto no ponto em que está, seu favoritismo persistirá para além das convenções – por si só, outra vitória sobre o ceticismo dos que acreditam que seu fôlego acabará em julho.

A pesquisa é boa informação para o eleitor não se perder no fogo cruzado dos nomes que já estão no jogo e dos que ainda surgirem. A Tribuna continuará mostrando o ‘retrato de momento’ tanto com índices quanto com fatos e análises. Para que ganhe não este ou aquele, mas você, leitor. E Goiás, sempre.

Leia também: Análise Altair Tavares – A insistente indefinição

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here