Elas no poder

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Samuel Straioto

São duas candidatas ao governo, três a vice e três ao senado. Só. Pouco espaço ocupado para quem tem maioria dos votos

A luta pela participação feminina na política não é nova no Brasil. Desde o final do período imperial, na década de 1880, já reivindicação por participação nos espaços de poder. No final do século XIX, mulher não podia votar nem ser votada. Hoje, em Goiás, a maioria do eleitorado é composta por mulheres, que são minoria quando se trata de participação nas candidaturas majoritárias e proporcionais.

De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cerca de 4,4 milhões de pessoas estão aptas a votar em Goiás nas eleições de 2018. Em relação ao gênero, 52,4% dos eleitores são mulheres, e os outros 47,6%, homens. Em se tratando de candidaturas, a participação feminina é bem inferior à masculina. Proporcionalmente, as chances de eleger mulheres são menores.

Natural, portanto, que as equipes de campanha busquem o voto feminino como ouro. E que aqueles que não têm mulher na chapa majoritária, tratem de arrumar um bom discurso para justificar essa ausência.

Das sete candidaturas que disputam o governo do Estado, apenas duas são femininas: as de Kátia Maria (PT), que também preside o partido no estado, e de Alda Lúcia Monteiro, do Partido da Causa Operária (PCO). Vice-governadoras, há três: a professora Raquel Teixeira (vice de José Éliton), do PSDB, Bruna Venceslau (vice de Marcelo Lira), do PCB, e Erenilda de Assis, ou Nildinha (vice de Weslei Garcia), do Psol.

Para o Senado, o número de candidatas é igualmente inferior ao de candidatos. Apenas Lúcia Vânia (PSB), Geli Sanches (PT) e Magda Borges (PCB) representam as mulheres na disputa pelo cargo. As chapas encabeçadas por Daniel Vilela (MDB) e Ronaldo Caiado (DEM) não têm representação feminina nem para o governo, nem para o Senado.

Baixa representação

Desde 2009, a legislação eleitoral estabelece um percentual de 30% de mulheres nas chapas que concorrem a cargos no Legislativo. Nas eleições de 2010 e 2012, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou um aumento do número de deputadas estaduais, federais e vereadoras, mas, em 2014, esse número caiu, pois uma nova fraude eleitoral ganhou força: o registro de candidaturas laranja: mulheres eram inscritas, mas não tinham votos nem apoio para disputar realmente o cargo eletivo.

Embora as mulheres representem atualmente 52% dos eleitores brasileiros – sendo o mesmo percentual em Goiás -, a representação feminina no Congresso Nacional está bem abaixo disso: 11,3% dos parlamentares. Ao todo, dos 513 deputados, somente 10,5% são mulheres. No Senado, dos 81 parlamentares, 16% são mulheres.

O discurso e a prática da participação

Candidata petista ao governo, Kátia Maria ressalta que no seu partido as mulheres não participam só de quatro em quatro anos para cumprir a cota de 30%, prevista na legislação eleitoral. Ela defende que o PT procura fortalecer a política de empoderamento das mulheres em suas ações cotidianas.

“Temos uma grande quantidade de mulheres na nossa chapa. É uma forma de pautar todas essas questões que fazem parte do cotidiano” Marcelo Lira (PCB), que tem como vice Bruna Venceslau

Exemplo, diz, é o fato de ter sido o primeiro partido a lançar uma candidatura feminina ao governo, a legenda mostra que está à frente das demais na política voltada às mulheres. Essa maior representação é fundamental já que, lembra Kátia, Goiás é o segundo Estado brasileiro em casos de feminicídios.

“Ter mulheres nos espaços de decisão é necessário para que nós, 52% da população e mães da outra metade, possamos ser representadas e ter a oportunidade de fazer diferente do que já está colocado pela cultura do patriarcado. Ter mulheres no 5 poder é o caminho para, mais que não ter as suas vidas interrompidas, possamos viver bem”, afirma.

“Nildinha é militante do movimento agrário, mulher, negra e foi vítima de trabalho escravo. Ela é fundamental para fazer o diálogo” Weslei Garcia (Psol), que tem como vice Nildinha

Vice de José Eliton (PSDB), a professora Raquel Teixeira, em entrevista à Tribuna logo após a convenção do PSDB, explicou que sua trajetória e experiência de vida agregam na coligação. Ser mulher ajuda a atrair segmentos que não se sentiriam assistidos em uma candidatura estritamente masculina. “Ninguém faz nada sozinho. A escolha se deve por agregar novas representações, por ser exemplo de mulher que enfrentou desafios, superou dificuldades”, disse.

“Sonho com um dia em que cada mulher possa ter as mesmas oportunidades de crescer, se desenvolver e ocupar um espaço de poder” José Eliton (PSDB), que tem como vice Raquel Teixeira

Ausência feminina                             

Mesmo sem mulheres em suas chapas majoritárias, Daniel Vilela (MDB) e Ronaldo Caiado (DEM) garantem que, se eleitos, elas terão espaço garantido. “É compromisso meu. Daremos espaço para as mulheres. Espaço que não existe no atual governo”, garante o democrata. E completa: “A competência, força e expertise das mulheres em várias áreas serão fundamentais em nosso projeto para mudar Goiás”.

Caiado lembra que há candidatas a deputadas em sua chapa. “Elas irão engrandecer nossa campanha. Não adianta um governo falar em candidaturas femininas se em seu primeiro escalão não há presença de uma mulher sequer. Um governo que deixou Goiás como terceiro no ranking nacional de feminicídios não tem moral para falar na defesa das mulheres.”

Daniel também faz sua defesa. “As mulheres estão contempladas tanto em nossa chapa, com as candidaturas a deputadas federais e estaduais quanto no nosso plano de governo, por meio de políticas públicas de indução da geração de emprego e renda e de suporte efetivo em áreas como saúde, segurança e no amparo social”, argumenta.

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