Russia 2018 | Os estrangeiros

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Fagner Pinho

Apesar de terem ligação com o país, vários jogadores brasileiros defendem outras seleções na copa

Foto: Divulgação

Que o Brasil é um celeiro de ases do futebol, todos já sabem. Anos e anos muitos atletas surgem no País e abastecem tanto as fileiras de clubes nacionais e também de clubes estrangeiros, principalmente os europeus, que buscam talentos cada vez mais cedo nos campos tupiniquins para fortalecer suas bases. No entanto, o que há 50 ou 60 anos era bastante raro, hoje se tornou algo normal: jogadores nascidos no Brasil que se naturalizam por outras nações e defendem outras seleções em competições internacionais, como o que vem ocorrendo nesta edição da Copa do Mundo, que vem sendo disputada na Rússia. Na Copa além dos 23 jogadores brasileiros convocados pelo técnico Tite para defender a seleção brasileira, outros dez jogadores nascidos no Brasil ou com nacionalidade brasileira, estão no torneio. Defendendo outras seleções, claro. Estes se dividem em três grupos: os consagrados, os desconhecidos e os estrangeiros.

Consagrados

Astros em seus clubes no futebol europeu, esta classe de jogadores não fez tanto sucesso atuando em território nacional. Saíram cedo do Brasil e se consolidaram em equipes europeias. Por conta do sucesso em terras estrangeiras, estes jogadores preferiram.

Diego Costa  – Espanha

Diego Costa
Foto: Divulgação

Um dos maiores artilheiros do futebol mundial, Diego Costa desde sempre quis defender a seleção brasileira. Ele chegou a ser convocado para amistosos pelo Brasil em 2014, mas optou por defender a Espanha na Copa daquele ano, ao desconfiar que sua convocação era apenas para que não defendesse outro time.

Com 29 anos, Diego jogou por diversas equipes espanholas, mas se destacou no Atlético de Madri, clube que atualmente defende. Também foi centroavante do Chelsea, conquistando dois títulos do Campeonato Inglês, mas saiu do clube londrino brigado com o técnico italiano Antônio Conte.

Nascido na pequena Lagarto, no Sergipe, Diego ainda jogou no futebol português, onde defendeu o Sporting de Braga. Jogou dois amistosos pelo Brasil e 24 partidas pela Espanha. Já marcou gol nesta Copa e afirma que não teria problemas de enfrentar o Brasil na Copa. Já marcou mais de 200 gols em sua carreira.

Pepe – Portugal

Pepe
Foto: Divulgação

Talvez o mais consagrado dos jogadores brasileiros que atuam no exterior, Pepe sempre jogou profissionalmente no futebol português. Alagoano de Maceió, onde nasceu em 1983, Pepe atuou pelo Corinthians Alagoano entre os anos de 1995 e 2001, quando se transferiu para o Marítimo B.

Na equipe portuguesa, ele se profissionalizou e, após algumas partidas, chamou a atenção do Porto, onde jogou quase 70 partidas, antes de se transferir para o Real Madrid. No gigante espanhol, Pepe se consagrou. Titular absoluto, defendeu o time merengue por quase 350 partidas, sempre comandando o time.

No ano passado, depois de 11 anos vestindo a camisa madrilena, Pepe se despediu da capital espanhola e se transferiu para o Besiktas, da Turquia, onde atua até hoje. Aos 35 anos, Pepe atua desde 2007 na seleção portuguesa, onde conquistou a Eurocopa em 2016. Pepe já jogou mais de 100 vezes com a camisa lusitana.

Mario Fernandes – Russia

Mario Fernandes – Russia
Foto: Divulgação

Nem tão consagrado como Pepe ou Diego Alves, Mário Fernandes começou sua carreira no São Caetano. Nascido na cidade do ABCD Paulista, Mário logo se destacou e chamou a atenção do Grêmio. Chegou a ser convocado duas vezes pela seleção brasileira, mas em uma delas dispensou o chamado e na outra chegou a se apresentar, mas não jogou.

Hoje Mário se arrepende de não ter seguido na seleção. No Grêmio, Mário se destacou, mas nem tanto pelo futebol. Ele era famoso pelas noitadas que promovia em Porto Alegre e pelo problema – muito sério, como já dito pelo próprio atleta – que tinha com bebidas alcoólicas, o que o fez perder muitas oportunidades no Brasil.

Jogando no CSKA Moscou desde 2012, o lateral-direito conseguiu a cidadania russa em 2016 e desde então defende os anfitriões da Copa do Mundo de 2018. Na Rússia, Mário afi rma que conseguiu controlar seus problemas e que tem focado em sua carreira, o que o fez ser um dos principais atletas do país eslavo.

