Entrevista | “Me preocupo muito mais com o Daniel do que com o Caiado”

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Francisco Oliveira – Deputado Estadual

Fagner Pinho e Vassil Oliveira

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Um dos principais articuladores da base aliada e líder do governo na Assembleia, o deputado Francisco Oliveira (PSDB) avalia o momento da pré-campanha e do governo de José Eliton (PSDB), que, em sua visão, está em pleno crescimento. Nesta entrevista concedida à Tribuna do Planalto, o parlamentar ainda ala sobre a relação do governo com os deputados e revela que se preocupa mais com Daniel Vilela (MDB) do que com Ronaldo Caiado (DEM) nestas eleições.

Tribuna do Planalto – A base consegue juntar os cacos, consegue unidade para ir para mais uma eleição depois de 20 anos?

Francisco Oliveira – Primeiro, eu entendo que a base esteve sempre coesa. Não vamos juntar cacos. Nosso vaso está moldado, bem feito e brilhando. É um processo que a gente percebe com muita clareza. Os deputados que estão dentro da base, que fizeram opção para estar com nosso projeto, são 28 na Assembleia e quase que toda a bancada federal. Ou seja, essa base aliada, com seus prefeitos e todo o processo político, está coesa e unida, não tem uma divergência. E é exatamente para ocupar espaços, mas essa costura da aliança da base aliada como um todo está muito tranquila. Tenho certeza de que ela vai estar aí formatada para buscar mais uma eleição.

O sr. vê choque na formação da chapa majoritária?

Olha, ainda bem que está dando choque. O ruim é se estivéssemos como a chapa do adversário, que não tem nem nomes para poder completar uma chapa majoritária. Aqui não. Temos três, quatro, cinco nomes brigando por uma vaga de senador, por uma vaga de vice. Ou seja, porque todos os partidos, todos os políticos, primeiro, acreditam no projeto. Segundo, entendem a seriedade deste governo. E terceiro, sabem que realmente aqui vai ter uma chapa que vai disputar eleição e vai ganhar as eleições.

Existe a previsão de perda de algum apoio por conta desse choque?

Acredito que não, porque em todos os processos que formatamos chapas ao longo desses anos, a gente sempre conseguiu. Aí cabe ao governador Marconi, que é maestro em composições, bem como ao nosso governador José Eliton, que na campanha passada foi quem fez essas costuras com todos os partidos na formatação das alianças. José Eliton já tem uma experiência muito grande em relação a isso. Agora, é óbvio, da chapa majoritária sempre vai ter uma disputa maior, mas entendemos que o bom senso, a maturidade e essa família que se chama base aliada não é composta apenas por um indivíduo. É composta por uma gama de pessoas que compõem essa base dentro de cada partido. E esses que fazem parte de cada partido vão cobrar posição para que estejam também na base, seja ele quem for, “preterido” da chapa, mas também pode ser acomodado em outras situações nesse projeto de governo.

Falta essa maturidade em alguns pré-candidatos da base?

Não, de forma alguma. Agora é o momento de todos colocarem seu time em campo. É a hora de todos colocarem as suas postulações para, na hora oportuna, fecharem essa chapa. Porque se ninguém está como artilheiro ou jogador, se está na reserva, ele não vai estar nem participando do processo. Cada um que está dentro do processo sabe que lá na frente vai ter o afunilamento. Nessa hora vão ter que prevalecer a maturidade, o bom senso, o companheirismo, o respeito e não o oportunismo, para que todos possam sentar à mesa e achar o caminho na convergência, para que nós possamos sair com uma chapa forte, porque nossa base é muito forte. Temos uma base que, com toda certeza, com unidade, ganhará as eleições. Pode ganhar, inclusive, no primeiro turno.

Entre Demóstenes Torres e Lúcia Vânia, alguém tem que ceder. Seria um ponto de tensão?

Alguém vai ter que ceder, como também tem uma disputa muito forte para vice-governador. Muitos partidos querem a indicação desse espaço. Agora, exatamente como eu disse, vai ter uma competência agora de dois grandes maestros que são o governador José Eliton e o governador Marconi para que possam, com essas discussões também com os partidos nacionais, convergir dentro de uma discussão local. Para que se possa ter essa unidade. Esse ponto de tensão existe porque os dois têm essa vontade de ser senadores nos próximos oito anos. Agora, isso é um processo que vai se resolver no final do mês de julho, começo de agosto. Os dois têm perfil, os dois têm autoridade para buscar os mandatos. Lúcia Vânia tem uma história prestada ao longo desses quatro mandatos. Demóstenes Torres também tem história, as eleições anteriores nós devemos muito a ele.

“O PSD ficará no governo com toda a certeza. Vilmar Rocha tem seu posicionamento, que nós respeitamos, mas não é individualista. Ele vai fazer o papel de um todo, como presidente do partido. E vai, com toda certeza, acompanhar a maioria”

A base não está demorando a se movimentar a favor do pré-candidato José Eliton?

