BNCC do Ensino Médio é debatida em Goiânia

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Foto: Divulgação

Daniela Martins e Maria José Rodrigues

Propostas discutidas reúnem as contribuições de Goiás no processo de elaboração do documento nacional

Em abril deste ano, o Ministério da Educação (MEC) apresentou ao Conselho Nacional de Educação (CNE) a terceira versão da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do Ensino Médio, iniciando assim uma nova etapa no processo de discussão do documento que definirá as diretrizes para essa fase da educação. Durante toda a quinta- -feira da semana passada, 21/6, especialistas de várias partes do país participaram em Goiânia de uma audiência pública para discutir diversos temas relacionados às populações indígenas e quilombolas.

Ivan Cláudio Pereira, presidente da Comissão para
Educação das Relações Étnico-Raciais, do CNE
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O evento, realizado na sede do Conselho Estadual de Educação, representa a abertura do debate para a elaboração de um documento que será apresentado à Comissão para Educação das Relações Étnico-Raciais e Ensino de História e Cultura Afro- -Brasileira e Africana e Indígena, da Câmara de Educação Básica (CEB) do CNE. Um novo encontro para aprimorar as propostas já está agendado para o dia 28 de agosto, em Brasília. Presente no debate, a professora Suely Melo de Castro Menezes, que integra a comissão responsável pela elaboração do projeto a ser apresentado à CEB, destacou a necessidade de se criar um “currículo intencional para uso efetivo” que tenha uma relação mais real com a sociedade, bem longe do que acontece hoje.

 

“Quando falamos em Base Nacional Comum Curricular, principalmente do Ensino Médio, penso que o mais importante é agregar a flexibilidade. E quando falo da interdisciplinaridade, estou falando justamente desse currículo flexível que conversa com uma área e com a outra, e com o ser humano, abordando vários assuntos ao mesmo tempo. Esse é o grande passo”, ressaltou Suely.

Desde a primeira versão da BNCC do Ensino Médio, Goiás tem sido um dos atores centrais nas discussões para elaboração do documento, sendo o Estado que mais apresentou contribuições a partir, inclusive, da iniciativa dos próprios professores. “Nesta audiência pública em Goiânia, o foco está sobre um tema muito especial, que é como as mudanças no currículo podem contemplar questões indígenas e quilombolas”, afirma o presidente do Conselho Estadual de Educação (CEE), Marcos Elias Moreira.

Marcos Elias, presidente do CEE: currículo em debate
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Marcos Elias ressalta também a necessidade de o sistema educativo brasileiro reconhecer e dar atenção especial, por meio da BNCC, às contribuições das culturas indígena e afro-brasileira para a construção da identidade nacional do país.

Para a gerente de Inclusão da Secretaria de Educação, Cultura e Esporte de Goiás (Seduce), Márcia Antunes, o debate promovido pelo CNE em Goiânia é extremamente importante e traz uma discussão muito próxima do trabalho de inclusão que já é realizado na rede estadual de ensino com as comunidades indígenas e quilombolas.

Márcia lembra que a educação indígena e quilombola convive hoje com um dilema, que é estabelecer a relação entre a interculturalidade e a qualidade. Mas, segundo ela, essa discussão já vem sendo feita pela Seduce há três anos com a participação de representantes dessas comunidades e uma equipe de pesquisadores das universidades Estadual de Goiás e Federal de Goiás.

Entenda o que é a BNCC

O texto da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) está em sua terceira e última versão. O documento foi entregue pelo MEC ao Conselho Nacional de Educação (CNE) no dia 4 de abril deste ano. Para permitir a participação de toda a sociedade, na primeira etapa foi realizada uma rodada de consulta online e, na segunda, seminários estaduais. Agora, da mesma forma que a BNCC da Educação Infantil e do Ensino Fundamental, já concluída, o documento passará por discussões (audiências públicas) antes de ser finalizado. Concluída mais essa etapa, o texto entrará em votação no CNE para aprovação.

A BNCC define os conteúdos mínimos obrigatórios que deverão ser ofertados aos estudantes do Ensino Médio das redes pública e privada de todo o país. Ao contrário da BNCC da Educação Infantil e do Ensino Fundamental, a proposta é de que o currículo não seja organizado por disciplinas, mas por áreas de conhecimento.

A mudança está alinhada com a proposta do novo Ensino Médio, do MEC. Assim, as 13 disciplinas que integram hoje o currículo deixarão de existir e passarão a compor cinco áreas de conhecimento: Matemática, Língua Portuguesa, Linguagens e suas Tecnologias (Língua Estrangeira Moderna, Arte e Educação Física), Ciências Humanas (História, Geografia, Sociologia e Filosofia) e Ciências da Natureza (Física, Química e Biologia).

Conforme o Ministério da Educação, esse novo formato amplia as perspectivas para a flexibilização do currículo, uma das principais sugestões de educadores e especialistas em educação.

 

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