Ler e escrever se aprende no hospital

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Foto: Divulgação

Rafaela Bernardes

Especial para a Tribuna do Planalto

 Projeto possibilita aos pacientes da antiga colônia santa marta realizar o sonho da alfabetização

Diagnosticada com hanseníase aos 14 anos, Messias Pereira dos Santos foi internada, compulsoriamente, na antiga Colônia Santa Marta, onde ficou isolada de sua família e amigos. Hoje, aos 53 anos, ela continua morando na instituição, que agora se chama Hospital Estadual de Dermatologia Sanitária e Reabilitação Santa Marta (HDS), unidade da Secretaria Estadual de Saúde de Goiás.

No local onde reside, Messias conseguiu realizar dois sonhos, voltar a estudar e poder trabalhar. Por meio do projeto Classe Hospitalar, promovido pela Secretaria de Educação, Cultura e Esporte (Seduce), ela e outros pacientes do hospital tiveram a oportunidade de continuar os estudos, conhecer as letras e os seus significados. Messias frequenta as aulas na Classe Hospitalar há quatro anos e hoje é a monitora da turma

“Eu que organizo a sala de aula e ajudo a professora. As aulas são boas demais. Não gosto dos finais de semana porque não temos aula”, diz.

As aulas, com duração de quatro horas, ocorrem de segunda a sexta-feira. A professora, Márcia Marques de Paula, é contratada pela Secretaria Municipal de Educação de Senador Canedo, uma das parceiras do projeto. Ela tem 19 anos de experiência como educadora e faz questão de destacar que “trabalhar com os pacientes é engrandecedor”.

Foto: Divulgação

Ilaci de Moraes Cidra, 59 anos, faz tratamento na unidade de saúde e frequenta as aulas há dois anos. Ela gostou tanto de conhecer o mundo das letras que acabou levando o esposo, Francisco Cidra, de 68, para estudar também no local. Para seu Francisco, a maior pobreza do homem é ser analfabeto.

“Por isso quero ser rico, o que para mim é um dia saber ler e escrever meu nome”, afirma.

Geli Pereira Marques, 70 anos, começou a estudar em uma escola convencional, em uma turma da Educação de Jovens e Adultos (EJA), mas sentia-se incapaz de aprender. Com deficit cognitivo, ela encontrou na Classe Hospitalar o prazer de desvendar os segredos da escrita e da leitura. Ela conta que foi encaminhada ao projeto durante uma consulta com o médico geriatra, que atende no HDS.

“Hoje sou muito feliz e pretendo estudar aqui até quando me permitirem. Já sei escrever meu nome e amo minha professora”, conta.

“Oportunidade de uma vida melhor e mais feliz”

O projeto Classe Hospitalar foi implantado em junho de 2014 no Hospital Estadual de Dermatologia Sanitária e Reabilitação Santa Marta (HDS), antiga Colônia Santa Marta. A iniciativa já beneficiou vários pacientes até agora.

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A supervisora de Reabilitação Psicossocial do HDS, Cledma Pereira Ludovico de Almeida, afirma que conheceu o projeto da Seduce no Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer). Ela foi a responsável por levar a iniciativa para o HDS.

“Durante os atendimentos aqui no HDS, identificamos nos nossos pacientes a necessidade de apoio educacional. O projeto Classe Hospitalar já existia, mas sempre voltado para crianças e adolescentes. Então resolvemos inovar e atender os adultos que são pacientes do hospital”, explica.

Para conseguir implantar o projeto no HDS foi preciso formalizar uma parceria com a Secretaria Municipal de Educação de Senador Canedo. Todos os alunos atendidos no hospital estão matriculados na rede pública do município e realizam avaliações aplicadas pela professora do projeto.

“Temos muito orgulho desse projeto. Para muitos de nossos pacientes, essa iniciativa significa a oportunidade de uma vida melhor e mais feliz”, acrescenta Cledma.

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