De forma alguma. A base está se movimentando há sete anos e meio. José Eliton é vice-governador. Como disse, na eleição passada ele fez todas as costuras e alianças com os partidos que compuseram essa base aliada. Ele tem a experiência de conversação com os partidos, o que culminou em sua eleição de novo de vice e Marconi a governador. Assumiu o governo agora, depois de ter passado por uma escola muito profunda. Com escola de aprendizado a ser governo, com escola de aprendizado a aprender a respeitar e qual o papel do governo e do governante. Isso foi escola do José Eliton, e ele aprendeu com quem? Ele aprendeu com o melhor governador do Brasil, aprendeu com o melhor político do Brasil, que é Marconi.

A população não estaria cansada de 20 anos de poder?

Você cansa de um poder quando ele não está em sintonia com a população, quando não está em sintonia com aquilo que se espera de um governante. Goiás saiu da 19ª posição e está hoje entre os oito mais importantes do Brasil. Se pegarmos o PIB, que era de R$ 17 bilhões há 15 anos, e hoje estamos com mais de R$ 200 bilhões, você vê que é um governo que cresceu e inovou todos os dias.

Por que as avaliações do governo não refletem tudo isso?

Olha, hoje, a avaliação do governo está em quase 40%, entre ótimo e bom. Se pegarmos a avaliação dentro do contexto, estamos batendo 50% de aprovação. E vamos chegar ao mês de julho, deagosto, com 60%. Na minha avaliação, é esse índice que precisamos para ganhar as eleições. As obras estão sendo finalizadas e os prefeitos estão entregando seus benefícios.

Entre Ronaldo Caiado e Daniel Vilela, qual é o adversário mais difícil?

Preocupo muito, não porque o outro está em primeiro lugar, mas me preocupo com quem tem capilaridade e discurso. E o MDB sempre foi nosso adversário tradicional. É sempre quem teve mais votos no interior. É sempre quem tem o adversário que polarizou com as nossas candidaturas, em oito eleições. Eu me preocupo muito mais com o Daniel do que com o Caiado. Até porque nas eleições passadas o Caiado estava em um grande momento. Era candidato a senador e o Vilmar Rocha, que era um candidato muito menos conhecido, muito mais pesado do que o Caiado, se não fosse o MDB ter estendido apoio ao Caiado, ele teria perdido as eleições. Ou seja, Caiado deve a eleição dele ao Senado ao MDB. Razão pela qual, como disse, o MDB tem força política.Tanto que deu a eleição de senador a Caiado. É esse MDB que eu tenho medo de enfrentar nas urnas.

O sr. esteve próximo de Caiado durante muito tempo e ele também permaneceu um período na base. Qual o discurso pode mostrar que Caiado não é a oposição que ele se mostra agora?

Caiado foi base a vida inteira, sempre fez parte dessa base. Teve seus descontentamentos e acabou rompendo com o governo por duas ou três vezes. Agora, o que mais nos fortalece é que temos um discurso sólido, não temos bravata, não temos um discurso vazio. Temos o que mostrar. O governo tem legado. Nesse legado, Caiado também fez parte ao longo de muitos anos. Ele também faz parte da história dessa base aliada. Só que essa base aliada continua forte, continua inovando e continua transformando o Estado. Caiado fez uma opção política e está hoje disputando as eleições. Agora, quem ele tem ao seu lado? Qual a estrutura partidária ou de companheiros para disputar a eleição? Então, o que temos aqui é um projeto político que deu certo, que está dando certo.

Como explicar esse alto índice de intenções de votos para Ronaldo Caiado?

Alto índice de intenções onde? Com 37%? De um eleitorado que ainda não está definido? O nosso candidato estava com 3% e já está batendo 17%. Alguém vai perder. A medida que estamos fazendo gestão de governo não estamos fazendo campanha. Quando começar a campanha, quando começarmos a trabalhar, a partir de julho, quando o exército nosso for às ruas, os nossos 500 candidatos a deputados estaduais, mais de 100 candidatos a federais, os 200 prefeitos dos municípios, seus vereadores, os ex-prefeitos, ex-vereadores, essa máquina que confia na base aliada, que confia nesse projeto, aí sim você vai ver as pesquisas mudarem.

Há uma insatisfação de outros partidos da base em relação ao PSDB especificamente dentro da Assembleia?

Não, aqui dentro da base aliada não…

O discurso do Simeyzon na semana passada pareceu o contrário…

O discurso do Simeyzon foi em relação ao procedimento de emendas parlamentares que teve para o PSDB e que os outros deputados da base não tiveram. O que era isso? Quem vir para o PSDB pode ter esse benefício. Estava aberto para os 27 deputados da base aliada. Obviamente, o que queríamos? Segurar os deputados do PSDB, garantir uma chapa forte, porque é a chapa do governo, para poder disputar as eleições. Foi colocado assim. Não foram fechadas as portas para ninguém, quem quisesse vir para o partido teria essas garantias, exatamente para também não perder parlamentares que buscavam legendas mais fracas para ganhar a eleição. Então, é um processo muito democrático e tranquilo, e o próprio Simeyzon reconhece e sabe disso.

Isso não pode gerar um desgaste?

