Superar traumas, revelar dons

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Foto: Divulgação

Jorge Antônio Monteiro de Lima

Qual é seu dom? O que tem facilidade de fazer? Você trabalha com o que gosta? Está feliz com o que faz na vida? Consegue perceber o dom das pessoas que o cercam, o que elas têm de melhor? Como auxiliar crianças e jovens a perceber seu potencial?

No início dos estudos da psicanálise, o foco dos era uma pesquisa intensa sobre trauma e seu impacto psicológico na vida das pessoas. Com o avanço dos estudos, a chegada do conceito de individuação proposto por Carl Gustav Jung, ocorre um deslocamento da idéia de trauma para uma visão desenvolvimentista, de autorealização – uma psicologia dos dons. E qual é seu dom nesta vida?

Em sua prática clínica, Jung percebeu que havia pouca evolução e melhora dos pacientes quando a terapia era focada no tratamento do trauma.

Torna-se um problema da área clínica não auxiliar a pessoa a desenvolver seus dons e habilidades. É importante tratar traumas, ajudar a pessoa a resolver problemas, mas é fundamental ajudá-la a se desenvolver, a se realizar. A base destas ideias está na elaboração do conceito de individuação proposto por C. G. Jung, desde 1909, em suas obras completas.

No atendimento de crianças e adolescentes, um dos focos da terapia é a observação atenta e minuciosa das capacidades, habilidades deles. Na conscientização dos pais e responsáveis sobre estas capacidades para auxiliar crianças e jovens em desenvolvimento. Em paralelo, trata-se traumas e auxilia na solução de demais problemas.

“Devemos tratar os traumas e resolver problemas, mas é fundamental ajudar a pessoa se realizar.”

O trabalho com jovens é feito de forma simbólica e lúdica. De posse dos dons e habilidades, é muito mais fácil lidar com problemas e traumas, que deixam de ser o centro da personalidade. Este é um dos pontos principais que caracterizam a psicologia junguiana como uma psicologia humanista. Uma psicologia que auxilia o ser humano a evoluir dentro do potencial individualizado, particular, na construção de uma identidade genuína. O que você gostava de fazer em sua infância e adolescência? Qual carreira pensava em seguir?

No tratamento de adultos é perceptível a problemática do distanciamento de um indivíduo de seus dons naturais. A crise de individuação é responsável por complicações e adoecimentos psíquicos graves, pela falta de equilíbrio e de paz interior. A neurose constituída por elementos traumáticos acaba tendo como fonte alimentadora o distanciamento do indivíduo de sua própria essência. A pessoa se transforma em um ser apático, triste, melancólico, pessimista, autodestrutivo, preso a problemas e complicações de sua existência.

Pior que o trauma, é a negação dos próprios dons. E você percebe o que lhe faz bem, seus dons? Está em harmonia com eles?

A autorealização é um princípio de evolução psíquica também adotado na visão das religiões. No âmbito da educação e do desenvolvimento humano, a autorealização é a tentativa de melhoria das capacidades individuais. É o esforço, uma busca intensa para que, de fato, possamos encontrar equilíbrio, maturidade, paz de espírito. Para encontrarmos o nosso caminho.

Jorge A. Monteiro de
Lima é analista, pesquisador
em saúde mental, psicólogo
clínico e mestre em
Antropologia pela UFG
Foto: Divulgação

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