Artigo | Professor: agente de Transformação Humana

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Foto: Internet

Ronaldo Cavalheri

Em um momento no qual se fala tanto de transformação digital, no qual a tecnologia imprime um ritmo de mudanças de comportamentos nunca visto antes, será que não estamos deixando em segundo plano a transformação que de fato vai ditar os novos rumos do mundo? Parece óbvio, mas não é. Além de não ser nada fácil. Falo de transformação humana. Falo das pessoas que continuam tendo emoções e estímulos com os novos movimentos. É muita novidade em tão pouco tempo. Nos últimos anos, a tecnologia de uma forma ou de outra foi inserida no dia a dia da grande parte da população, o que reflete em novas condutas e um jeito novo para se fazer muitas coisas. Hoje cinco gerações com perfis completamente diferentes, e logo com visões de mundo também diferentes, compartilham o mesmo espaço. E daí vem os conflitos geracionais e falta de empatia.

Falo de um mundo conectado pela tecnologia, mas de total desconexão entre as pessoas. Enquanto a evolução tecnológica aponta em uma curva exponencial ascendente, a evolução humana (ou o seu antônimo), representada pelos nossos comportamentos, parece formar uma linha contrária. Como mudar isso? Ainda mais no momento importante e delicado de eleições que passamos no Brasil, no qual temos que tomar uma decisão sobre o futuro do país e nosso futuro. E vejo que os próximos governantes irão assumir papéis muito importantes nesse processo de mudanças, mas o trabalho deles não será suficiente, eles não são em número suficiente.

E aí acredito ter, talvez não a única, mas uma importante e impactante resposta. Podemos mudar pela educação. E com certeza agora vem à sua mente que esse é mais um discurso batido. Tento me explicar. Se falo tanto de humanização, não tem como não personificar a educação pela figura do professor. Segundo Censo Escolar de 2017, somente no ensino básico temos mais de 2,2 milhões de educadores. Se formos considerar um efeito em cadeia, olhe a progressão geométrica na qual cada professor impacta dezenas de alunos, e se esses por sua vez assumem o seu papel de contribuição na sociedade, de fato conseguimos uma transformação humana. O professor é um líder e seu principal papel é formar outros líderes. É um efeito multiplicador.

“Falo de um mundo conectado pela tecnologia, mas de total desconexão entre as pessoas. Enquanto a evolução tecnológica aponta em uma curva exponencial ascendente, a evolução humana (ou o seu antônimo) representada pelos nossos comportamentos parece formar uma linha contrária”

Agora aumento a responsabilidade desse profissional, que tem o desafio diário de promover o conhecimento e as experiências para que seus alunos estejam preparados para a vida. Será que a maneira como esse professor está conduzindo as suas aulas é a forma mais adequada para promover uma transformação humana? O meu universo é a educação. E eu me sinto uma pessoa totalmente privilegiada por poder promover um ensino com foco no ser humano e na transformação de suas vidas. E posso garantir para você que isso não depende de estrutura, de dinheiro, nem mesmo de formação. E sim, da maneira como enxergamos nossos alunos. Estamos tratando com pessoas, logo antes de dominar os conhecimentos de Matemática, de Biologia ou de qualquer outra matéria, precisamos saber lidar com pessoas. E essa é a chave que precisamos virar para ter uma educação mais signifi cativa e que de fato vai impactar vidas. Quando falamos de educação estamos nos referindo ao topo da pirâmide de valor, sim é algo transformador, é transcendente.

O papel do professor não se limita a transmitir conhecimentos. Ele deve ser um facilitador no processo de aprendizagem. Se falamos de transformação humana, os ensinamentos com avaliações objetivas com foco para tirar notas e passar de ano não fazem nenhum sentido. Cito John Dewey que diz: “a educação é um processo social, é desenvolvimento. Não é a preparação para a vida, é a própria vida.” Logo, se trazemos a realidade para a sala de aula não podemos deixar de fora o elemento humano. Em um plano de aula passa a ser obrigatório desenvolver habilidades socioemocionais e competências essenciais para a vida em sociedade. Antes de promover isso nos alunos, os professores precisam ter essas habilidades afloradas e, cada dia, precisam exercer mais sua liderança em sala de aula e servir de espelho.

Ronaldo Cavalheri é CEO do Centro Europeu, primeira escola de Economia Criativa do Brasil.

O aprimoramento das habilidades de comunicação, criatividade, resolução de problemas e gestão de conflitos são essenciais para uma melhor fluidez das aulas. O relacionamento interpessoal, trabalho colaborativo, a flexibilidade e a empatia passam a ser imprescindíveis para uma experiência mais humana. E a busca por novos conhecimentos, o bom humor e a automotivação combustíveis indispensáveis para encarar todas as mudanças que ainda virão. O professor deve ser o profissional mais valorizado pela nação e estando melhor preparado e alinhado com o movimento de mudanças, conseguirá maior engajamento e tocar profundamente seus alunos rumo a transformação humana. É o efeito multiplicador.

 

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