De forma alguma. Tenho convicção do discernimento do Simeyzon, inclusive ele fez o questionamento e disse mais: “Estou fazendo meu questionamento, mas vou registrar presença e vou estar aqui votando. Só fiz um posicionamento político”. Ele é muito sério, muito transparente. Ele não manda recado, fala sempre na tampa e com sinceridade. Por isso ele é respeitado na base aliada.

“O prefeito, se ainda está andando de cabeça erguida, se é respeitado hoje na cidade, isso se deve ao Programa Goiás na Frente, que é tocado e que está sendo pago pelo governador José Eliton”

O PSD fica no governo? Como ficará a relação de Vilmar Rocha?

O PSD ficará no governo com toda a certeza. Vilmar Rocha, com seu posicionamento, que nós respeitamos, mas ele não é individualista, ele vai fazer o papel de um todo como presidente do partido e vai, com toda certeza, acompanhar a maioria com seus posicionamentos. Obviamente, o governador e o próprio Marconi vão conciliando também para ter um bom ajuste e um bom termo, para que a campanha seja tranquila.

Dentro da Assembleia, o PSDB conseguirá unir a base em torno de um chapão?

Essa é uma discussão que vai caber ao próprio governador e ao ex-governador Marconi. É uma pretensão de todos os deputados do PSDB, alguns outros partidos também têm essa intenção, que são PPS, PSD e PRB. Tem muitos partidos que envolvem o chapão, outros não. PTB e PSB, não. É um processo que vai depender muito mais do próprio governo e dos presidentes dos partidos para que se converja num chapão. Particularmente, acho que o chapão seria bom para todos nós. Elegeríamos uns 27, 28 deputados num chapão, com muita tranquilidade, e obviamente teríamos uma tranquilidade maior para trabalhar uma eleição para deputado estadual, eu que estou no PSDB.

Em 1998, a articulação foi feita dentro do seu gabinete, na Câmara. O que mudou?

Hoje, acho que mudou mais… Temos quase os mesmos adversários, mas temos um legado forte. Marconi conseguiu sair muito bem do governo, não está tendo uma mágoa. Acredito que não vai ter nada para poder arrebentar.

A avaliação dele não está ruim?

Não, está batendo 35%, 40% hoje. A medida que vai chegando mais perto, quem tem mais recall acaba ficando mais forte. Isso é o processo que já vi em pesquisas. Em 1998, por exemplo, não tínhamos nem muito recall nem muita coisa. Tínhamos uma esperança, alguém que fez um discurso certo. Tínhamos naquele momento, das 40 maiores cidades, tínhamos umas 30 nossas, as maiores. Trabalhamos nessas cidades das regiões maiores de fora para dentro. Viemos de Porangatu, viemos de Rio Verde, viemos de Mineiros. Dessas cidades que foram as regionais que nos trouxeram para cá.

Hoje tem Goiânia, Aparecida, Formosa, Rio Verde, Catalão, Goianésia.

E quando eu colocar para você que, à exceção de Catalão e Goiânia, que perdemos com índice um pouco maior, todas as outras cidades tivemos 40% e tantos. Ou seja, a nossa militância, as nossas lideranças lá são muito fortes, têm muita força política em cada cidade. Pode ter certeza que, em Formosa, o Tião Carlos vai ter mais votos do que o candidato do Roller. Ele vai dar a vitória para José Eliton lá. Você pega Goianésia, tenho muito respeito pelo Renato, mas a força do Jalles existe lá dentro. Nessas cidades em que não temos os prefeitos, temos a força política de quem já foi ou quase ganhou as eleições. Tivemos um baque em Catalão, que é uma realidade, um pouco em Aparecida e Goiânia, ponto. Mas em todas elas estamos com 40%. Quando você vai para a avaliação eleitoral, a diferença para fechar o bolo é muito pequena para a receita. Aí nós viremos com o interior, com uma massa muito forte. Vamos vir do interior muito bem. Quando viemos do Entorno de Brasília é bem, a gente vem do interior bem. Nessas cidades que você citou, inclusive, vamos bater, ou chegar junto ou perder por muito pouco porque temos uma força grande. Rio Verde, o prefeito não está tão bem avaliado e temos forças políticas fortes lá, o Heuler, o Lissauer. Temos hoje a unidade da oposição ao prefeito ao nosso lado. Essas unidades vão chegar a 40% dos votos. Não temos o prefeito, mas temos a força política. Tem cidades que não temos prefeitos hoje, que perdemos, mas onde as lideranças estão melhores que os prefeitos. É um processo. Essa formatação é que vai conter exatamente essa força política. Catalão, que é uma exceção, mas as outras cidades… Aparecida está redonda. Hoje estamos bem avaliados em Aparecida, em Hidrolândia com o Paulinho. Senador Canedo com Divino tocando obras também. Quem é oposição do Divino lá? Vanderlan e Zélio, os adversários que vão estar conosco, Misael… Quando você pega em Goianira, o Carlão está bem. Lá podemos ter dificuldade, porque o Miller foi um grande prefeito. Ali sim podemos ter um diferencial. Mas quando você vai andando nas cidades, conhecendo e mapeando uma por uma… só se for muito incompetente, porque a força é real.

 

 

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