Entrevista | “O Tempo Novo não deve ser aquele que iniciou em 1998”

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Anselmo Pereira – Vereador

Samuel Straioto, especial para a Tribuna do Planalto

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Vereador por nove mandatos, Anselmo Pereira é uma das principais lideranças do PSDB em Goiânia. O parlamentar avalia, nesta entrevista concedida à Tribuna do Planalto, que deve haver uma renovação dentro do chamado Tempo Novo, que chegou ao poder no Estado de Goiás em 1998. Além disso, o veterano tucano ainda analisa a construção da base do prefeito Iris Rezende (MDB) na Câmara Municipal e o início das articulações visando à eleição da Mesa Diretora do Legislativo goianiense.

Tribuna do Planalto – Como o senhor analisa o cenário eleitoral até o presente momento, levando em consideração as principais pré-candidaturas colocadas até o momento?

Anselmo Pereira – Ainda estão se formatando. O que eu acredito é que a pré-campanha para aqueles que atentaram com a lei já deveria estar a todo vapor. Muitas ações poderão ser feito na pré-campanha. Ao meu entender deveria estar bem mais próximo do eleitor que vai decidir o pleito.

De que forma?

A forma é visitar os segmentos organizados, mostrar um pré-plano de governo daquilo que vai melhorar para o Estado de Goiás, mesmo existindo a crise moral e econômica no país, sempre a tempo de você resgatar os compromissos com a população. Deixar para o último tempo é como deixamos na copa passada e levamos de 7 a 1 ou foi 6 a 1.

7 a 1…

7 a 1. É isso que vai acontecer com os políticos que não atentaram ainda para um processo eleitoral que modificou; Eu já me submeti uma eleição de 45 dias.  Os deputados estaduais e federais, senadores e governadores vão agora se submeter a uma nova legislação eleitoral surpreendente, onde o tempo de comunicação oficial com eleitor será exíguo, menos de 40 dias para que ele possa convencer; Agora, se tem a possibilidade de você se aproximar da população na pré-campanha, é o que eu entendo que deva ser feito; Os quatro nomes mais importantes tem seus projetos, alguns sociais, outros mais administrativas, outros mais contundentes, outros querem ser mais revolucionários. É preciso que toda essa matéria seja colocada em dia na pré-campanha para você ouvir o que o eleitor pensa e dar tempo de você se reprogramar, falar a língua e o pensamento do eleitor, sob pena de você ficar em terceiro ou quarto plano.

“[O Tempo Novo deve] se atualizar, verificar as necessidades do povo, verificar onde está o estrangulamento das ações e políticas administrativas, verificar qual a preferência do anseio de resolver o problema da sociedade goiana”

Agora nesse aspecto, o sr. como integrante do PSDB, como é que a base deve se comportar nesse período tão curto de campanha que o sr. citou, o atual governo está aí desde 1998. Como fazer um convencimento ao eleitor?

Muito fácil. Primeiro, nós já temos o nosso candidato. Tem partidos, segmentos que estão aí se digladiando com nomes de candidatos. Quem é quem? Quem apoia quem? Nós não temos mais problemas. Nós já temos o nosso candidato. Já temos o perfil dele, já temos a experiência dele e você acabou de dizer, temos uma herança de 20 anos e precisa ser administrada bem, porque no mundo político o tempo também desgasta, o tempo precisa modificado, pensa bem você, se eu fosse o vereador de 1976, quando saí candidato. Eu sou vereador do século XXI. Eu fui vereador no século passado, quase na metade do século e continuo vereador porque fiz e faço exercício de como representar o meu eleitorado, é o que o nosso governador está querendo e vai ter que fazer. Primeiro vai ter que buscar as alianças, segundo levar a mensagem para o eleitor que quer ouvir do nosso governador José Éliton qual é a melhor proposta de aperfeiçoamento do governo que ele representa e que está aí há 20 anos, que não deve ser o mesmo tipo do governo. O Tempo Novo não deve ser aquele que iniciou em 1998, com o menino da camisa azul, mas sim aperfeiçoado para os tempos modernos.

De que forma, o Tempo Novo deve ser o Tempo Novo?

