Eleições | Pé na estrada

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Leicilane Tomazini

Disputa acirrada e menor tempo de campanha empurram os candidatos para um velho campo de batalha: as ruas. Desafio é superar a indiferença dos eleitores

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Nem só de tevê, rádio e redes sociais é feita uma campanha. O velho corpo a corpo e o tête-à-tête ainda são as maiores apostas dos candidatos nas eleições de 2018. É o que demonstraram os primeiros dias de campanha oficial, quando finalmente é permitido se apresentar como candidato e pedir o voto.

Da largada, ocorrida no último dia 15 de agosto, até o primeiro turno, em 7 de outubro, são apenas 45 dias – a metade do que era antes – para chamar a atenção do eleitor, que, conforme demonstram as pesquisas, está indiferente. Não dá pra perder tempo. E os candidatos não perderam. Todos colocaram o bloco na rua. Carreatas, comícios, caminhadas fizeram parte da programação da primeira semana de campanha eleitoral em Goiás.

Os candidatos das chapas majoritárias – governadoriáveis, vices e senadoriáveis –, acompanhados pelos candidatos a deputados federal e estadual, percorreram várias cidades do interior, levando suas propostas de governo na busca pelo voto do eleitor. Também participaram de debates e sabatinas em tevês, rádios e na internet.

O problema, notado por todos que acompanharam vídeos das carreatas e passeatas realizadas pelos candidatos e correligionários nos quatro costados de Goiás foi um só: a falta de participação dos eleitores na movimentação. Se por um lado nas caminhadas o corpo a corpo foi timidamente um pouco mais quente, nas imagens divulgadas de carreatas ficou evidente a falta de interesse da população.

“As pessoas passaram a não ter mais nenhum interesse no processo democrático eleitoral. De uma hora para outra, tudo passou a ser uma porcaria”

As equipes de comunicação das principais campanhas ao governo estadual tentam apontar, em vídeos alheios, que a candidatura do concorrente está esvaziada nas ruas, mas a verdade é que praticamente todos os vídeos gravados pelas equipes dos três maiores nomes na disputa evidenciam a aparência desértica das ruas. Camionetes completamente lotadas de candidatos ao governo, ao Senado e à Câmara Federal, bem como à Assembleia Legislativa, acenando para… ninguém. Quando muito para um ou outro gato pingado.

Dose letal

Para o professor de Ciências Políticas da Universidade Federal de Goiás (UFG) Itami Campos, a realidade é que com todo o processo de corrupção que assolou o país nos últimos anos deu uma esfriada no processo democrático. E isso reflete muito na postura das pessoas neste período de campanha política pré-eleição.

“As pessoas passaram a não ter mais nenhum interesse no processo democrático eleitoral. De uma hora para outra, tudo passou a ser uma porcaria e nada mais presta. Com isso, o processo eleitoral foi, de certa forma, castrado. O tempo, que já era curto, foi cortado pela metade. O que restou foi a mídia. As ruas foram esvaziadas”, aponta.

Itami lembra que esta castração somada ao quadro de esvaziamento, crias de todo o processo iniciado em 2013, quando das movimentações populares nas ruas, passando pelo processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff e da Lava Jato, criou um desmonte no processo político da forma como era.

“Creio que o remédio foi maior do que o mal. A dose foi letal. Comícios e carreatas que mobilizavam milhares de pessoas não ocorrerão mais, tal qual como os conhecíamos. Com isso, teremos menos corpo a corpo e as campanhas serão mais ensaiadas na tevê, rádio e redes sociais”, afirma.

Movimentação

Mesmo em meio a falta de reverberação junto ao eleitor, os candidatos continuarão com a campanha nas ruas, em meio a carreatas, encontros e caminhadas. O governador de Goiás e candidato à reeleição, José Eliton percorreu 120 cidades no primeiro fi nal de semana de campanha. A equipe de campanha estima que Eliton tenha alcançado mais de 150 mil pessoas em três dias. E a previsão era que completasse a visita a mais de 200 municípios com as carreatas do segundo fi m de semana.

A coligação ‘Goiás Avança Mais’, integrada por (PSDB, PTB, PSB, PR, PSD, PPS, PV, Solidariedade, Avante, Rede e Patriota), dividiu-se em cinco frentes e alcançou 2 milhões de eleitores nas viagens pelo interior. Foram duas carreatas lideradas pelos senadoriáveis Marconi Perillo e Lúcia Vânia, e uma terceira pela primeira-dama Fabrina Muller e a ex-primeira-dama Valéria Perillo.

