Canção homenageia cordelistas e o seu oficio, reconhecido semana passada como Patrimônio Cultural Brasileiro

“A Mala do Folheteiro”, de Marcus Lucenna e Klévisson Viana, cita cordéis antológicos que recheiam as bolsas dos vendedores de folhetos

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Foto: Divulgação

No momento em que celebram o reconhecimento, na semana passada (19/9), do seu ofício como Patrimônio Cultural Brasileiro pelo Iphan, os cordelistas ganham uma homenagem musical do poeta-cantador Marcus Lucenna em seu novo álbum, “Marcus Lucenna na Corte do Rei Luiz”, lançado recentemente. É a canção “A Mala do Folheteiro”, a 13ª faixa do CD que faz referência ao universo da literatura de cordel.

Composta em parceria com Klévisson Viana, a canção cita cordéis antológicos, como “O Romance do Pavão Misterioso”, “A Vida de Pedro Cem”, “O encontro de João Grilo com Pedro Malazarte”, “As perguntas do Rei e as respostas de Camões”, além dos romances de bravura sobre vaqueiros valentes e seus amores. Tudo isso como conteúdo que recheia as tradicionais malas de couro usadas por cordelistas ou vendedores de cordéis (ou folhetos) para levar seu produto para ser comercializado em locais públicos das cidades.

“É uma música que homenageia e fortalece a imagem dessa personagem tão importante da nossa história, que é o vendedor de folhetos, que pode ou não ser cordelista. A tradição é saber vender e recitar. Muitas vezes o folheteiro abre sua mala em uma feira e se torna a principal atração em meio àqueles que estão ali para negociar, comprar e vender. Antes de existirem grandes sistemas de comunicação, antes do sertão ter jornal, quem propagava as notícias eram os folheteiros”, explica Marcus Lucenna, que, assim como o coautor da canção, é cordelista e membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC).

Patrimônio Cultural 

A decisão de tornar a literatura de cordel Patrimônio Cultural Brasileiro foi tomada na manhã desta quarta-feira (19/9), por unanimidade, por um colegiado reunido no Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro. A reunião também contou com a presença do Ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, da presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Kátia Bogéa, e do presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, Gonçalo Ferreira. O reconhecimento foi referendado pelo colegiado depois de um amplo trabalho de pesquisa sobre essa manifestação cultural em território brasileiro. Na condição de cordelista, Marcus Lucenna também contribuiu com o trabalho prestando depoimento sobre o gênero.

Apesar de ter começado no Norte e no Nordeste do país, o cordel hoje é disseminado por todo o Brasil, principalmente por causa do processo de migração de populações. Hoje, circula com maior intensidade na Paraíba, Pernambuco, Ceará, Maranhão, Pará, Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe, Bahia, Minas Gerais, Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo. Em todos estes estados é possível encontrar esta expressão cultural, que revela o imaginário coletivo, a memória social e o ponto de vista dos poetas acerca dos acontecimentos vividos ou imaginados. Fazem parte da cadeia produtiva do cordel poetas, declamadores, editores, ilustradores (desenhistas, artistas plásticos, xilogravadores) e folheteiros (como são conhecidos os vendedores de livros),

A música já está nas principais plataformas de streaming, como Spotify e Deezer, integrando o novo álbum de Marcus LUcenna, com o qual celebra seus 30 anos de carreira, que serão completados em 2019. A efeméride faz referência ao primeiro LP (Cantolínia Psicordélica), lançado em 1989 pela PolyGram, uma das maiores gravadoras do mundo à epoca.

No novo álbum, com 15 faixas, Marcus Lucenna reúne regravações em novos arranjos de sucessos autorais, de canções compostas em parceria com outros artistas e de clássicos do forró de compositores que lhe serviram de inspiração, como Luiz Gonzaga – cuja morte também completará 30 anos em 2019. Militante da cultura popular nordestina, Marcus Lucenna escolheu o repertório com vistas a refazer musicalmente as suas jornadas de vida e artística, que se misturam à história do forró e se entrecruzam com figuras importantes do gênero.

 

 

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