Deslocamento do ombro deve ser tratado com urgência 

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Foto: Rogério Porto

Para o reposicionamento do membro existem várias técnicas, mas devem ser aplicadas apenas por pessoas capacitadas. Em alguns casos, somente procedimentos cirúrgicos resolvem o problema 

A luxação do ombro geralmente causa dor e é uma situação de urgência ortopédica. O deslocamento do ombro pode ocorrer depois de uma pancada, como um trauma provocado pela prática de exercícios e até com por uma simples “espreguiçada”. Conhecido popularmente como o ombro “sair do lugar”, o deslocamento acontece em todas fases da vida, mas em pessoas jovens é mais comum de ocorrer.

De acordo com as estatísticas, pessoas com menos de 20 anos que luxam o ombro pela primeira vez após um trauma têm cerca de 90% de chance de nova luxação. Após o segundo episódio, o risco é de aproximadamente 100%. Por esse motivo, depois de duas luxações o indicado pelos médicos é a cirurgia. Até porque o tempo e os episódios frequentes de luxação podem causar no paciente uma limitação funcional e a impossibilidade de realizar atividades diárias, como alcançar um objeto ou até colocar o cinto de segurança.

Segundo o ortopedista com foco em ombro e cotovelo do Centro de Ortopedia Especializada (COE Goiânia), Thiago Caixeta, nesses casos os procedimentos cirúrgicos reduzem o risco do ombro voltar a sair do lugar para menos de 5%. “Em alguns casos a luxação do ombro pode vir acompanhada de uma fratura e caso esta apresente um desvio considerável o mais recomendado é fazer a cirurgia para o tratamento da fratura e do deslocamento. Os casos devem ser analisados individualmente, mas todo deslocamento do ombro deve ser tratado como urgência e a atenção deve ser voltada para a recolocação do ombro no lugar”, afirma o médico.

No caso de contusões, quando ocorre pancada ou tombo que machuca os tecidos e músculos sem causar dano ósseo, a região fica dolorida e inchada. Importante é saber que existem técnicas específicas para o reposicionamento do ombro, que são descritas há milhares de anos, desde a época de Hipócrates. Por esse motivo, a pessoa jamais deve tentar colocar o ombro no lugar. É necessário passar por um atendimento médico para que seja verificado se o trauma provocou alguma lesão associada.

O servidor público federal Kenny William Pena, de 33 anos, sofreu uma queda enquanto jogava bola em 2012 e caiu com todo o peso do corpo em cima do ombro. No ano seguinte, machucou o ombro direito também durante uma pelada quando escorregou na grama molhada e caiu com o braço aberto e virado para trás, o que fez o ombro sair do lugar. “Em ambos os ombros, após machucá-los, eles se deslocavam a qualquer movimento mais ríspido, sendo que o ombro esquerdo deslocava com facilidade. Esse eu perdi as contas de quantas vezes saiu do lugar, mas com certeza mais de 30 e o ombro direito mais de oito vezes”, lembra o paciente.

Atendido pelo médico, a primeira tentativa de tratamento foram medicamentos e, em segundo lugar a fisioterapia para evitar novos episódios de deslocamento do ombro. “Em janeiro de 2015 operei o ombro esquerdo e o ombro direito foi em fevereiro deste ano. Ultimamente faço só fortalecimento muscular em academia”, afirma Kenny.

Em deslocamentos mais graves pode haver, inclusive, dano neurológico provocando a lesão do nervo axilar, que é o responsável pela parte lateral do ombro e inervação motora do músculo deltóide. “Em situações como essa, o músculo deltoide do paciente sofre uma atrofia, ficando o ombro mais fino que o habitual e a pessoa perde o movimento de elevação lateral do ombro, comprometendo o seu funcionamento normal”, pontua Thiago Caixeta.

As cirurgias de deslocamento de ombro devem ser indicadas e realizadas por médicos com experiência em cirurgia do ombro. Podem ser feitas por via artroscópica (técnica minimamente invasiva) ou aberta, dependendo de cada caso e das lesões associadas. Após o procedimento, o paciente passa por acompanhamento médico e fisioterápico e pode voltar ao trabalho após aproximadamente três meses. As atividades físicas leves podem ser realizadas após o quarto mês da cirurgia.

 

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