Chapa encaminhada?

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Fagner Pinho

Com articulação de Marcelo Limírio, sogro de Alexandre Baldy, PP se aproxima do MDB na formação da chapa de Daniel Vilela. PRB também conversa. Enquanto isso, base corre para não perder partidos. Primeiro movimento para manter PP foi realizado

Única das três grandes pré-candidaturas que ainda não havia definido parte ou até a totalidade de sua majoritária, a chapa do deputado federal Daniel Vilela dá mostras de que será encaminhada nesta semana. E com forças para colocar mais lenha na fogueira da eleição ao governo estadual deste ano em Goiás.

Ainda em processo de articulação, a chapa se desenha com o reforço de PP, PRB e PHS, partidos com os quais a conversa já está bem adiantada. PSD também negocia, mas o acerto não está tão próximo quanto o dos outros partidos já citados. Já o PR, da deputada Magda Mofatto, observa de longe, mas com um interesse: a negociação da montagem da chapa.

Maguito Vilela e Pedro Chaves

A princípio, a chapa seria composta por Daniel Vilela na disputa ao governo e com o ex -prefeito de Senador Canedo e ex-candidato ao governo estadual nas eleições de 2010 e 2014, Vanderlan Cardoso (PP), na disputa ao Senado. Seu primeiro suplente, inclusive, já estaria com o nome definido: seria o do ex-governador Maguito Vilela (MDB).

A outra vaga ao Senado teoricamente seria do deputado federal Pedro Chaves (MDB), mas ele já avisou Daniel que abre mão da disputa em benefício da candidatura dele ao governo. Com isso, ela estaria guardada para dois nomes: o do deputado federal João Campos (PRB) e o do ex-deputado federal Vilmar Rocha.

Ambos vêm conversando constantemente com Daniel Vilela, sendo que o nome do peerrebista está mais próximo do que o de Vilmar Rocha. Há também a possibilidade de rearranjo da chapa em caso de necessidade, com João Campos seguindo para a vice e outra vaga surgindo para a disputa ao Senado. O cenário está aberto.

Outros três partidos acompanham de perto as definições. Um deles é o PR, da deputada Magda Mofatto, que, por enquanto, não definiu seu posicionamento. Os outros dois são o Democracia Cristã, do secretário de Turismo de Goiânia, Alexandre Magalhães, e o PHS, que já vinha conversando há meses com Daniel.

Leia também: Análise | Caiado, Eliton e Daniel contrariam expectativas

Limírio

Marcelo Limírio

De todos os partidos, o que estaria mais próximo de fechar com Daniel e com o MDB seria o PP. Quem vem realizando as articulações entre os dois partidos – e falando com o aval do ministro das Cidades, Alexandre Baldy, presidente regional do PP em Goiás – é o empresário Marcelo Limírio.

Peça chave na articulação, Limírio tem liberdade para tratar com todos os entes do processo. Em primeiro lugar é sogro de Alexandre Baldy. Em segundo, o empresário é muito próximo de Vanderlan Cardoso, de quem foi sócio em uma empresa de fraldas na década passada. Limírio também tem bom relacionamento com o ex-governador Maguito Vilela e, claro, com Daniel.

Após as articulações, Daniel se reuniu com Vanderlan na última semana e chegaram a um pré-acordo de o ex-prefeito de Senador Canedo disputar uma vaga ao Senado na majoritária encabeçada pelo MDB. Vanderlan vem aparecendo em terceiro lugar em muitas pesquisas e isso teria sido preponderante para que ele resolvesse seguir por esse caminho.

O fato, somado a outros fatores como a rejeição apontada nas pesquisas pelo ex-governador Marconi Perillo (PSDB), e com a proximidade da segunda colocada, senadora Lúcia Vânia (PSB), animou Vanderlan e demais nomes a iniciar as tratativas com Daniel, o que agradaria também a cúpula do MDB em Brasília (DF), uma vez que o PP conta com muitos cargos e nomeações importantes no governo federal.

Outro fator seria a pouca – ou quase nenhuma – resistência que os deputados federais e prefeitos do PP teriam em seguir para o lado de Daniel. O pré-candidato ao governo pelo MDB tem excelente relação com o deputado Heuler Cruvinel, que estaria de olho nas bases de Daniel em Jataí; e muito boa relação com o também deputado Sandes Júnior.

