Eleições | Partido lá, candidato cá

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Leicilane Tomazini

Decisão de alguns partidos em seguir com a oposição provoca reclamação de candidatos e lideranças das siglas

A menos de um mês das eleições, os candidatos das chapas proporcionais em Goiás, além de lidar com a correria da campanha eleitoral, enfrentam as divergências de apoio partidário. É o caso de nomes do PP e do PRB, por exemplo, que decidiram em convenção apoiar o candidato ao governo pelo MDB, deputado federal Daniel Vilela. Da mesma forma que PDT e PRTB decidiram apoiar a candidatura do senador Ronaldo Caiado (DEM).

Não há problema no fato de os partidos formarem alianças para ganhar terreno no cenário político. O grande entrave disso é que muitos filiados a esses sempre foram da base governista e agora se veem em legendas da oposição.

Mas como os membros desses partidos têm lidado com essa “saia justa”? Alguns acataram a decisão da cúpula partidária e seguem apoiando sua coligação. Outros, – contrariando as expectativas – mantiveram-se firmes na base aliada, indicando que não seguirão e não se comprometerão com os rumos escolhidos pelos partidos.

Gilvan Máximo, fundador e vice-presidente PRB em Goiás, faz parte do grupo que apoia a base governista, mesmo de forma não ofi cial. Mesmo não lançando candidatura nas eleições deste ano – ele, que é suplente de deputado federal, até tentou vaga de suplência a uma das duas vagas ao Senado, em vão – Gilvan ainda exerce certa liderança dentro da legenda.

“Não apoio a coligação Goiás Avança Mais por ser amigo dos candidatos, mas sim pela responsabilidade que tenho com o Estado de Goiás” Gilvan Máximo vice-presidente do PRB

Para ele, “não se deve mexer em time que está ganhando”, e permanecer ao lado de José Eliton e Marconi Perillo é um ato de responsabilidade com o Estado. Segundo Gilvan, “Goiás está indo na contramão de aproximadamente 90% dos estados brasileiros, com folha de pagamento em dia, boas estradas – perdendo apenas para os estados de São Paulo e Paraná – e incentivos como o programa Bolsa Universitária”.

O vice-presidente do PRB afirma ainda que a decisão do partido em se aliar à coligação “Novas Ideias, Novo Goiás”, encabeçada por Daniel Vilela, foi isolada. Segundo ele, o presidente do partido, deputado federal João Campos, não consultou os demais integrantes na hora de fechar a aliança com Daniel.

Em sua luta para manter o partido ao lado da base governista, Gilvan conseguiu manter outros membros dentro desta mesma perspectiva, apoiando o candidato José Eliton, como o prefeito de Nerópolis, Gil Tavares, e o deputado estadual Marlúcio Pereira.

Gil compartilha dos mesmos pensamentos de Gilvan a respeito do atual governo de Goiás. Para ele, “respeitar a base é fundamental para o fortalecimento de qualquer partido, e, portanto, é coerente o apoio a José Eliton para governador e o ex-goverandro Marconi Perillo para o cargo de senador, uma vez que ambos fi zeram muito pelo Estado”.

O deputado Marlúcio Pereira defende também que já conhece o trabalho de José Eliton e, portanto, seria um risco para o Estado eleger outro candidato que ainda não tem projetos defi nidos. Marlúcio ressalta que Goiás, hoje, está à frente de muitos estados brasileiros, citando como exemplo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, que já foram referência nacional em economia e hoje estão em crise.

Quando questionado sobre o posicionamento das lideranças do PRB em relação a essa divisão, Gilvan Máximo afi rmou que o presidente não se opôs aos que quiseram continuar com o apoio à base. Entretanto, reconheceu que os ânimos dentro do partido fi cam alterados, mas isto não impede que sigam na campanha ao lado de José Eliton e Marconi. “Não apoio a coligação Goiás Avança Mais por ser amigo dos candidatos, mas sim pela responsabilidade que tenho com o estado de Goiás”.

Balestra critica decisão do partido

Outro candidato divido entre a direção do partido e a sua própria é o deputado federal Roberto Balestra, do PP. Ele é um dos mais irritados com o rumo tomado pelo presidente da legenda, o ministro das Cidades, Alexandre Baldy.

