Entrevista | Educação com foco no estudante

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Zenilde Teixeira – Superintendente Executiva de Educação

Fabiola Rodrigues e Manoel Messias Rodrigues

Ela ocupa o cargo que é uma espécie de pararaio na Secretaria Estadual de Educação, a Superintendência Executiva de Educação, onde chegam as demandas oriundas das escolas e que não foram resolvidas pelas instâncias locais e regionais da estrutura burocrática do estado. Mas não apenas isso, é lá também que são formatados e executados os principais programas da área de educação do estado, como o Goiás Enem. Pedagoga e professora de Língua Portuguesa, Zenilde Maria Teixeira conhece bem a Secretaria de Educação, onde trabalha há mais de 20 anos e, por último, ocupava o cargo de chefe de Núcleo de Apoio às Regionais de Educação, portanto está bem familiarizada com as demandas e soluções dos problemas. O cargo que ela ocupa desde o dia 17 de maio ficou vago com a nomeação de Marcos das Neves para secretário de Educação, portanto não é exagero dizer que ela é o número 2 da secretaria. De respostas rápidas e demonstrando gratidão pelo reconhecimento de seu trabalho, a superintendente fala sobre o andamento dos principais projetos nessa reta final da atual gestão do Governo estadual, sobre as melhorias na qualidade da educação e sobre o currículo que está sendo preparado no estado para por em prática a nova base nacional comum curricular da educação infantil e ensino fundamental.

Tribuna do Planalto – Quais as principais atribuições da Superintendência Executiva de Educação da Seduce?

Zenilde Maria Teixeira – É um cargo relativamente novo na estrutura da secretaria e cuida de todas as atribuições da área da educação, assim como tem o equivalente na área da cultura e do esporte na mesma secretaria. A Superintendência Executiva faz a integração das demais superintendências na área de educação, que são de Ensino Médio, Fundamental, Pedagógica etc., porque todas as superintendências têm suas atividades que, no todo, formam a Superintendência Executiva de Educação. Para a escola, todos os projetos educacionais que temos hoje em execução que foram criados nessa gestão partiram da Superintendência de Educação. Aí podemos citar o programa Aprender +, o Enem Express, o Goiás Enem e, por último, o Goiás + Enem na TV.

Quais as metas, já que se trabalha com calendário até o final do ano?

A minha meta é fortalecer, fomentar todas as atividades da Superintendência de Educação, que já conheço tão bem, porque já trabalhava na estrutura da secretaria como chefe de gabinete do superintendente Executivo Marcos das Neves e depois como chefe do Núcleo de Apoio às Regionais de Educação. Portanto, continuei na estrutura e, por isso, já com bem mais possibilidade de chegar às escolas, às coordenações, porque já estava trabalhando diretamente com os coordenadores regionais. Como chefe de Núcleo, consegui agregar mais às ações e atividades com os coordenadores. Então por isso sou hoje uma superintendente de Educação que sabe exatamente todas as problemáticas, as minúcias das coordenações regionais, que trabalham diretamente com as escolas, porque trabalhamos em rede colaborativa, em cadeia. Por isso, em grande parte darei continuidade a projetos que participei desde o começo.

Quais os principais tipos de problemas que chegam à Superintendência Executiva?

De natureza mais variável possível, porque na Superintendência de Educação é onde chegam os problemas que não tiveram solução à medida que vieram caminhando, passando por suas superintendências. Mas hoje temos uma estrutura na secretaria, após as reformulações, bem melhor do que no início do mandato, porque foram criados núcleos dentro da Executiva, como o Suporte de Inspeção Escolar e o Núcleo de Apoio Direto às Regionais, que antes não tínhamos.

“Estamos aqui por causa do aluno, a gente trabalha para o aluno”

E as soluções saem rapidamente?

Por ser de carreira, trabalho há mais de 20 anos na educação, fui secretária de escola, diretora, inspetora escolar, trabalhei de assessoria numa coordenaria regional grande, tenho toda essa experiência do pé lá no chão da escola. Então, com toda essa experiência, quando a demanda chega aqui, eu não tenho essa preocupação de tratar, por exemplo, só da parte operacional ou administrativa. Eu já via isso e agora tenho até mais condições de entender o que as pessoas estão falando e tentar resolver rapidamente e as pessoas percebem isso. Então essa experiência me ajuda muito.