Nome mais experiente do partido, o deputado federal Roberto Balestra, além de ter bom relacionamento com seu colega Daniel Vilela, estaria favorável com a articulação, uma vez que já teve problemas com o governador José Eliton em três oportunidades.

A primeira foi quando teve que deixar a presidência do PP em Goiás para que Eliton assumisse o posto em 2013. Na época, criticou a decisão da cúpula nacional do partido pela mudança. O segundo foi em 2014, quando a sigla teve que se sacrificar para que Eliton se mantivesse na vice de Marconi Perillo, tendo que aderir ao chapão a deputado estadual.

A mudança fez com que diversos candidatos pepistas desistissem do pleito na última hora, entre Abelardo Vaz, atual prefeito de Inhumas, ligado a Balestra. Para piorar a situação, em 2015 Eliton deixa o PP para se filiar ao PSDB.

Resistência

Já as situações de João Campos e de Vilmar Rocha são diferentes. Ambos têm interesse em buscar uma vaga, preferencialmente ao Senado, na chapa de Daniel, mas enfrentam resistência dentro de suas bases: leia-se, junto a deputados estaduais e deputados federais de PRB e PSD.

Dos dois nomes, o do delegado e pastor João Campos estaria mais próximo de Daniel Vilela e do MDB. Ele sairia como candidato ao Senado, deixando suas bases para que o PRB eleja um deputado federal em seu lugar. O nome seria o de Gilvan Máximo, que hoje é suplente de deputado federal.

João Campos (e) e Vanderlan Cardoso (d): dois nomes cotados para as vagas ao Senado Federal

A escolha pelo Senado é algo analisado e bem avaliado pelo partido. Em pesquisas qualitativas e quantitativas, o nome do deputado vinha sendo lembrado na disputa a senador, mesmo não tendo sido aventada essa possibilidade. A explicação, segundo pessoas ligadas a Campos, seria o aspecto religioso de sua candidatura.

Pastor evangélico, João Campos tem excelente relação com diversas nichos das igrejas protestantes e o segmento evangélico ainda não conta com nenhum representante dentre os nomes apresentados, tanto na base quanto na oposição, ao Senado. Estaria aí um ambiente fértil para ser explorado.

O problema para Campos é que os nomes de seu partido têm criado resistência quanto a articulação com o MDB. Na última semana, os deputados estaduais Marlúcio Pereira e Pastor Jefferson, bem como o suplente de deputado federal Gilvan Máximo, se encontraram com o governador José Eliton para declarar manutenção na base.

O mesmo ocorre com o PSD. Vilmar Rocha, que também defendeu publicamente outro nome da base para a disputa ao governo estadual, tem buscado espaço em outras chapas para se candidatar ao Senado, mas enfrenta resistência dos deputados de seu partido, notadamente Thiago Peixoto e Francisco Júnior, os dois cotados para serem eleitos a deputado federal.

O impasse no partido é muito grande e a certeza de que algum dos lados terá de ceder é certa. Thiago ainda postula a vice de José Eliton, mas tem sido vetado pelo próprio Vilmar, com aval do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, sob a justificativa de que o partido tem que contar com o maior número possível de deputados federais eleitos.

Além disso, há de se lembrar que Thiago Peixoto tem uma relação difícil com o MDB, partido que deixou em 2010 para virar secretário da Educação de Marconi Perillo, após ter sido eleito deputado federal nas eleições daquele ano. Diante desta realidade, o PSD acaba ficando mais distante de Daniel.

Reação

Observando a movimentação em terreno alheio, o governo estadual já começou a reagir para manter os partidos, principalmente o PP na base aliada. A principal resposta foi dada já na sexta-feira, 27, quando José Eliton anunciou a saída de Jalles Fontoura da presidência da Saneago, para assumir a coordenação política da campanha do governador.

Com isso, abre-se espaço para que o PP possa indicar um nome para a presidência da empresa de economia mista. Outro atrativo seria a primeira suplência da candidatura de Marconi Perillo ao Senado, que poderia ser ocupada por algum nome do PP. A decisão? Nas mãos de Alexandre Baldy.

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