Viagem aos confins do Universo

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Maria José Rodrigues Maria José Rodrigues

A partir de telescópio instalado no teto do Instituto Federal de Goiás, estudantes e público em geral podem observar astros como os anéis de Saturno e Urano

Foi numa noite estrelada de natal, em 2016, que o mundo perdeu uma de suas principais pesquisadoras em astrofísica e mecânica quântica. Aos 88 anos, encerrava a sua história neste planeta a astrônoma norte – americana Vera Rubin, que teve sua vida marcada por diversos feitos pioneiros.

Entre eles consta o fato de ter sido a primeira mulher a utilizar os instrumentos do Observatório de Monte Palomar, na Califórnia, para suas pesquisas. Isso aconteceu em 1965, época em que era terminantemente proibido o acesso feminino ao local.

Mas, embora o trabalho de Vera Rubin tenha revolucionado a astronomia, ela, a exemplo de outras tantas mulheres que dedicaram a vida à ciência, nunca recebeu da comunidade científica um reconhecimento à altura de seu legado.

Foi com essa intenção, de fazer justiça a esse importante legado, que surgiu a ideia de batizar o Clube de Astronomia do Instituto Federal de Goiás (IFG), campus Goiânia, com o nome de Vera Rubin.

“A maior parte do universo é feito de matéria invisível e foi ela quem descobriu esse fato, nos anos 1970. Muitas pessoas, inclusive, acham que ela deveria ter recebido o Nobel de Física”, comenta João Marcos de Oliveira Cardoso, idealizador do projeto.

Criado em março deste ano, o Clube promove encontros semanais, alternando entre palestras às quintas-feiras e observações do céu às sextas, sempre a partir as 18 horas. Entretanto, como está em trâmite a proposta de transformá-lo em projeto de extensão, até agosto a programação estará restrita aos eventos de observação.

Para participar, João Marcos diz que basta comparecer ao local (Rua 75, Setor Central, antiga Escola Técnica de Goiás). A entrada é gratuita, mas o estudante orienta que os interessados cheguem com certa antecedência para garantir seu lugar. Nas palestras é possível participar até 80 pessoas, mas na observação esse limite cai para 30, já que elas são realizadas em um lugar de difícil acesso: o próprio teto da instituição de ensino.

“Esse foi o melhor local que encontramos para montar o telescópio, pois infelizmente ainda não temos um local apropriado para essa utilização”, explica João Marcos.

Segundo o estudante, o equipamento que permite contemplar bem mais de perto as belezas e os mistérios do Universo é o Cassegrain Catadióptrico 280 mm, da marca Celestron. Na prática, o telescópio oferece ao público a oportunidade ímpar de observar, em detalhes, as crateras da lua, as fases de Vênus, as listras e manchas de Júpiter, os anéis de Saturno e Urano, além de Netuno e Marte e a nebulosa de Órion.

Escolas

Como o projeto é voltado para a divulgação da astronomia, João Marcos diz que, a partir do segundo semestre, uma de suas metas será ampliar a abrangência do projeto com uma maior participação de crianças e jovens. Trabalho que incluirá o envolvimento das instituições de ensino, em especial da rede pública.

“O meu desejo é que os alunos das escolas públicas possam ter a mesma chance que eu tive de conhecer a astronomia, uma área cada vez mais apaixonante”, diz.

João Marcos destaca que o projeto é aberto a qualquer professor que tiver interesse em participar com seus estudantes, bastando apenas entrar em contato com o Instituto de Física do IFG.

Quem foi Vera Rubin

Chamada por muitos de “rainha das galáxias”, a astrônoma norte-americana Vera Rubin nasceu em 1928 e faleceu em 2016, aos 88 anos. Como legado, deixou 144 pesquisas publicadas e um asteroide batizado com seu nome. Bacharel em astronomia, foi barrada no doutorado na Universidade de Princeton, em 1975, por ser mulher. Aprovada em Cornell, instituição privada de Nova Iorque, ela conclui lá seus estudos em Astrofísica e Mecânica Quântica. Com suas observações, Vera comprovou uma teoria fundamental da cosmologia moderna, que mudou conceitos e teorias básicas da física e astronomia: a existência da matéria escura, que corresponde a 23% da composição do universo. Além do importante legado para a ciência, ela deixou três filhos: todos expoentes na área científica.

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