Se atualizar, verificar as necessidades do povo, verificar onde está o estrangulamento das ações e políticas administrativas, verificar qual a preferência do anseio de resolver o problema da sociedade goiana. Eu cito um que está na cara: Segurança. Segurança precisa ser atacada. Hoje a morte de alguém é tão banalizada que você deleta a notícia do telefone e desliga e não quer mais saber, porque mata-se todo dia, mata-se a toda hora, esse direito de ir e vir no Estado de Goiás precisa ser assegurado, precisa ser legitimado. Segundo, o problema da Educação, em que nós precisamos fazer um modelo diferente, começando a educar as nossas crianças desde a época que ela tem o desenvolvimento da sua capacidade motora para que ela venha com uma nova concepção de cidadania. Esse é o tipo que a herança de 20 anos do Tempo Novo precisa se adaptar ao momento histórico do pleito eleitoral. Não tentem fazer a mesma coisa de quando criou o Tempo Novo, tentem fazer o Tempo Novo se fazer presente, na modernidade das reivindicações dos cidadãos que querem Segurança, Educação e jamais deixar de ser atendido pela Saúde Pública. O nosso governo tem feito exercício na Saúde Pública, tem mostrado em alguns aspectos, excelência no atendimento principalmente de doenças consideradas as mais permanentes e as mais sérias. Ao meu entender, agora é preciso atacar a questão ambulatorial no Estado de Goiás.

Acabar com a “ambulâncioterapia”?

Acabar com esse negócio que dentro de uma ambulância eu resolvo o problema do cidadão. Eu acabo com um problema é  colocando um hospital lá perto de Santa Cruz, de Palmelo, de Pires do Rio, eu resolvo é com outro hospital funcionando bem na região de Uruaçu, eu resolvo é com outro na região de Itumbiara. Nós temos que descentralizar o atendimento na área da Saúde, da Educação e da Segurança. Isso vai ser a chave do sucesso de quem quiser ganhar eleição para o governo do Estado de Goiás.

Como Goiânia como vai se comportar nesse cenário eleitoral?

Goiânia tem algumas forças que são latentes. Primeiro, a Prefeitura de Goiânia. Se a Prefeitura for bem até o pleito, ela pode influenciar um candidato ligado à Prefeitura, a ação política do prefeito do MDB. Se a prefeitura vai mal, o candidato que se alinhar a prefeitura vai pagar por isso, como também o governo do estado, da mesma forma. Então, a Prefeitura de Goiânia é o efeito e demonstração para determinados comportamentos eleitorais.

Quer dizer então que Daniel Vilela vai pagar o ônus a partir do desgaste que o prefeito Iris vem sofrendo?

Possa ser que Daniel também inspire uma coisa que nós eleitores queremos no pleito eleitoral, a esperança de dias melhores, como se faz? É rompendo com que está errado. A Prefeitura de Goiânia tem seus estrangulamentos e seus gargalos como qualquer outra. Não é que está errada, é que os gargalos são grandes, os problemas são grandes. A cidade está inchada, a cidade recebe milhares de pessoas com mão de obra desqualificada, com mão de obra despreparada e Goiânia é um efeito dessa demonstração. Agora, cabe ao candidato ligado a Prefeitura de Goiânia ter consciência disso, propor e fazer com que o eleitor acredite que ele esteja a esperança da mudança deste tipo de comportamento. Mas para isso é preciso que tenha um projeto de campanha e um projeto de governo que o munícipe de Goiânia e das cidades da Grande Goiânia entenda que ele (candidato) mesmo sendo aliado a administração de determinada estrutura de governo, ele vai ter que promover a mudança, aí o eleitor vota nele.

“Meu partido nunca quis, durante as últimas quatro eleições, ganhar a Prefeitura de Goiânia. Pode ser que daqui para frente crie juízo”

Nas últimas eleições a base governista vem sofrendo derrotas aqui na capital. Este cenário será semelhante ou igual?

Não. O cenário em Goiânia sempre foi um. Eu nunca senti que meu governo tivesse muito interesse de ganhar a eleição em Goiânia. Até porque eu era o presidente da Câmara, eu estava com um dos maiores programas de ação social em Goiânia, a Câmara Itinerante. Fizemos um excelente governo, nove mandatos, eu fui preterido por um candidato novo que tinha apenas 9 meses de mandato. Então o meu partido nunca quis durante as últimas quatro eleições ganhar a Prefeitura de Goiânia. Pode ser que daqui para frente crie juízo.

O prefeito Iris Rezende recentemente fez uma reunião com 21 vereadores, ele finalmente vai conseguir construir uma base aqui na Câmara?

O prefeito tal qual alguns políticos de Goiás, ele e Marconi e talvez mais uns 3 ou 4 são os maiores detentores de mandatos em Goiás, isso significa experiência. Iris Rezende vai fazer 60 anos (de vida pública) agora em setembro, não é possível que ele esteja errando. Ao reunir os 21 vereadores ele vai querer trazer para a base mais três vereadores para fazer 24 e é o quórum necessário para aprovar matérias de alto interesse do Município.

Por exemplo, emendas à Lei Orgânica do Município?

