Entrevista | “Não sinto uma base sólida para defender os projetos do prefeito”

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Samuel Straioto

Integrante do MDB, o vereador Welington Peixoto é um dos poucos que, de fato, integra a base do prefeito Iris Rezende (MDB) na Câmara Municipal de Goiânia. Desde o início de seu mandato, Iris tem tido insucessos no Legislativo goianiense. Nesta entrevista, o parlamentar avalia a fragilidade da base, destaca a insatisfação de vereadores com secretários e analisa com preocupação projetos polêmicos como o que altera a previdência dos servidores municipais em trâmite na Comissão de Constituição, Justiça e Redação da Casa.

Tribuna do Planalto: Em relação de uma composição de uma base do prefeito Iris na Câmara Municipal de Goiânia, é possível realmente ter uma base sólida?

Welington Peixoto:  Nesta semana houve até manifestação de vereadores que são da base, teoricamente são da base, da insatisfação, do tratamento do secretário em relação aos vereadores. Muita insatisfação. Eu não sinto uma base sólida para defender os projetos do prefeito. A gente vê uma base forte quando há alguma reunião com o prefeito, vão lá conversar com ele 22, 24 vereadores, mas em plenário não sinto a segurança dessa formatação da base, há uma grande insatisfação de boa parte dos vereadores quanto ao tratamento dado pelos secretários.

O que os secretários deixam de atender os vereadores?

A reclamação é de que marcam a agenda e não atendem, desmarcam. Os pedidos, os requerimentos para atender a população dos bairros não são atendidos, há uma demora. É esse tipo de situação que é corriqueira. Tanto que os vereadores apresentaram nova insatisfação.

Recentemente tivermos vereadores que teoricamente são da base fizeram um movimento independente. Isso quer dizer que a base ainda não é uma base?

Isso comprova o que falei. Esses vereadores que montaram um grupo independente não são contra o prefeito, querem ajudar, mas precisam ter respaldo do prefeito e de seus secretários.

“Houve reclamação também do Fernando Santana (SMT), do Dolzonan Mattos (Seinfra). São pastas que interferem no dia a dia, que trabalham com obras e precisaria ter um contato mais próximo com os vereadores”

Constantemente a gente vê insatisfação com a Fátima Mrué (secretária de Saúde) e Marcelo Costa (secretária de Educação). A insatisfação apenas com esses dois ou com outros secretários também?

Hoje reclamamos também do Fernando Santana (titular da SMT), do Dolzonan Mattos (titular da Seinfra), são pastas que interferem no dia a dia, que trabalham com obras e precisaria ter um contato mais próximo com os vereadores.

Mas é somente a falta de dinheiro que a prefeitura sempre reclama ou uma questão de relacionamento entre secretários e vereadores?

As duas coisas. Tanto a falta do dinheiro, quanto o relacionamento. Na última reunião que tivemos com o prefeito ele nos garantiu que o tratamento seria modificado, que ele iria conversar com os secretários, para que o vereador fosse atendido e realmente tivesse o respaldo. Não fiquei sabendo se realmente já teve essa reunião com o secretariado.

A instabilidade da base reflete de forma negativo no projeto de reforma da previdência que chegou à Câmara?

Sim. Não só da previdência, mas de outros projetos. É bastante polêmico esse do IPSM (Instituto de Previdência dos Servidores Municipais) precisa de um diálogo maior. Sem a formatação de uma base, vai ficando cada vez mais difícil aprovar este projeto.

Nesta segunda-feira o sr. irá promover uma audiência pública para discutir o projeto. Essa indefinição na base atrapalha as discussões?

Com certeza, se não tem uma base para apoiar, é complicado. Ao fazer a audiência pública queremos dar uma transparência muito maior. Queremos explicar aos funcionários públicos o projeto e chegar num consenso, aprovar o projeto e salvar o IPSM.

A presidente da CCJ, Sabrina Garcez (PTB) está ausente, se casou. O sr. assume a presidência da comissão. Oposicionistas chegaram a cogitar manobra. Houve manobra?

Se eu fizesse manobra, eu não teria mandado nem para a Procuradoria da Câmara, mandava para o relator direto e colocaria para votação na próxima reunião antes de qualquer análise.

Foi maldade da oposição?

Eles querem polemizar. Inclusive soltaram panfletos mentirosos. O Simsed, um sindicato dos servidores da Educação disse que eu iria colocar em votação amanhã (quintafeira), o que não aconteceu. Eu provei e vou dar total transparência ao processo.

Wellington Peixoto é Vereador por Goiânia
Foto: Divulgação

O prefeito demorou mais de um ano para definir um líder, não há uma estabilidade da base. Qual o caminho para se construir a base?

Se começar realmente a atender as demandas dos vereadores, se tiver um relacionamento, diálogo, ver os pontos que os vereadores da base acham em projetos polêmicos. Voltaram os mutirões, poderiam nos atender.

Prestigiá-los?

Sim, tem que prestigiar. Se tiver um mutirão na região, poderia ligar para o vereador e saber se tem demandas. É isso que poderia ser feito. É isso que queremos.

Se não organizar a base, corre risco de o prefeito não ter êxito na composição visando a eleição da Mesa Diretora da Câmara?

Não só da eleição da Mesa, mas também de projetos importantes, mas até mesmo um pedido de impeachment. Se entrar um pedido de impeachment e o prefeito não tiver uma base consolidada, pode ser prejudicial a ele. E mais, uma eleição da Mesa, o presidente eleito é o vice de fato. Se o prefeito for viajar, é o presidente da Câmara vai assumir. Tem que ter este cuidado, tem que trabalhar, já houve pedido de impeachment, o Kajuru chegou a apresentar.

E hoje? Há riscos?

Não, apesar de todos os problemas ainda não há esse risco. Mas, é importante o prefeito estar atento. O pedido feito foi mais político do que técnico.

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