Desconhecidos

Nascidos no Brasil, estes atletas até começaram a carreira no país, mas sem maior sucesso, se transferiram, ainda desconhecidos, para outras equipes. Desenvolveram certo sucesso em equipes estrangeiras sem se tornarem muito conhecidos em terras brasileiras. Hoje, defendem cores de outros países.

Rodrigo Moreno – Espanha

Rodrigo Moreno
Foto: Divulgação

Rodrigo Moreno nasceu no Rio de Janeiro e desde criança frequentou as categorias de base do do Flamengo, seu clube de formação e também clube onde jogava seu pai, o lateral esquerdo Adalberto. Em 2003, então com 12 anos, deixou o futebol brasileiro e seguiu para a Espanha, onde passou a atuar nas categorias de base do Nigrán. De lá, ainda pela base, jogou pelo Celta, de Vigo, até chegar ao Real Madrid, clube pelo qual se profissionalizou.

Já profissional, Rodrigo atuou pelo Real Madrid C e pelo Real Madrid Castilla, clubes alternativos do clube merengue, até chegar ao Benfica, de Portugal, em 2010. Lá passou a atuar em alto nível, se destacando e marcando 45 gols em pouco mais de 100 jogos. Nesta época, já vinha sendo convocado para a seleção espanhola sub-21.

Em 2014, voltou a atuar no futebol espanhol, quando foi contratado pelo Valência. E também neste ano, passou a atuar pela seleção espanhola, quando foi convocado pela primeira vez pelo então técnico Vicente Del Bosque. Com 27 anos, Rodrigo participa de sua primeira Copa do Mundo neste ano.

Thiago Cionek – Polônia

Thiago Cionek
Foto: Divulgação

Paranaense de Curitiba, o zagueiro Thiago Cionek, que atualmente defende a seleção da Polônia, começou sai carreira nas categorias de base do Cuiabá, clube da terceira divisão do futebol brasileiro, no ano de 2005. Antes, jogava em ligas amadoras da cidade de Curitiba, onde nunca se profissionalizou.

De lá seguiu para Portugal onde atuou pelo Grupo Desportivo de Bragança, onde não se firmou. De volta ao Brasil, Thiago jogou no CRB de Alagoas, de onde partiu para o futebol polonês, onde passou a atuar no Jagiellonia Białystok, onde se naturalizou polonês. De lá Thiago se transferiu para a Itália onde joga até hoje.

Nacionalizados

Estes são os atletas que possuem cidadania brasileira, embora tenham nascido em outros países. Normalmente são filhos de jogadores brasileiros que se transferiram para outros países em décadas passadas e se identificaram com seus países de nascimento ou os quais adotaram como cidadãos.

Thiago Alcântara – Espanha

Thiago Alcântara
Foto: Divulgação

Filho do tetracampeão Mazinho, Thiago Alcântara nasceu na Itália, quando seu pai atuava no Lecce. Mesmo tendo nascido em terras italianas, Thiago tem cidadania brasileira e espanhola, onde foi criado. Desde jovem defendeu as seleções de base da Espanha, inclusive vencendo as Eurocopas sub21 e sub-18. Apesar disso, iniciou sua carreira no Flamengo, em 2001.

Mas desde 2005, Thiago – que é irmão de Rafinha Alcântara, lateral-direito e meia que preferiu defender a seleção brasileira e que foi medalha de ouro nas Olimpíadas de 2016 – passou a defender as cores do Barcelona. Por lá, jogou mais de 100 jogos e, em 2013, deixou o clube espanhol e se se transferiu para o Bayern de Munique. Na Baviera, o jogador de 27 anos conquistou cinco títulos do Campeonato Alemão de Futebol. Na Espanha, ele havia conquistado duas Ligas Espanholas além de uma Liga dos Campeões.

Bruno Alves – Portugal

Bruno Alves
Foto: Divulgação

Também filho de um ex-jogador brasileiro, Washington Alves, ex-zagueiro do Flamengo nas décadas de 1960 e 1970, que se transferiu para Portugal em 1975, onde atuou por Rio Ave, Varzim e Famalicão, dentre outras equipes, Bruno Alves nasceu na pequena cidade de Póvoa do Varzim, onde seu pai vive até hoje, em 1981.

