Problemas de visão podem tornar o mundo da criança limitado

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Foto: Internet

O número de crianças com distúrbios visuais vem crescendo nos últimos anos. De acordo com estudos do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), eles afetam cerca 20% das crianças em idade escolar. Isso significa que de cada quatro estudantes infantis um sofre algum problema visão. As doenças oculares mais comuns em crianças são os erros de refração (miopia, hipermetropia, astigmatismo), estrabismo, catarata infantil, glaucoma congênito, traumatismos ou emergências,  retinopatia da prematuridade (ROP), podendo causar a ambliopia (cansaço nos olhos), conforme dados da Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica.

O Brasil tem cerca de 29 mil crianças cegas, segundo a Agência Internacional de Prevenção à Cegueira. De acordo com o médico oftalmologista Henrique Rocha (CRM 14844 GO), diretor da Olha! Clínica Oftalmológica e sócio do CBCO (Centro Brasileiro de Cirurgia de Olhos), se as doenças oculares fossem tratadas precocemente, com consultas regulares, esse número seria bem menor. A OMS (Organização Mundial da Saúde), relata que 60-80% das doenças oculares poderiam ser tratadas ou curadas, se tivessem sido diagnosticadas precocemente.

Ele esclarece que a visão da criança vai se desenvolvendo até atingir a mesma capacidade que a de um adulto, o que ocorre em torno dos dez anos de idade. “Como isso acontece? A luz tem que cair na retina para o nervo ótico levar essa imagem à parte occipital do cérebro e assim desenvolver a visão”, explica o médico. Após os 10 anos de idade, se o distúrbio não for verificado, existe a possibilidade da criança desenvolver a chamada ambliopia, que é o famoso olho cansado, que não tem potencial de 100% da visão. “Passada a idade, não é possível reverter o quadro”, alerta.

Henrique Rocha pontua que a prevenção e os cuidados com a saúde dos olhos começam assim que o bebê nasce, com o teste do olhinho. O exame, feito no primeiro mês de vida, irá diagnosticar se o recém-nascido tem alguma alteração na retina, no cristalino, córnea, glaucoma congênito, catarata congênita, retinoblastoma que podem ser detectados no início.

Segundo Henrique Rocha, um dos reflexos dos distúrbios da visão nos primeiros anos de vida é o mau desenvolvimento das crianças na escola. “Os pais podem pensar que seu filho é hiperativo ou ter algum outro tipo de distúrbio, por não conseguir concentrar e acompanhar a escola. sendo que na verdade poderia ser somente um erro refracional ( grau), ou seja, um simples óculos poderia ajudá-lo. Por isso, ir ao oftalmologista para ver esse tipo de problema é muito importante”, esclarece.

Celulares e tablets

O excesso de visão de perto está causando um aumento no número de míopes no mundo. Com as crianças não é diferente, principalmente pelo uso exagerado de celulares e tablets. “Isso faz com que a construção estrutural do olho mude, podendo desenvolver a miopia e se não for diagnosticada, pode causar ambliopia, o que é muito sério”, alega o oftalmologista.

Apesar de existir diferentes casos de estrabismos, Henrique Rocha ressalta que crianças podem ter o quadro revertido fazendo tratamento com óculos, oclusão, ortoptia, que é uma fisioterapia ocular, e cirurgia.

Crianças e adolescentes com astigmatismo podem desenvolver ceratocone, doença séria e degenerativa que ocorre geralmente na idade da puberdade. O acompanhamento médico e exames constantes, como o exame de córnea, se fazem imprescindíveis, já que a doença pode levar ao transplante de córnea para tentar reverter a cegueira.

O médico oftalmologista diz que os pais devem ficar atentos à alguns sinais que as crianças apresentam como olhos que não se movem ao mesmo tempo, quando evitam as luzes brilhantes, sentem tonturas ou perda de equilíbrio, têm náuseas ou perda de apetite, ir contra as coisas com frequência, franzir os olhos ou pôr a cabeça de lado, sentar-se muito perto da televisão e esfregar os olhos com frequência.

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