Entrevista | “Lincoln tomou uma decisão naquilo que o Pros já vinha caminhando”

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Foto: Alberto Maia

Fagner Pinho

Vinicius Cirqueira (Pros) está em seu primeiro mandato como vereador, mas nem por isso pode ser considerado um político inexperiente. Pelo contrário. Já em sua estreia como parlamentar, conseguiu se eleger 1º vice-presidente da Câmara Municipal de Goiânia, o que o levou a ter boa visibilidade na Casa. Visibilidade esta que serviu como parâmetro para que tomasse a decisão de disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa nas eleições deste ano. Nesta entrevista concedida à Tribuna do Planalto, na quinta-feira, 2, o vereador fala sobre a decisão de seu partido em deixar a base aliada do governo estadual e seguir ao lado da pré-candidatura oposicionista de Ronaldo Caiado (DEM), explica como tem feito sua campanha e avalia a gestão do prefeito Iris Rezende (MDB). Confira.

Tribuna do Planalto:
Como foi a transição das experiências no Executivo, no Conselho Tutelar e na Prefeitura, para o Legislativo?

Vinicius Cirqueira:
É uma experiência muito importante participar do Legislativo Municipal. Você vem de uma experiência do Executivo, da prática do dia a dia, do que realmente é a necessidade do povo, e tenta aplicar na Câmara com a fi scalização do poder Executivo e ao longo da sua atuação. Tenho quatro bandeiras importantes, com as quais sempre trabalhei: criança e adolescente, esporte, habitação e regularização fundiária. E, logicamente, como engenheiro eu posso contribuir bastante com os projetos aqui. Obras paradas, alvará de aceite, projetos de moradia. Essa é a bagagem que trazemos do Executivo, lógico que de uma maneira diferente. Há discussões importantes na Câmara, de leis, orçamentos e, em tudo, tentamos fazer com que essa prática do Legislativo chegue lá na ponta, na população. Temos trabalhado incisivamente para isso.

O que o senhor apresentou de projetos nesse um ano e meio?

Tenho orgulho grande de ser o percursor da criação do arranjo produtivo, primeiro polo industrial de Goiânia, no entorno do aterro. São empresas de reciclagem e lavanderias. Perdíamos essas empresas para algumas cidades por falta de espaço e hoje temos a possibilidade de ter uma usina de aproveitamento dos entulhos para retorná-los à construção civil. É fruto do trabalho da comissão que montamos e da legislação já aprovada. Apresentamos projeto que dá prazo de 90 dias para a Amma conceder a licença ambiental. Antes era uma burocracia muito grande. Outro projeto trata do reaproveitamento de contêineres, que estavam sem legislação e que não poderiam ser reaproveitados na habitação, abrigos do transporte coletivo, salas modulares, postos de emergência. Foi muito elogiado. Tivemos uma série de outras emendas. Estamos brigando para colocar as artes marciais no currículo das escolas municipais e para uso da fiação excedente dos postes de energia, TV a cabo, que é um problema grave. É grande a quantidade de fios não utilizados e essas empresas não têm essa responsabilidade. Temos 33 projetos apresentados, entre eles, alguns para o servidor público, como o dos agentes comunitários de Saúde, que podiam perder o emprego se se mudassem da localidade onde atuavam. Foi um ano e meio de muito trabalho, várias audiências públicas, vários requerimentos apresentados, discussões acaloradas na Câmara. Sempre com um ponto de vista e viés social e popular.

“O prefeito Iris Rezende pegou uma administração muito complexa, principalmente na parte de contas públicas. Hoje, já conseguiu amenizar muito isso”

 

Nesse retorno do segundo semestre, reclamaram do número de vetos do prefeito. Por quê?

Tive dois projetos vetados, um foi o dos agentes comunitários de Saúde. Derrubamos o veto, com articulação, com mobilização da categoria. É normal que o Executivo tenha entendimentos diferentes, mas a Casa tem autonomia de derrubar o veto. Seria salutar para alguns projetos, e gosto bastante disso, dialogar com todas as forças antes de apresentar um projeto. Na área da moradia, nada mais justo que promover audiência pública para ouvir a todos, ouvir o poder Executivo, e que o projeto tenha um viés que contemple as duas partes. Lógico que alguns que não têm jeito, há o embate. Mas temos a autonomia de derrubar o veto.

A atual legislatura é uma das com mais dificuldade na relação com o Executivo. Isso tem atrapalhado? É preciso mais sintonia?

Não. A sintonia deve ser pelo melhor da cidade. Vejo isso com bons olhos. Se há divergência é porque a Câmara não aceita tudo que o poder Executivo propõe ou está executando. É exatamente isso, é o poder que o Legislativo tem. Autonomia para discutir, empenhar, colocar a legislação e a fiscalização. Não vejo com bons olhos quando uma Câmara é submissa a tudo que o Executivo fala.

Como está a pré-campanha a deputado estadual? Tem visitado o interior?

Tenho andado bastante pelo Estado. Conseguimos manter as nossas bases no Estado, ampliamos em Goiânia, na região metropolitana e já conseguimos atingir apoiadores em 105 municípios. A perspectiva é muito boa no partido PROS, que almeja eleger no mínimo três deputados estaduais. Com muito trabalho e o apoio da população do Estado, estou muito feliz e otimista em ser deputado no ano que vem.

Qual será a bandeira nesta eleição?

Primeiro não fugir do que já faço. O esporte, a moradia, a segurança pública, a juventude, os segmentos que me apoiam. Essa bandeira é primordial e tenho certeza que vamos contribuir muito, principalmente, fazendo com que o esporte possa ser um instrumento, uma ferramenta de inclusão social e fortalecer as lutas populares. Um líder comunitário de bairro da periferia de Goiânia assumir uma cadeira na Assembleia Legislativa é motivo de muito orgulho, né? Filho de nordestinos, engenheiro civil. Isso é maravilhoso. Sonho com isso e vou poder contribuir muito com esse Estado.

