Eleições 2018 | Ainda não é hora

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Foto: Internet

Fagner Pinho

Pesquisas apontam desinteresse da população com as eleições. Foco é copa. Ou qualquer outra coisa…

A falta de curvas muito significativas entre as pesquisas eleitorais já realizadas desde o ano passado, tanto para governador, senador ou presidente da República, apontam uma espécie de estagnação nas disputas pelo Palácio das Esmeraldas, Senado ou Palácio do Planalto neste ano.

Em comum, todos os levantamentos demonstram pouca mudança no humor do eleitor desde julho passado. A única novidade na disputa pelo governo parece ser um leve crescimento nos números do governador José Eliton (PSDB), que subiu na preferência do eleitor, saindo de 6% ou 7% em algumas pesquisas e chegando a 10% e até a 14% em outras.

Seria este, então, o momento de ‘botar o bloco na rua’, fazer com que a militância da base aliada saísse e iniciasse um apoio mais ostensivo à sua pré-campanha? Não. O momento é mais para frente. Por hora, o eleitor tem demonstrado, de forma clara, que não está pronto – e que nem mesmo está com paciência – para discutir política neste mês de junho e até mesmo definir seu voto.

O foco é outro. É qualquer um. Menos eleição. Ontem foi a paralisação dos caminhoneiros, que mesmo com toda movimentação, não gerou clima de discussão eleitoral. Hoje é a Copa do Mundo, que começou na última semana. Amanhã, pode ser outro. Eleições? Candidatos? Definitivamente não. Há uma espécie de apatia do eleitor em relação às eleições.

Isso explica o porquê de muita pouca variação ter ocorrido desde o ano passado. Em apenas três levantamentos, o governador José Eliton (PSDB) conseguiu chegar aos dois dígitos: além da pesquisa ExataOP/Tribuna do Planalto, a Serpes, publicada em O Popular na última semana, apontou isso. Bem como o senador Ronaldo Caiado (DEM) variando entre 35% e 40%, e o deputado federal Daniel Vilela (MDB) patinando entre um e dois dígitos.

Na pesquisa ExataOP/Tribuna, Caiado aparece na liderança com 35,5% dos votos, enquanto que José Eliton segue em segundo, com 14,1%. Daniel ficou em terceiro com 7,7%. Já na Serpes, Caiado chega aos 38%, Eliton fica em segundo com 10% e Daniel em terceiro, com 5,6%, seguido de perto por Kátia Maria (PT), com 4,3. Eliton ganhou 3,3% percentuais em relação ao levantamento de abril.

O número de indecisos e de eleitores que apontam votar nulo ou em branco também corrobora com a tese de que nada de importante deverá acontecer até o mês de agosto na política goiana ou nacional. Nos levantamentos a porcentagem destes é grande, e demonstra que o brasileiro não está nem aí para o assunto.

Um dos motivos pode ser a Copa, mas a grande realidade é que um dos grandes pontos é o desânimo e o medo do brasileiro em relação à economia– conforme detalhou o diretor do instituto Datafolha em entrevista à Folha de S. Paulo na edição da última segunda-feira, 11. A crise econômica que o governo insiste em dizer que já acabou é a mesma que o brasileiro continua insistindo em sentir no bolso.

Nem os próprios políticos querem discutir eleição. Partidos que na eleição geral passada, em 2014, já haviam definido seu caminho nesta época, neste ano não demonstram a mínima vontade de acelerar o processo. Seus presidentes repetem que o momento ainda não é agora, que será em agosto, que precisa de mais conversa, dentre outras colocações.

Na disputa pelo Senado a mesma coisa. Muita pouca variação nas pesquisas. O ex-governador Marconi Perillo (PSDB) aparece na ponteira, seguido, como sempre, pela senadora Lúcia Vânia (PSB), pelo vereador Jorge Kajuru (PRP), e por fi m, pelo ex-senador Demóstenes Torres (PTB), que vem na quarta colocação.

O único fato novo – e que vem sendo muito explorado pela cobertura política, escassa de movimentações e de articulações para noticiar a apenas três meses da eleição – é a aparição do nome de Vanderlan Cardoso (PP), ex-prefeito de Senador Canedo, como disputante ao Senado e, surpreendentemente, bem colocado. Na Serpes, por exemplo, ele apareceu na terceira colocação.

É mais um a começar a se ombrear com os colegas na disputa pela segunda das duas vagas pertencentes à chapa majoritária da base aliada nestas eleições. Fato este, aliás, um dos poucos a ainda gerar alguma discussão política. Hoje os nomes são muitos: Marconi, Lúcia, Vanderlan, Demóstenes e o do presidente do PSD, Vilmar Rocha, ainda buscando o posto.

