A vez dos vices

0
419
Foto: Divulgação

Candidatos a vice-governador rejeitam rótulo de coadjuvante, na eleição ou no governo

Samuel Straioto

Nas eleições ao governo estadual há sete candidatos a governador e, naturalmente, sete postulantes à vice. A principal função desse parceiro de chapa, e de mandato, é ser o substituto imediato do titular do cargo quando necessário. Em Goiás, ao longo das últimas décadas, ocupar esse espaço não tem sido um mau negócio. De coadjuvantes, os vices passaram a ser protagonistas. Na disputa que ganhou as ruas na semana passada, os vice-governadoriáveis já exercem papel ativo. Ajudam o candidato principal a dialogar com a sociedade na busca pelos votos.

No início da década de 1990, Maguito Vilela foi vice do governador Iris Rezende, ambos do PMDB. Na eleição de 1994, Maguito sucedeu a Iris como candidato peemedebista. Foi eleito. Nos anos 2000, Alcides Rodrigues, então no PPB, ocupava a vice de Marconi Perillo (PSDB) no Palácio das Esmeraldas. Em 2006, o líder tucano deixou o governo, Alcides assumiu, buscou a reeleição e venceu. Logo depois, Marconi e Alcides romperam. Eleições 2018: José Eliton (PSDB), vice de Marconi Perillo nos dois últimos mandatos, percorre o mesmo trajeto de Maguito e Alcides. De vice, tornou-se governador e briga por mais quatro anos no governo.

Vice é a pessoa mais próxima do cabeça de chapa. Não precisa chegar ao lugar do titular para fazer alguma diferença. Ainda no período de campanha, o auxiliar pode colaborar na apresentação de propostas, dialogando com a sociedade e somando forças. É válido, portanto, entender os principais fatores envolvidos na escolha de um vice e o papel exercido dentro do processo eleitoral.

De que lado eu vou

Nada de figura decorativa. A importância do vice varia de pessoa para pessoa, defende o deputado estadual Lincoln Tejota. No caso dele, argumenta, seu nome oferece à base de Caiado uma boa chapa para a eleição de deputados estaduais.

Até a reta final do período de pré-campanha, Tejota era da base do atual governo. Recebeu convite de Ronaldo Caiado para ser vice e mudou de lado. Lincoln explica o fato: a decisão de ir para a oposição foi tomada por ele acreditar que o chamado Tempo Novo “está em um processo de esgotamento”. “Quando se encerra um ciclo, é um momento de discussão de novos projetos, de novas ideias. Temos encontrado espaço para isso. Tenho conversado com minha base”, ressalta.

Situação semelhante vivencia o deputado federal Heuler Cruvinel (PP). Até os dias que antecederam as convenções, Heuler fazia parte da base de José Eliton. Trocou de lado e assumiu a vice de Daniel Vilela. Agora tem procurado conversar com os apoiadores, especialmente os prefeitos que compõem sua própria base como deputado.

A justificativa da troca, diz, é o projeto apresentado no MDB. Heuler Cruvinel o considera mais interessante que o do tucano. “Depois de ouvir os três projetos para Goiás, acreditamos na renovação, nas boas ideias. Estamos conversando com toda a base, com o partido, com os prefeitos. Eles têm entendido, têm nos apoiado”, reforçou o candidato em entrevista à Tribuna do Planalto.

Conexões

No senso comum, o vice é um tapa-buracos. Já os candidatos se consideram longe disso. Todos reforçam que estão ativamente na disputa, no papel de articuladores políticos. Além disso, ponto bastante ressaltado por eles, é a afinidade com o candidato ao governo de Goiás. Tanto na eleição, quanto em um possível mandato.

A relação de José Eliton e Marconi Perillo, enquanto vice e governador de Goiás, é exemplo para Raquel Teixeira. A ex-secretária da Seduce, que acompanha Eliton na eleição, afirma que os dois tiveram bastante sintonia e que terá essa mesma afinidade administrativa com o titular da chapa tucana. Ela argumenta que a relação deve ser pautada com experiência, maturidade, capacidade de gestão e com confiança recíproca.

Raquel Teixeira observa que os desafios a serem enfrentados durante e após a campanha eleitoral exige uma dupla afinada. “José Eliton sabe que terá uma grande parceira em mim, uma escolha. A gente vê que em alguns casos não há sintonia. Isso é muito ruim. É preciso harmonia e uma busca conjunta das metas finais”, explica.

Kátia Maria (PT) e o vice dela Nivaldo Santos (PCdoB) estão alinhados, a começar pela profissão. Os dois são professores. Nivaldo salienta que se sente bem ao fazer parte do projeto dos dois partidos que estão unidos em planos nacional e local. O vice ressaltou que conhece o Estado, já viajou bastante por diversas regiões de Goiás.

Ele argumentou conhecer os problemas da sociedade goiana e por isso tem condições de apresentar contribuições na chapa de Kátia Maria. “Viajei por esse Estado desde a juventude, conheço Goiás, sei dos problemas desse estado. Vamos governar para as pessoas, para o povo e atender as reivindicações sociais”, finaliza.

Fato é que os candidatos a vice merecem uma atenção especial. O voto no protagonista, no candidato a governador, automaticamente é dado também ao seu companheiro de chapa.

 

 

 

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here