Como será a chapa de campanha, pura ou com coligação?

A princípio seria uma chapa puro sangue do PROS, e o ponto de corte vai passar pelos 16 mil votos. A estimativa é ter de acima de 16 mil votos para brigar por uma cadeira.

Lincoln Tejota deixou a base aliada e assumiu o papel na chapa de Ronaldo Caiado. A decisão foi acertada? Qual a avaliação do partido?

O partido está muito unido nisso. É uma das decisões mais acertadas do PROS nos últimos tempos. São 20 anos de governo, desse Tempo Novo que não é mais tempo novo. O tempo já se passou, é um tempo velho, são atitudes que há 20 anos poderiam ser novidade para o Estado. Agora, o Estado precisa avançar mais. Temos um índice de violência alarmante, uma companhia de saneamento totalmente sucateada, 28% de volume do Rio Meia Ponte hoje é de esgoto sanitário causado pela própria companhia que deveria fazer o saneamento e falta água na capital. Os índices são alarmantes e há uma série de fatores que apontam a necessidade de mudança. E a mudança, com certeza, vai acontecer, não tem como não acontecer. Tenho andado esse Estado e o sentimento hoje é o de mudar para Goiás avançar.

Lincoln conversou com todos antes de tomar a decisão?

O Lincoln tomou uma decisão baseada no que o PROS já vinha caminhando. Na verdade, quando Lincoln anunciou apoio à chapa a governista, essa, sim, foi muito contrária às bases do partido. A grande maioria dos presidentes do partido em nível estadual já estava comprometida com Caiado por conta do que a gente já estava fazendo. E Lincoln, com muita sabedoria, ouvindo e vendo que o partido estava muito ligado a Caiado, tomou essa decisão. Hoje o partido passou para outro patamar.

Houve ressalva do presidente nacional do partido?

Por necessidade de o partido ter deputados federais, Lincoln teve uma conversa muito importante com Eurípedes Júnior. Conversa assertiva e salutar. O presidente entendeu a o avanço e o crescimento que o partido terá ocupando a vice-governadoria do Estado.

O sr. foi consultado sobre ser candidato a deputado federal no lugar de Lincoln?

Sim, havia a possibilidade de eu assumir essa vaga de deputado federal. Mas pela questão de mulheres na chapa, necessidade da própria chapa do Ronaldo ter mais uma força no Entorno de Brasília, resolvemos lançar a dona Cida como a nossa candidata a deputada federal. Ela é presidente nacional do PROS, tem carisma fora do sério e briga muito nessas questões sociais, principalmente na pauta das mulheres. Por falta de atuação do Estado, hoje temos muitos casos de feminicídio acontecendo. Vamos lutar para eleger uma mulher combativa para a Câmara, o Congresso Nacional. É uma questão importantíssima e terá um peso muito forte na campanha.

Há possibilidade do PP e PRB apoiarem Caiado?

Acredito que PP ficará com Daniel. Até porque se Daniel não tiver um tempo de partido, uma coligação mínima, fica complicado levar essa eleição para o segundo turno. Até por tática eleitoral da própria frente governista, eles têm de fortalecer a outra frente, senão Ronaldo Caiado leva isso no primeiro turno.

A chapa de Caiado já está fechada, sem possibilidade de mudanças?

São todos muito bem-vindos ainda. Há uma chance grande, e estamos falando aqui hoje, de o PDT vir também. Mas pelas conversas de bastidores que tenho visto, creio que o PP deve ficar com o MDB e o PDT venha para a nossa chapa. Tudo ainda pode mudar até o dia 5.

Uma das grandes possibilidades é que Ronaldo Caiado estará no segundo turno, caso haja. José Eliton ou Daniel Vilela seria o adversário?

Bom, creio que a máquina hoje é muito forte, mas o sentimento de mudança é tão grande que não assusta a ideia de ver Daniel e Ronaldo Caiado no segundo turno.

Principalmente se Daniel conseguir fechar com PP e PRB?

Exatamente.

Como está a administração do prefeito Iris Rezende?

O prefeito pegou uma administração muito complexa, principalmente na parte de contas públicas. Hoje, já conseguiu amenizar muito isso e, nos últimos dois meses, já conseguimos ver muita mudança. O prefeito acertou nessas mudanças de secretariado e a perspectiva é a de que a gente coloque Goiânia nos trilhos novamente.

Quais nomes se destacam para a eleição do novo presidente da Câmara, em breve. E, caso não seja eleito deputado estadual, o sr. aceitaria concorrer?

Eleição na Câmara sempre é uma surpresa muito grande. Quem acompanha o histórico de eleição na Câmara, um dia um está muito forte, outro dia aparece alguém do nada. Esse debate, por ser um ano eleitoral, não se afunilou. São 35 parlamentares que podem ocupar a Presidência da Câmara, que podem concorrer e todos são muito capazes, já demonstraram altivez nos debates. A Câmara vem surpreendendo a população goiana positivamente.

Trocaria uma eleição na Assembleia pela presidência da Câmara Municipal?

É uma boa provocação. Ser presidente da Câmara é uma honra, ainda mais uma Câmara que você tem orgulho, mas sou pré-candidato a deputado estadual. Com fé em Deus e muito trabalho, seremos deputado. Não dá para jogar uma eleição fora. O futuro a Deus pertence.

Vinícius Cirqueira Vereador e 1º vice-presidente
da Câmara Municipal de Goiânia
Foto: Alberto Maia

 

 

 

 

 

 

 

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