Artigo | Independência é de morte!

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Foto: Internet

Jorge Antônio Monteira de Lima

A história do Brasil deveria ser revista. Por estas bandas jamais deixamos de ser Capitanias hereditárias, onde meia dúzia de famílias detêm o poder em nome de El rei. As oligarquias, de forma tosca e ignorante, visando sua manutenção no poder, perdem muito dinheiro tendo de se proteger da vida, do contato, das pessoas. Vivem miseravelmente em um bolsão de insegurança, propagando que armas, castelo com fosso, campo minado lhes traria segurança em um mito infantil de profunda imaturidade afetiva. Quem muito foge ou se esconde tem dentro de si um demônio avassalador chamado consciência.

Não sou filiado a nenhum partido, gosto de política e dos meandros do jogo de poder, por muitos sou considerado um coxinha por ser um crítico do estado brasileiro. Em especial, pelo fato de hoje existir uma gigantesca incoerência de ideologia, entre o discurso e a prática existe um abismo. Em minha prática profissional, diariamente lido com pessoas em sofrimento e conheço bem a realidade da vida, do desemprego, da falta de educação e saúde, do estado que promete melhorias e aumenta impostos, visando enriquecer políticos e seus comissionados.

O projeto de distribuição de renda por estas bandas eclode em milionários virando bilionários e a população endividada, presa nas teias do crédito e nas promessas de bonança que não existiram, vide os números da economia. Criaram 10 milhões de empregos, que agora somam 30 milhões de desempregados. E bancos, empresas de telefonia, empreiteiras, grandes montadoras seguem esbanjando fortuna.

Quando El Rei distribui o Brasil a colonizadores, dividindo o território em áreas distintas, não sabia que selaria o destino de uma nação. Jamais deixamos de ser capitanias hereditárias. As oligarquias hoje se consolidam e seus capatazes, a raça dos políticos, presta-se a manter este projeto de Brasil Colônia, que se diz independente, mas tem sua economia comprometida por um jogo escravagista que nega à população possibilidade real de crescimento.

Dando nome aos bois, basta olhar nos partidos políticos nomes ancestrais, políticos de carreira, que aí estão há décadas, envolvidos com corrupção, trabalho escravo, latifúndios, projetos de enriquecimento. Deixam claro para nós que existem substitutos quando em uma eleição trocamos os coronéis por duas ou quatro famílias que se alternam no poder neste sistema coronelista atual. Temos tecnologia, temos melhoria em alguns pontos da sociedade, mas o poder continua o mesmo. Os velhos nomes de sempre que se travestem de novidade, o ladrão que jura ser ético, o ditador que finge ser democrata, e o tolo do eleitor que se permite ser enganado trazendo o bandido para dentro de sua casa.

Foto: Divulgação

Existiria mudança se existir renovação. Mudar dos mesmos de sempre para novas pessoas, preferencialmente as de partidos menores. É hora de pensar, refletir e de se perceber como quem dá a arma para o bandido quando o cidadão vota em um político tradicional, viciado em poder, envolvido em escândalos e falcatruas, mas o bandido. Título de eleitor é brevê de otário. É fundamental sair deste ciclo se queremos liberdade e de verdade independência.

Jorge Antônio Monteiro de Lima é analista, pesquisador em saúde mental, psicólogo clínico, músico e mestre em Antropologia Social pela UFG. Site: www.jorgedelima.com.br  

 

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