A história de Bruno com Portugal é maior do que se imagina. Seus irmãos, Geraldo Alves, também é jogador de futebol e atua no futebol romeno, no Astra Giurgiu. Seu outro irmão, Júlio Alves, também é jogador e chegou a defender as categorias de base de Portugal e atuar pelo Atlético de Madrid, mas devido a problemas extracampo hoje está sem clube.

Bruno, por sua vez, foi o futebolista de maior sucesso da família. Zagueiro central, ele surgiu no Porto, clube pelo qual se profissionalizou e atuou por mais de 170 jogos. Depois de deixar a esquadra, Bruno atuou pelo AEK, de Atenas; Zenit, de São Petersburgo; Fenerbahce, da Turquia; e Cagliari, da Itália, antes de se transferir para o Glasgow Rangers, da Escócia, seu clube atual.

Aos 36 anos, disputa sua segunda Copa do Mundo por Portugal, no qual fez muitas duplas de zaga com Pepe, outro brasileiro naturalizado português. Detalhe: Bruno é sobrinho do ex-meiocampista do Flamengo e da seleção brasileira, Geraldo Assoviador, que morreu prematuramente durante um procedimento cirúrgico aos 22 anos.

Celso Borges – Costa Rica

Celso Borges
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Filho do ex-técnico e ex-capitão da seleção costarriquenha de futebol, Alexandre Guimarães, Celso Borges nasceu em São José, capital da Costa Rica em 1988. Seu pai, que atuava na zaga, atuava no país centro-americano na época e disputou a Copa de 1990, na Itália, tendo atuado, inclusive, contra o Brasil.

Celso começou no futebol atuando pelo Saprissa, e em 2005 se profi ssionalizou pelo clube. Lá jogou até 2009, quando se transferiu para o futebol norueguês e, posteriormente, para o futebol sueco. Hoje, com 30 anos, atua pelo La Coruña, da Espanha, desde 2015. Já atuou mais de 100 vezes pelo clube galego.

Desde sempre Celso defendeu a seleção costarriquenha, desde as categorias sub-17 e sub-20. Ele estreou em 2008 pela seleção principal, quando participou das eliminatórias para a Copa de 2010, a qual seu país não conseguiu a classificação. Ele já atuou em mais de 60 jogos pela seleção e marcou 24 gols.

Giovani dos Santos – México

Giovani dos Santos
Foto: Divulgação

 

Filho do ex-jogador Zizinho, que atuou no São Paulo nas décadas de 1970 e 1980, quando se transferiu para o América, do México, Giovani nasceu em Monterrey, no ano de 1989. Mas, desde jovem, começou a atuar nas categorias de base do Barcelona, da Espanha. Meia muito veloz, é considerado um dos melhores jogadores de sua geração.

No Barça, Giovani se profissionalizou. Chegou a ser comparado com Ronaldinho Gaúcho pela sua habilidade e pelos cabelos encaracolados. Atuou por quase 70 jogos pelo clube catalão antes de se transferir para o futebol inglês, apara atuar no Tottenham Hotspur, clube londrino. Ainda na Inglaterra, defendeu o Ipswich Town.

Depois da experiência na terra da rainha, Giovani seguiu para o Galatasaray, da Turquia, até voltar à Espanha, onde defendeu o Racing Santander, o Mallorca e o Villareal. Desde 2015 joga nos Estados Unidos, onde é o camisa 10 do Los Angeles Galaxy. Atua pela seleção mexicana desde 2005. É irmão de Jonathan dos Santos.

Jonathan dos Santos – México

Jonathan dos Santos
Foto: Divulgação

Irmão de Giovani dos Santos, Jonathan também nasceu em Monterrey e começou sua carreira no Barcelona. Mas, ao contrário do parente, não atuou por tantas equipes. Permaneceu no clube catalão por mais tempo que Jonathan, onde jogou em mais de 90 partidas, entre os anos de 2009 e 2014, quando finalmente saiu da equipe.

Após, Jonathan se transferiu para o Villareal. Ao contrário do irmão, que atua no ataque, Jonathan é meio-campista. Atua mais na defesa, como volante. Mesmo assim, conseguiu marcar sete gols em mais de 130 jogos durante os três anos que atuou no submarino amarelo, como é conhecido o clube de Castellón.

Após a saída da Espanha, Jonathan seguiu os mesmos passos do irmão e se transferiu para o

Foto: Divulgação

Los Angeles Galaxy, onde atua ao lado de Giovani. Pelo México, Jonathan começou a atuar em 2009, quando tinha apenas 19 anos. Esta é a primeira Copa do Mundo de Jonathan, que não atuou em 2014.

 

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