Caso Marielle Franco é destaque da maior campanha de direitos humanos do mundo 

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Foto: Internet

Na próxima quarta-feira (10/10), a Anistia Internacional lança no Brasil sua maior campanha global na promoção dos direitos humanos, a Escreva por Direitos (Write for Rights). Em 2018, o foco será em mulheres, gênero e em defensoras de direitos humanos, destacando que a discriminação, o abuso, a intimidação e a violência afetam de forma desproporcional as mulheres e, em particular, as mulheres que se posicionam publicamente na sociedade. Como foi Marielle Franco, reconhecida defensora de direitos humanos e vereadora assassinada em março deste ano, no Rio de Janeiro.

“Sete meses após o assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, é fundamental que continuemos firmes exigindo respostas, pressionando para que os verdadeiros responsáveis sejam identificados e levados à justiça. A história de vida de Marielle, dedicada à defesa de direitos humanos, agora se junta à história de mulheres de outros nove países que lutam incansavelmente por um mundo mais justo. Queremos que estas mulheres sejam apoiadas e que estes exemplos inspirem ainda mais as pessoas a lutar por direitos”, disse Jurema Werneck, diretora executiva da Anistia Internacional Brasil.

Nove dos dez casos escolhidos são de mulheres ativistas, e o décimo é de uma comunidade no Quênia, cujas mulheres estão sendo impactadas pela expulsão de suas terras ancestrais. Além de Quênia e Brasil, há casos da Ucrânia, Marrocos, Venezuela, África do Sul, Quirguistão, Irã, Índia e Vietnã. Com exceção de Marielle Franco, assassinada há sete meses, as mulheres e ativistas que fazem parte da campanha seguem atuando em seus países, muitas em situação de risco. A campanha irá mobilizar pessoas no mundo todo em apoio a estas ativistas, dando visibilidade aos casos e celebrando o papel destas mulheres que levantam suas vozes contra as injustiças e lideram processos de transformação em seus países.

Neste ano, a campanha durará cinco meses, iniciando oficialmente no dia 10 de outubro e terminando no dia 8 de março de 2019, Dia Internacional da Mulher. O processo vai envolver apoiadores e apoiadoras da Anistia Internacional, profissionais da educação e grupos de ativismo na realização de atividades, que podem ser desde uma aula temática em uma escola até um evento público em uma praça ou café. Os eventos serão registrados através da Plataforma Escreva por Direitos – www.escrevapordireitos.anistia.org.br, onde é possível também ter mais detalhes de cada caso.

Escreva por Direitos nas escolas

A campanha Escreva por Direitos incentiva a organização de atividades em escolas como parte do processo de formação e conhecimento das pessoas sobre seus próprios direitos, tornando-as informadas sobre a importância da solidariedade e da mobilização na promoção de direitos humanos. A Anistia Internacional vai disponibilizar digitalmente um Guia de Atividades para Educação em Direitos Humanos abordando seis dos 10 casos escolhidos, entre eles o de Marielle Franco. O documento será divulgado online e nas redes sociais, e foi elaborado especialmente para uso de profissionais da educação, assistentes sociais e agentes comunitários. Em 2017, mais de 23 mil educadores tiveram acesso a material similar e relataram que o uso foi de grande utilidade na condução de atividades educacionais dentro e fora da escola.

“Fico feliz de saber que a vida de minha filha Marielle Franco vai servir de exemplo para as crianças do Brasil e do mundo. Marielle sempre liderou processos transformadores na escola, na igreja, nos projetos em que participou, sempre com o pensamento de ajudar o próximo, acreditando que a organização coletiva de base solidária poderia transformar o mundo. Ao fazer pelo outro ela se sentia bem. Esperamos que mais pessoas sejam assim e lutem como a minha filha pelos direitos humanos”, disse Marinete da Silva, mãe de Marielle Franco.

Sobre a Escreva por Direitos

A primeira Maratona de Cartas aconteceu em 2001, quando um pequeno grupo de ativistas da Anistia Internacional na Polônia decidiu apostar quem escreveria o maior número de cartas pela libertação de pessoas presas injustamente em diversos países. A iniciativa durou 10 dias, gerou milhares de cartas, e essas cartas fizeram uma grande diferença ao pressionar as autoridades. Nos anos seguintes, a Maratona tomou proporções globais, agregou elementos de Educação em Direitos Humanos e se tornou a campanha mais importante da Anistia Internacional e o maior evento de direitos humanos do mundo.

Todos os anos, a organização seleciona casos de pessoas e comunidades vítimas de violações de direitos humanos ou em risco iminente de sofrer violações ao redor do mundo, e convida apoiadores, apoiadoras e ativistas a entrarem em ação por esses casos. Atendendo ao chamado de ação e solidariedade global, pessoas planejam e realizam atividades diversas, mobilizando suas comunidades, suas famílias, seus amigos e amigas, a escreverem e assinarem cartas, manifestando solidariedade e pressionando as autoridades por justiça.

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