O jogo das articulações

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Em meio a disputas acirradas, como em uma final de campeonato, partidos encerram etapa de negociações

Samuel Straioto

As Eleições 2018 estão programadas para os dias 7 (1º turno) e 28 (2º turno) de outubro deste ano. Os pré-candidatos ao governo e vários partidos estão em um intenso jogo político. Uma fase da disputa chegou ao final, a de conversações entre lideranças para definição das alianças partidárias, visando uma maior competitividade no processo eleitoral.

Ao longo da última da semana, o jogo político foi duro, intenso e até exaustivo. Usando o linguajar do futebol, ocorreram muitas “bolas divididas”. As candidaturas não queriam perder aliados, pelo contrário, houve uma “intensa marcação”. Ninguém queria perder espaço para o adversário.

Alianças mais robustas, além de demonstrarem força política, signifi cam estrutura para pedir votos na capital e no interior do Estado, e ainda preciosos segundos na propaganda eleitoral no rádio e na televisão, para que haja um pouco mais de tempo para que os candidatos a governador consigam levar a proposta ao eleitor.

O jogo não é composto somente pelos nomes que disputarão o governo, ou os presidentes de partido. Há ainda figuras que querem uma vaga ao Senado e outras que almejam um lugar na Câmara dos Deputados ou na Assembleia Legislativa de Goiás. Há partidos que voltaram as atenções mais para este ponto da disputa eleitoral.

Pelos lados da base do governo, o PSDB conseguiu fechar aliança com um importante partido: o PSD. Ao longo do período pré-eleitoral, o presidente estadual da legenda, Vilmar Rocha, criticou a candidatura de José Eliton pela base aliada. Ele defendia outro nome. Vilmar acenou para a oposição, chegou a conversar, mas ao final não mudou de lado.

Deputados e prefeitos do PSD tiveram peso nas conversações e prevaleceu a opinião deles. Uma conversa entre Eliton e integrantes do partido na terça-feira, 31, colocou fim a dúvidas em relação ao posicionamento que a legenda teria no processo. O PSD disputará mais uma eleição apoiando a base aliada.

Se por um lado o PSDB se deu bem com o apoio do PSD, por outro, perdeu um aliado para o DEM de Ronaldo Caiado. Trata-se do PDT. O partido foi bastante pressionado pelo diretório nacional que pretendia viabilizar um palanque em Goiás para o presidenciável Ciro Gomes, sem que causasse um desconforto a ele. A justificativa é que o PSDB já tem candidato a presidente e o MDB também. Caso houvesse alguma aliança com esses partidos poderia haver um desconforto Ciro, pois haveria divisão de palanque.

PP

No futebol há times modernos que são competitivos, mas que não têm jogadores capazes de dar espetáculo, que jogam sem a bola no pé, marcando territórios, confundindo a marcação adversária. No jogo da política goiana, o PP foi esse tipo de equipe. O partido não teve força e estrutura para lançar um candidato ao governo, mas a participação dele em uma das três principais chapas causou dúvida a muitos.

Presidente estadual do PP e ministro das Cidades, Alexandre Baldy estava em viagem ao exterior e soube “gastar bem esse tempo”. Lideranças da legenda e de outros partidos aguardavam com ansiedade o retorno do ministro ao País.

Baldy retornou. Ao colocar os pés no Brasil, foram telefonemas e mais telefonemas para agendar almoços, jantares para decidir o futuro da legenda. Pressionado pelo presidente Michel Temer, do MDB, o ministro abriu a semana conversando com Daniel Vilela. Baldy também recebeu pressão do presidente da Câmara Federal, deputado Rodrigo Maia, do DEM, para apoiar Caiado.

A noite da terça-feira, 31, foi bastante esperada por deputados, prefeitos e outros integrantes do partido. As lideranças ficaram reunidas em um hotel na Rua 22, no Setor Oeste. A reunião rompeu a noite e avançou a madrugada. O desejo de parlamentares e representantes dos executivos municipais era de uma aliança com o governo. A sinalização de apoio do PP para diferentes lados confundia os participantes do jogo político. O Progressista não estava com a bola no pé, mas indicava onde ela devia ser lançada.

Na última semana em que partidos se organizavam para realizar convenções, ainda ocorreram negociações entre o PRB, do deputado federal João Campos. O apoio da Igreja Universal deu a ele segurança e tranquilidade para adiar ao máximo uma decisão final. Enquanto isso, deputados estaduais ligados à base desejavam permanecer ao lado de José Eliton. A legenda trabalha para eleger três representantes na Assembleia Legislativa.

Já o MDB de Daniel Vilela preferiu a estratégia do treino secreto. O partido se fechou internamente durante o final do período de convenções. Daniel Vilela atuou intensamente nos diálogos com lideranças de outras legendas. As conversas ocorriam tanto em Brasília, quanto em Goiânia. Nenhuma palavra saiu. Ao longo dos últimos dias circularam boatos da possível desistência do emedebista. Na convenção, MDB somou PP e PRB.

Esquerda

O jogo também foi movimentado em partidos de outro campo ideológico. O PCB já havia feito convenção no dia 21 de julho. Marcelo Lira é o candidato ao governo. A última semana começou com alguns partidos já com situação definida. O Psol realizou convenção no domingo, dia 29, e oficializou o nome do professor Weslei Garcia para a disputa a governador.

O PT da pré-candidata ao governo Kátia Maria e o PCdoB da deputada estadual Isaura Lemos conversaram exaustivamente ao longo da s e m a n a p a r a formação de chapa que pudesse garantir espaços para o PT na Câmara Federal, por exemplo, à reeleição de Rubens Otoni e na Assembleia Legislativa, com Isaura Lemos ficando mais quatro anos como deputada estadual.

Excluídos Por fim, ocorreram aqueles que foram retirados do jogo e ficam fora da disputa política em Goiás. Uma das saídas do processo eleitoral foi do jornalista Paulo Beringhs. A direção do partido dele, o Patriotas, retirou sua candidatura, com a alegação que ele não poderia fazer conversações em nome do partido.

Após as convenções, o jogo continua e em um verdadeiro campeonato vai avançando as fases. O próximo passo é o registro de candidaturas, o prazo termina em 15 de agosto. Um dia depois, os candidatos de fato podem começar a pedir votos. A campanha oficialmente será iniciada.

Uma fase bastante atrativa da disputa é o início da propaganda eleitoral no rádio TV, marcada para o dia 31. Os partidos terminaram apenas uma parte da disputa. A bola, ou melhor, a eleição, ainda está em jogo.

 

 

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