Entrevista | “Quem começa a ler quadrinhos, nunca mais para de ler”

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Mauricio de Sousa – Cartunista

Manoel Messias Rodrigues

Mauricio de Sousa esteve em Goiânia para inaugurar a Estação da Turma da Mônica, um parque infantil temático com seus personagens no Shopping Cerrado

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Ele não para. Está com 82 anos de idade e, como seus personagens do universo infantil, parece não envelhecer, sempre esbanjando seu sorriso inconfundível. Mauricio de Sousa, após quase 60 anos de carreira, colhe os louros dos visionários que lutaram com afinco e venceram. Sua Mauricio de Sousa Produções hoje é um megaempreendimento com vários produtos vinculados à Turma da Mônica e outros personagens que compõem o imaginário de gerações de brasileiros. E está se expandindo, lançando produtos em outros países, chegando até os confins do Japão. Assim é Mauricio de Sousa, ambicioso, eterno insatisfeito, querendo sempre mais. Ele esteve na semana passada em Goiânia para inauguração da primeira Estação Turma da Mônica, projeto da Mauricio de Sousa AO VIVO – empresa do Grupo Mauricio de Sousa Produções, em parceria com a operadora ETM Brasil. O Centro de Entretenimento Familiar ou FEC (Family Entertainment Center) da Turma da Mônica, termo como são globalmente conhecidos empreendimentos da indústria de parques de diversões, tem 1600 m² e possui atrações inspiradas no mundo das histórias em quadrinhos de Mauricio de Sousa. “Goiânia está sediando a primeira de muitas outras Estações Turma da Mônica que ainda vamos lançar, o que faz desta entrega muito especial. Estamos superentusiasmados com a concretização desse projeto e mais satisfeitos ainda por lançá-lo na segunda cidade mais populosa do Centro-Oeste”, explica Mauro Sousa, diretor da Mauricio de Sousa Ao Vivo, divisão de live experience do Grupo Mauricio de Sousa Produções. Ele acompanhou o pai na inauguração. Antes, Mauricio conversou com a Tribuna. Confira.

Tribuna do Planalto – Mauricio de Sousa Produções continua expandindo. O Senhor pretende estar sempre à frente dos negócios?

Mauricio de Sousa – Durante muitos anos, eu cuidei sozinho, mas fui criando uma equipe de assessores, amigos, profissionais. Então em cada área da nossa empresa hoje há o responsável, o gerente, o gestor que está me ajudando bastante. Senão não dávamos conta, porque hoje temos um estúdio com mais de 400 funcionários, é muita gente. Lamento não estar olhando tudo. Mas, já que não dá, espalhei uma rede de colaboradores, gestores, que permite que a gente continue se expandindo com qualidade, com objetivos mantidos, com filosofia adequada também, como sempre e, com isso, estar alegrando a criançada, a família e o leitor nosso.

Para o tamanho que o país é, o mercado de HQs ainda é muito acanhado no Brasil, ainda há muitos leitores a serem conquistados?

Os quadrinhos, como uma linguagem maravilhosa, universal, que fala com todo mundo, sempre terá como expandir mais e mais, porque é uma leitura fácil, a mensagem você pode colocar com carinho para o leitor. Então eu acho que temos muito chão pela frente ainda e possibilidade de expandir mais ainda. Eu quero entrar cada vez mais é na área da educação com quadrinhos.

As histórias em quadrinhos são uma forma de iniciar novos leitores, especialmente em um país que apresenta baixo índice de leitura como o Brasil, iniciando-os no universo mágico da literatura?

É o primeiro degrau para tudo isso. E é um degrauzinho gostoso, alegre, divertido, é por isso que a criançada curte tanto a Turma da Mônica. E quadrinho simples, infantil pega a criançada, que já se habitua a ler, daí vai para a adolescência já lendo, daí se acostuma com a leitura e já entra na literatura e por aí vai. Quem começa a ler os quadrinhos, nunca mais para de ler.

O acesso de crianças e adolescentes a inúmeras formas de comunicação e entretenimento virtuais de alguma forma reduz o papel das histórias em quadrinhos?

Não. Soma-se. Soma-se. A pessoa que conhece histórias em quadrinhos, as tiras em jornais etc. também vai encontrar em outras plataformas, que nós estamos agora ocupando também, e consequentemente continua o conhecimento, o acompanhamento da Turma da Mônica, os demais personagens também e ao mesmo tempo vão usar o conhecimento para ler mais, para ter mais cultura, conhecimento. E acho que não temos adversários, não temos inimigos, não temos concorrentes fortes que possam cercear o que a Turma da Mônica está fazendo cada vez mais e hoje não só no Brasil, em diversos países também.

Como está o processo de internacionalização da Mauricio de Sousa Produções, lembrando que você acaba de lançar a HQ “Les aventures de Neymar Jr.” na França, Bélgica e Suíça?

Sim. Esse processo de crescimento, temos outros países também, no ano que vem devemos estar nos Estados Unidos, no Canadá, no Japão, então está indo desse jeito. A gente acaba de montar uma empresa no Japão para fazer o que eu faço aqui. Então estamos abrindo o leque de opções para nós usarmos a Turma da Mônica e nossos personagens em geral.

Para esses novos mercados, há grandes adaptações, ou o formato continua sendo o mesmo do universo básico da criança?

Pouquíssimas adaptações. Quando produzimos o nosso material, fazemos já com um jeitão universal para que não tenhamos problemas e não tenhamos muito trabalho de ficar trocando história, trocando texto, trocando temas. Eu quero fazer histórias que toda criança do mundo me entenda imediatamente.

Você se define como um eterno insatisfeito, o que gostaria de ter feito, em termos de grandes projetos, que não fez ainda?

Isso que está em andamento, que é a internacionalização, era um dos meus grandes objetivos. Hoje eu sinto que estamos num passo bom para chegarmos ao que sempre sonhei. Depois disso, eu quero entrar cada vez mais na área de educação, eu quero alfabetizar crianças inclusive de outros países, em suas línguas respectivas, mas com os personagens.

Que sensação o sr. sente de fazer parte do imaginário de várias gerações de brasileiros?

Acho que é a mesma sensação que eu estou sentindo hoje aqui em Goiânia inaugurando a Estação Turma da Mônica no Shopping Cerrado. Olha só essa alegria ambiente, famílias, crianças brincando, esse ambiente, essa alegria que eu quero proporcionar com o uso dos nossos personagens.

O Sr. então se sente um homem altamente realizado por tudo que produziu?

Sim. Até o dia de hoje, sim, amanhã vou querer mais.

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