Ao definir que o PP seguiria ao lado do peemedebista e, com isso, arrematando a vice de Daniel, ocupada pelo deputado federal Helder Cruvinel, e uma das vagas na disputa ao Senado, ocupada pelo empresário e ex-prefeito de Senador Canedo, Vanderlan Cardoso, Baldy ganhou a ira de Balestra, que bradou aos quatro cantos sua contrariedade com a decisão.

“Todo processo político deve ser transparente”, afirma o deputado de Inhumas. Segundo ele, isso não aconteceu na convenção que definiu o rumo do partido nas eleições deste ano. De acordo com ele, apresentaram-lhe um livro de assinaturas com um cabeçalho escrito a lápis, que ele se recusou a assinar. “A comissão decisória é um ato ditatorial, e nós vivemos em democracia, então deve prevalecer a decisão da maioria”, afirma.

Diante disso, Roberto Balestra decidiu ignorar o apoio oficial do partido ao candidato Daniel Vilela, e seguiu com seu apoio à base. Prefeitos e vice-prefeitos do PP de várias cidades, deputados e a senadora Lúcia Vânia manifestaram apoio à decisão de Balestra. O deputado segue apoiando José Eliton e Marconi, reforçando sua insatisfação com a cúpula pepista em não atender à vontade da maioria.

No entanto, Balestra não tem participado das carreatas e dos eventos governistas por cautela, mas tem incentivado aliados como o prefeito de Vianópolis, Issy Quinan, e o prefeito de Inhumas, Abelardo Vaz, a declararem apoio a Eliton e incentivar que outros prefeitos também o façam, como fez Issy há duas semanas, ao convocar uma reunião de prefeitos pepistas e anunciar o apoio de todos ao candidato tucano.

“A comissão decisória é um ato ditatorial, e nós vivemos em democracia, então deve prevalecer a decisão da maioria. Todo processo político deve ser transparente Roberto Balestra (PP) deputado federal”

Já no PRTB, o deputado estadual Charles Bento, também manifestou sua vontade de continuar integrando a base. Segundo ele, sua candidatura continua ao lado dos tucanos. “Estou firme com José Eliton em gratidão ao que ele fez e pela competência que tem demonstrado como governador”, revela.

O PRTB, ao contrário do PP, definiu seu apoio à candidatura de Ronaldo Caiado, embora a grande parte de seus candidatos mantenha uma ligação estreita com a base aliada. Excetuando a figura do presidente Denes Pereira, que foi presidente da Comurg nesta gestão do prefeito Iris Rezende (MDB), em Goiânia, o restante tem ligações com a base.

A começar pelo principal nome do partido, o empresário e candidato a deputado federal Professor Walter Paulo. Walter, que ocupa hoje o cargo de vice-prefeito de Senador Canedo, tem como coordenador de sua campanha seu colega de administração, o prefeito de Senador Canedo, Divino Lemes, que já declarou apoio formal à candidatura de José Eliton.

Entende

O apoio do PDT a Ronaldo Caiado também trouxe descontentamento entre os membros do partido. Os correligionários são categóricos ao afirmar que não foram consultados para a tomada de decisão, e se mostram contra essa imposição. De acordo com a deputada federal Flávia Morais, a decisão advém de uma orientação de Carlos Lupi, presidente nacional da sigla. Mesmo assim, alguns afiliados ao partido seguem apoiando o PSDB de José Eliton e Marconi.

Karlos Cabral, deputado estadual representante do sudoeste goiano, é um deles. Ele reforça que seu partido sempre integrou a base do governo. Por isso ele continuou mantendo sua decisão de continuar apoiando a candidatura de José Eliton.

No entanto, ao contrário de Balestra e Gilvan Máximo, Cabral entendeu as decisões e deliberações partidárias. Pare ele, estas devem ser tomadas levando em conta o que for mais favorável à candidatura majoritária do partido em nível nacional, dessa forma, o PDT procura um lugar onde seja possível construir um palanque para o candidato a presidência Ciro Gomes.

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