A luta contra a burocracia, que muitas vezes dificulta e mesmo impede respostas rápidas, tem avançado na Seduce?

Essa é uma grande preocupação e uma das características do professor Marcos das Neves como superintendente Executivo: muito rápido. Tudo que ele falava já era pra ser resolvido. Por isso, temos definido que chegando aqui o processo, no máximo em dois dias a gente já tem de ter olhado e deve dar uma resposta. A luta contra a burocracia, buscar ser mais ágil, é uma preocupação pessoal minha, onde eu trabalhar, porque somos funcionários públicos pagos para trabalhar e não tem por que fazer diferente. Mas infelizmente em determinadas situações há prazos que precisam ser cumpridos, como em licitações, mas o que a gente possa resolver na Superintendência Executiva, a gente resolve, porque essa é uma marca da gestão do professor Marcos das Neves enquanto superintendente Executivo e que eu faço questão que a gente continue nessa linha.

“Todo o material utilizado no Goiás Enem é produzido pelos nossos professores”

Toda a estrutura e ações têm conseguido o objetivo principal, que é oferecer educação de qualidade?

Esperamos que sim, porque estamos aqui por causa do aluno, a gente trabalha para o aluno. Isso é uma premissa. Claro que tem toda uma estrutura, professores, funcionários, mas o nosso foco é o aluno e não tem como ser diferente. Então toda essa estrutura serve para que tenhamos uma educação de melhor qualidade.

Como estão os resultados das avaliações da educação em Goiás?

Temos as avaliações internas e externas. No Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), teremos o resultado no segundo semestre. Os resultados do Saego (Sistema de Avaliação Educacional do Estado de Goiás) de 2017 mostraram um crescimento significativo em Matemática, que estava decrescente, e em Língua Portuguesa, mas Matemática surpreendeu mais, em todas as séries que foram avaliadas. Acreditamos que isso ocorreu porque fizemos atividades bem específicas lá na escola, inclusive com autoria do professor Marcos, da Superintendência Executiva de Educação e a Superintendência de Gestão Escolar, que possibilitou esse resultado pontual em Matemática. Então foi algo trabalhado lá na escola, atacando onde foi entendido que estaria o problema. E fizemos isso com auxílio da Avaliação Dirigida Amostral, que é o antigo diagnóstico, que coloca a nota do aluno no sistema e a gente já sabe exatamente onde está o problema onde o aluno não conseguiu a proficiência, a habilidade que a gente precisa trabalhar. Com esse diagnóstico, a gente faz a interferência lá imediata. O diagnóstico nos dá a indicação do problema para a gente tentar melhorar antes para, quando chegar no final, ter um resultado melhor.

Como está o resultado do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica)?

Traçamos uma meta um pouco ousada, acima da meta do Brasil, mas pela nossa previsão, tendo em vista os resultados do Saego, a gente está com muita esperança de alcançar, embora a gente tenha o Espírito Santo que está competindo diretamente conosco.

Como ficam agora programas como Goiás Enem, do qual o secretário Marcos das Neves é entusiasta e percorria o estado divulgando e incentivando a participação dos estudantes?

O Goiás Enem começou apenas na região metropolitana, Goiânia, Aparecida, Trindade, Anápolis, com poucas turmas. Este ano, foi ampliado para 200 pontos, algo bem ousado. Como superintendente de Educação, o professor Marcos participava ativamente, ia nos encontros, até porque ele veio dessa área, foi professor de cursinho. Então era algo natural. Mas a secretaria tem toda uma estrutura que dá suporte ao programa, que é executado por professores da nossa secretaria, utilizando o material estruturado. Agora, mesmo não podendo ir tanto, devido às atribuições como secretário, ele permanece acompanhando, coordenando, avaliando, conferindo o material, os fóruns, as aulas.

E como tem sido a receptividade ao programa?