Nenhuma emenda à Lei Orgânica do Município pode ter quórum qualificado com menos de 24 votos, acredito que com a experiência que já notou e com a Câmara sendo sua parceira para administrar Goiânia, com uma independência fantástica do Poder Legislativo após a Constituição de 88, os legisladores entenderam que são altamente poderosos e competentes e daí a necessidade de fazer as parcerias funcionarem.

Mas não demorou o prefeito definir um líder e construir uma base na Câmara? O prefeito, por exemplo, teve mais recentemente um arquivamento de projeto do IPSM na CCJ…

Sim demorou. Eu disse a você em outras ocasiões que nos meus anos de mandato eu nunca vi passar um ano sem ter um líder do prefeito, mas cada um tem o seu estilo de se administrar. Cada um tem o seu estilo, mas há sempre tempo de se conversar. A política é a arte da conversação, é nessa conversação, no diálogo é que você vai conquistando e afunilando os interesses políticos administrativos para o bem do eleitor e não para o bem de quem administra.

O sr. é um político experiente, tem um bom trânsito na prefeitura e no governo. Anselmo Pereira é base ou é oposição?

Eu já disse que eu sou uma base racional. O que é base racional? É aquela que quando chega uma matéria do Executivo, eu leio e só voto se for bom para o povo. Não vou votar porque sou amigo deste ou daquele administrador, sou afinado com ele. O meu patrão é o povo de Goiânia. Eu tenho que responder ao povo de Goiânia. Eu já devolvi projetos, já arquivei projetos do Executivo e já trabalhei para que projetos do Executivo fossem aprovados, porque talvez a interpretação do eleitor em determinado momento é equivocada, lá na frente os eleitores vão dizer que eu tinha razão, porque eu sei dos meandros do que a lei estava propondo. Vou continuar dizendo que sou base racional, é aquele que não quer que quanto pior melhor, eu estou me contrapondo a este tipo de comportamento.

“As articulações para presidência da Câmara de Goiânia vão ocorrer após o sufrágio da eleição de governo, aí as forças sempre atuam em todas as direções. Essas forças também atuam na formatação da eleição da Mesa Diretor

a da Câmara”

Porque o sr. mesmo com tanta experiência como vereador, não se candidata a outro cargo?

Meu patrão é o eleitor de Goiânia. Quando eu saí para deputado estadual e fiquei de suplente eu tive 90% dos votos em Goiânia e 10% no interior, o recado foi dado. Eu preferi renunciar ao mandato de deputado e voltar ao município porque o meu patrão que diz “estou te elegendo e é para você ficar em Goiânia”. Eu fui pré candidato a prefeito de Goiânia, fiquei prefeito por 16 dias, acredito que fiz uma boa administração como prefeito, a maior parte das boas leis que estão tramitando aqui nesta Casa (Na Câmara Municipal) são da minha época enquanto prefeito, como o Código de Defesa do Contribuinte, a Lei Ambiental também fui eu que mandei e assim uma série de ações que nós fizemos quando ainda prefeito; Vou insistir nessa tese de mudar, sim, mas desde que esteja dentro dessa concepção de Goiânia. Já lhe adianto aqui para a nossa querida Tribuna do Planalto que eu conheço há mais de 25 anos com jornalistas sérios que faz um resumo daquilo que acontece que não sou candidato a deputado. A minha vida até agora é no município de Goiânia e é por isso é que eu penso na Prefeitura de Goiânia, eu penso na Câmara, eu penso na Presidência, eu penso em vereador.

O sr. pensa na Presidência da Câmara?

Todo mundo pensa, todo mundo pensa. Mas isso não significa que eu queira novamente, já fui o presidente da Câmara.

Como o sr. vê essas articulações que ocorrem neste momento? A gente já vê um desenho?

Não, não. Estão muito paradas. As articulações para presidência da Câmara de Goiânia vão ocorrer após o sufrágio da eleição de governo, aí as forças sempre atuam em todas as direções. Essas forças também atuam na formatação da eleição da Mesa Diretora da Câmara.

Qual é a tendência desse desenho, qual deve ser a caída da mesa?  A prefeitura pode conseguir colocar o nome aqui na presidente da Câmara como foi o caso de Andrey Azeredo ou a oposição leva dessa vez?

Não é questão de oposição, mas sim de grupos de vereadores que pensam iguais. Aqui a gente quase nunca elegeu um vereador que saiu do colete do bolso do prefeito, é porque determinados nomes para a presidência aglutinam vereadores, se alinham, por exemplo eu ganhei contra a vontade do prefeito que era na época o Paulo Garcia. Agora, nunca fui inimigo do Paulo Garcia, tanto é que ele me deixou ser prefeito. Possa ser que o alinhamento das forças na Câmara tenha mais vereadores ligados ao governo estadual ou ao município e aí as pessoas pensam que está tendo alguma imposição, não tem; Os vereadores pensam bem quando decidem.

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