O candidato do PSDB participou na segunda-feira, 20, de um evento que reuniu prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e primeiras-damas do Partido Progressista (PP) de Goiás. A reunião na Capital representou o descontentamento dos pepistas em relação à decisão da cúpula do partido de apoiar o candidato do MDB, Daniel Vilela. O próprio José Eliton deu voz aos descontentes. “Tenho convicção plena de que esse gesto aqui, muito mais do que falar pelo partido, fala para Goiás. Aqueles que estão há pouco no PP podem levar a sigla, mas o corpo e alma do partido estão com o Tempo Novo”, enfatizou o governador.

Cumprindo a agenda, José Eliton participou na quarta-feira, 22, da sabatina na Rádio Sagres 730. Na ocasião, o governador afirmou que seu plano de governo trará propostas inovadoras e garantiu manter as conquistas dos governos de Marconi Perillo. José Eliton disse ainda, que seus adversários estão sendo incoerentes em seus discursos – referindo-se a Daniel Vilela (MBD) e Ronaldo Caiado (DEM) – reafirmando seu plano, que segundo ele, é conectado à realidade do Estado.

Oposição

O candidato democrata, Ronaldo Caiado, deu a largada em sua campanha com um comício na cidade de Goiás. Ocupando a primeira posição nas intenções de voto, o senador fez carreatas por 39 cidades, finalizando na antiga capital. A coligação ‘A Mudança é Agora’ dividiu-se em oito frentes, uma delas liderada pela esposa do candidato, Gracinha Caiado, saiu de São Luís de Montes Belos e percorreu outras 21 cidades.

Caiado criticou o atual governo do Estado. O candidato afirmou nunca ter desonrado o voto dos goianos, e reafirmou sua luta contra a venda da Celg e da Saneago. Para o senador, o grupo que “comanda Goiás há 20 anos acaba com a reputação do Estado envolvendo-se em escândalos de corrupção”. Já em Anápolis, sua terra natal, o candidato caminhou pelas ruas da ao lado de seu vice, Lincoln Tejota (Pros), e dos candidatos ao Senado Wilder Morais (DEM) e Jorge Kajuru (PRP).

O candidato do MDB, Daniel Vilela, participou de sabatinas na Rádio CBN Goiânia, jornal O Popular, Associação Comercial e Industrial de Anápolis e na Rádio Sagres 730. Na terça-feira, 21, realizou carreatas que passaram pelos municípios de Edéia, Edealina, Pontalina, Aloândia, Joviânia e Goiatuba, encerrando com uma reunião da equipe Renovação e Juventude, em Aparecida de Goiânia.

Daniel Vilela avaliou suas primeiras atividades de campanha afirmando que está havendo muita receptividade. “Nossa recepção tem sido calorosa. Isso em razão desse desejo dos goianos por uma mudança, por uma renovação, por novos nomes, novas ideias, e nós estamos bastante entusiasmados.”

Kátia Maria, do PT, em sua primeira fase de campanha, realizou caminhadas em Aparecida de Goiânia, no setor Garavelo; no centro da cidade de Trindade e na Avenida César Lattes, em Goiânia. A candidata afirma estar perto das pessoas, caminhando e dialogando, fato que, segundo Kátia, é uma das características do Partido dos Trabalhadores. “Nosso governo vai retomar o desenvolvimento econômico. Tenho orgulho de ser a candidata do Lula, porque vamos fazer por Goiás tudo o que o presidente Lula fez pelo Brasil”, ressalta.

O candidato pelo PSOL, Weslei Garcia, concentrou suas atividades de início de campanha em Goiânia, Aparecida de Goiânia e Valparaíso. Realizou reuniões com lideranças nacionais do PSOL e panfletagem em alguns pontos da capital. Já o candidato Marcelo Lira do PCB, participou de reuniões internas do partido durante a semana. Além disso, discutiu pautas como: sistema educacional goiano e a perspectiva do poder popular; fortalecimento dos Institutos Federais de Goiás (IFG); e agroecologia e agricultura familiar. Além do contato direto com o público, os candidatos dedicaram parte de seu tempo às gravações de seus programas de campanha.

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