Tanto no Goiás Enem como no Goiás + Enem na TV as aulas são ministradas por professores da nossa rede. E isso é uma marca da atual gestão, da gestão da professora Raquel Teixeira: todo o material utilizado é produzido pelos nossos professores, não contratamos assessoria nem compramos material de fora. É tudo produção nossa, dos nossos professores. E temos a preocupação de não deixar as aulas repetitivas, cada dia é como se fosse a primeira aula. E a gente tem tido uma avaliação muito boa.

Isso naturalmente diminui gastos…

Também. Certamente é um gasto a menos, mas isso aproximou mais a secretaria do professor, a gente chegou mais perto da realidade lá. Porque a gente conseguiu contextualizar, chegar aos professores, tanto que não tem rejeição quanto a material, não é nada que a gente está impondo, ele chega pra agregar, ajudar o professor. Como ele é produzido pelos professores, isso também ajudou, esse foi o diferencial, não apenas a questão da economia.

Como está o processo de implantação da nova Base Nacional Comum Curricular da educação fundamental em Goiás?

Agora estamos na fase de construção, de definição do currículo propriamente, para chegar nos conteúdos comuns. A não trabalha com a ideia de que tenha uma base comum da rede estadual ou uma da rede municipal ou da rede particular, é uma construção coletiva a muitas mãos. A gente trabalha com uma base comum em Goiás para Goiás. Então existe um grupo trabalhando, que tem representante da Undime (União dos Dirigentes Municipais de Educação), das escolas particulares, as instituições de ensino superior, coordenado pela professora Raquel Teixeira, temos nossa equipe de professores coordenadores, os professores redatores. Acredito que até setembro o documento já esteja recebendo o formato final, tivemos os encontros regionais, mas estamos num ano atípico, devido à Copa do Mundo de Futebol, eleição para diretores, eleição político-partidária.

“Toda a rede, os educadores estão conscientes de que temos que discutir as relações interpessoais, emocionais”

As competências socioemocionais terão espaço no novo currículo?

A gente já desenvolve q esse trabalho em Goiás, que é pioneiro, é o estado que está mais estruturado nessa questão. Por meio dos “Diálogos socioemocionais”, a nossa rede já trabalhava desde 2015 levando isso para a escola, para o professor desenvolver com os alunos. No próprio caderno do Aprender + já tem o material que foi construído por nossa equipe e pelo Instituto Ayrton Senna. Além disso, as habilidades socioemocionais são contempladas de modo geral no projeto de educação integral, que é forte em Goiás. A educação integral já contempla esse aspecto ao prever o projeto de vida do estudante, quando a gente trabalha com os alunos o protagonismo juvenil.

Mas agora há um aprofundamento nessa questão…

Sim, agora a secretaria está trabalhando com material didático estruturado, em mais de 140 escolas, as demais a gente já vem trabalhando com os projetos existentes da própria secretaria, como o projeto Aprender +, com as atividades da formação da própria secretaria, mas esse outro, que é um trabalho mais focado, fica com a parceria do Instituto Ayrton Senna.

E qual o objetivo?

Apesar de não ser uma novidade, o trabalho das habilidades socioemocionais muitas vezes enfrenta dificuldade de entendimento, por isso trabalhamos essas questões. Hoje estamos vendo muito jovens desestruturados, casos extremos de suicídio, mutilações… Então, as habilidades socioemocionais virão junto com todas as outras ações que a secretaria tem para desenvolver a educação integral, que não se confunde com o projeto escola de tempo integral, pode ocorrer em escola de tempo parcial. E o grande objetivo é formar jovens e adolescentes socialmente e emocionalmente saudáveis. Isso evidentemente contribui para o aprendizado acadêmico e pela paz social.

Independentemente dos programas, cada diretor lá na sua escola tem autonomia para trabalhar as habilidades socioemocionais?

Sim e eles já fazem isso. Temos muitos projetos interessantes espalhados pelo estado, muitas atividades sendo desenvolvidas que envolvem as habilidades socioemocionais. Toda a rede, os educadores, formadores, todos estão conscientes de que temos que fazer alguma coisa, não ficar apenas na questão da aula estruturada, mas avançar, discutir as relações interpessoais, emocionais.

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