Na disputa pela presidência, o mesmo acontece. Mesmo encarcerado há meses em Curitiba, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) permanece como favorito em todos os cenários para a disputa pelo Palácio do Planalto. Além de liderar no primeiro turno, Lula ainda vence todos os adversários no segundo turno.

Benefícios

Se por um lado o desinteresse do eleitor é algo incomum para esta época em anos eleitorais, por outro poderá servir para que pré-candidatos tenham tempo para criar ou modificar estratégias para as campanhas, uma vez que o panorama tende a não se modificar nas próximas semanas.

Neste ponto, a divulgação de pesquisas nas quais Eliton apresenta certo crescimento serviu como reforço a uma novidade que tem uma força muito simbólica na eleição: o retorno do ex-governador Marconi Perillo à agenda política, após um período de hiato político iniciado após deixar o governo.

Aparentemente, a principal função do líder tucano, neste momento, é unir a base aliada em torno do atual governador, o que já começou a ser feito por Marconi, que posou para fotos e discursos ao lado do presidente do PP, Alexandre Baldy, que vinha conversando com partidos da oposição.

Mas quem realmente pode tirar benefício deste panorama é o senador Ronaldo Caiado. Oposição ao governo estadual e ao governo federal, o democrata não carregará, ao menos por enquanto, nenhum ônus em sua campanha, o que, teoricamente, o faria manter a ponta das pesquisas ao menos até o início período eleitoral.

Mas como a teoria também pode nunca se tornar prática, seus aliados acreditam que ele passe a ser vítima de diversos ataques até agosto, quando o jogo político deverá se movimentar de verdade – e que, claro, estes ataques se intensificariam durante a campanha.

Foto: Divulgação

Desgastes

Dos três principais pré-candidatos ao governo, o que mais parece ter sentido os números das pesquisas é Daniel Vilela. O emedebista não apareceu muito bem nos últimos levantamentos, o que tem levado desânimo aos seus correligionários e dado força àqueles emedebistas que defendem apoio do partido à pré-candidatura de Caiado.

Isso se junta ao desinteresse do eleitor e, claro, ao fato do presidente Michel Temer (MDB), um dos potenciais aliados à candidatura de Daniel no Estado, ser o presidente mais rejeitado da história do País, desde que o índice passou a ser medido pelos institutos de pesquisa, com apenas 3% de aprovação.

O que outrora poderia servir de ajuda ao pré-candidato ao governo pelo MDB em Goiás, a proximidade com o presidente da República passou a algo a ser evitado, tanto por Daniel Vilela quanto pelo ex-ministro Henrique Meirelles, pré-candidato à presidência da República pelo MDB.

A realidade, no entanto, não faz com que o emedebista perca o foco. Em entrevistas após a divulgação dos resultados, Daniel afirmou que a grande maioria dos eleitores ainda não conhece os candidatos e que focará sua campanha nas propostas a serem apresentadas aos eleitores, além de desqualificar os números apresentados pelos institutos.

E como agosto ainda levará dois meses para chegar, enquanto isso, vale curtir (ou não) a Copa do Mundo.

PT surpreende com novos nomes

Apesar da falta de grandes mudanças no panorama das pesquisas ao governo do Estado, além do crescimento de Eliton e do surgimento de Valderlan Cardoso na disputa ao Senado, outro fator que chamou a atenção foi a boa chegada da pré-candidata do PT ao governo do Estado em sua primeira pesquisa.

Ex-assessora do deputado federal Rubens Otoni (PT), Kátia Maria será a candidata do PT ao governo do Estado. Ela apareceu pela primeira vez em uma pesquisa Serpes e foi além do esperado: empatou tecnicamente com o deputado federal Daniel Vilela na terceira colocação do levantamento realizado pelo jornal O Popular

A professora Kátia chegou a 4,6% dos votos, exatamente 1% abaixo de Daniel Vilela que marcou 5,6. Como a margem de erro para a pesquisa Serpes é de 3,5% para mais ou para menos, há empate técnico entre os dois nomes. Em entrevista recente à Tribuna do Planalto, Rubens Otoni falava em chegar ao segundo turno, dada a falta de um nome mais à esquerda na disputa.

Sustentabilidade

Em meio à divulgação das duas pesquisas, a Rede Sustentabilidade surpreendeu e apresentou, na última semana, seus nomes para a disputa ao governo do Estado, bem como ao Senado: o nome ao Palácio das Esmeraldas é o do ex-procurador do Ministério Público do Trabalho Edson Braz, com a empresária Lilia Monteiro para vice.

O partido da pré-candidata à presidência da República Marina Silva também lançou a pré-candidatura do procurador federal Aguimar Jesuíno – que foi candidato ao Senado em 2014 – e do empresário Orlando Alves novamente ao Senado.

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