Entrevista | Luiz Carlos do Carmo: “Caiado fará uma administração austera”

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Deputado estadual pelo MDB por dois mandatos, Luiz Carlos do Carmo foi eleito suplente do senador Ronaldo Caiado e vai assumir uma cadeira no Senado nos próximos dias. Sua principal bandeira é o combate a corrupção e em seguida, mudanças no código penal para punir principalmente os latrocidas. Há seis anos, o senador teve sua fi lha mais velha assassinada por ladrões de carro e quer garantir que esse tipo de crime seja pago com pena integral, ou seja, retirar a regressão de pena para o latrocínio. Evangélico, disse que será senador dos goianos e não de uma religião. Sobre o MDB, ele quer que o partido seja reunifi cado e reerguido e diz que Daniel Vilela errou ao não apoiar Ronaldo Caiado e que o MDB saiu menor do que entrou na campanha de 2018.

Tribuna do Planalto – Qual a bandeira que o senhor defenderá no Congresso Nacional?

Luiz Carlos do Carmo – Vou defender várias bandeiras. A primeira delas é o combate à corrupção. A corrupção, mata a saúde, mata a educação, mata a segurança pública e mata o país. Então, diminuindo drasticamente a corrupção já estamos fazendo uma grande coisa pelo Brasil. Depois do combate à corrupção, vem a geração de emprego. Não é possível estar como hoje e o Brasil ter 14 milhões de pessoas desempregadas. A melhor coisa que um governo pode fazer para um pai de família é gerar empregos. Para isso nós não temos tempo para fazer. Temos que fazer imediatamente.

De que forma esses empregos seriam gerados tão rapidamente?

Na minha condição de empresário, que eu vejo, para girar a economia rapidamente tem que ser com a construção civil. A construção civil gera emprego para o pedreiro, para o servente, para o engenheiro, para quem faz os tijolos, a areia, o cimento. É nisso daí que precisamos bater duro. Não temos de ter prazo. A economia será destravada nesse primeiro momento com a construção civil. Tem várias formas, mas a construção civil é que responde de forma mais imediata.

De que forma combaterá a corrupção?

Primeiro, para combater a corrupção tem que vigiar de perto. Criar um sistema rigoroso de fiscalização. A justiça tem de agir e rápido. Eu, por exemplo, tenho a ideia de criar uma justiça específica para eliminar e combater a corrupção. Desde a denúncia até o final do processo, resolver tudo em seis meses. É inocente ou não é. Sou adepto de uma frase do nosso líder do MDB, o saudoso Ulisses Guimarães. Ele dizia: “Não pode roubar, não pode deixar roubar e tem de prender quem roubar”. Eu acrescentaria mais um elemento: bloquear os bens de quem roubou. Pegar o dinheiro de quem roubou rapidamente, porque daí as pessoas vão perder o interesse em desviar recursos públicos. Os corruptos terão medo.

Mas o senhor fala algo difícil. A lei brasileira impede isso…

Para isso eu fui eleito. Para isso foram eleitos vários deputados e senadores novos. Temos que mudar essa lei de imediato. Olha, se quiser mudar uma lei – eu fui deputado –, dentro de um mês você muda uma lei. Se os deputados estiverem de acordo, os senadores e o governo, nós mudamos essa lei muito rápido e tem que ser urgente. Nós não podemos demorar com isso, não tem como. Dinheiro do povo não pode ser roubado.

Por ser evangélico, o senhor fará parte da Bancada da Bíblia?

Eu sou senador pelo Estado de Goiás, eu represento o Estado. Eu sou senador de todo mundo, dos evangélicos, católicos, espíritas. De todo mundo. Agora, eu tenho um princípio evangélico, eu vou defender a bandeira da família, o não ao aborto e a várias coisas. Mas eu quero ser o senador do Estado de Goiás para a população do Brasil, para as pessoas do Brasil terem melhor qualidade de vida e terem emprego. O principal fato não é o parlamentar ser evangélico ou não. É trabalhar pelo que o povo quer. E o povo quer combate a corrupção e emprego. Como arrumar emprego, como acabar com a corrupção. É isso. Precisamos primeiro resolver esses problemas seguido do problema da violência.

O senhor é suplente e, para assumir o cargo, não teve votos. Como analisa isso no Congresso Nacional?

Gostei dessa pergunta. Quem falou que não tive votos?

O senhor teve? 

Tive. Eu tenho um diploma em casa com 1,3 milhão repassado a mim pelo Tribunal Regional Eleitoral. Estou amparado pela legislação eleitoral que determina a posse do suplente e tomarei posse de um cargo que é meu de direito e de fato. Além do mais, eu ajudei o senador Ronaldo Caiado a ser eleito no Senador e no Governo de Goiás. Com a minha base construída em dois mandatos de deputado estadual eu trabalhei duro para eleger Ronaldo Caiado e a mim como suplente. Isso não é problema para mim. Eu tenho um mandato conquistado no voto e amparado pela lei.

“Vou defender várias bandeiras. A primeira delas é o combate à corrupção. A corrupção, mata a saúde, mata a educação, mata a segurança pública e mata o país”

Iris Rezende que indicou o senhor?

O partido me indicou. Como Caiado e o MDB estavam juntos desde outras eleições o partido fez a indicação. Eu abri mão do meu projeto de reeleição para deputado estadual para ajudar neste projeto do Senado. Serei um senador autêntico. Caiado foi o melhor senador que Goiás já teve, mas eu terei meu estilo e trabalhar para ser o melhor senador que posso ser. Meu estilo é trabalhador e conciliador. Eu vou atrás de conquistas para Goiás e para o Brasil.

Na sua opinião, o MDB acabou?

O MDB é um partido muito grande. Precisa se renovar. Precisa sentar todo mundo e ver o que aconteceu. O que aconteceu? Eu conversei muito com o candidato do nosso partido, o deputado Daniel Vilela. Eu disse a ele: “Daniel, deixa eu te contar. Eu serei suplente do Caiado. Se você ajudar o Caiado a ser eleito, a oposição se fortalece, fica unida e ainda o MDB terá um senador”. Ele não entendeu à época que precisava ter renovação. Parte do MDB não entendeu que Caiado era o governador do momento, que todo mundo queria o Caiado e 70% do MDB ficou com a gente, ficou com o Caiado. Várias lideranças de expressão como os prefeitos Adib Elias (Catalão), Ernesto Roller (Formosa) e Paulo do Vale (Goianésia) fizeram campanha para o Caiado. Agora, o partido é muito grande. O que tem que acontecer? Temos que unir todo mundo e ver o que é melhor para o partido.

Apesar de ser um partido grande, o MDB não foi para o segundo turno. Onde Daniel errou?

O momento era do Caiado. Porque Caiado trabalhou direitinho. Nós trabalhamos direitinho. Nós, juntamente, todos. A primeira reunião que tivemos foi no Entorno de Brasília. Estavam 150 vereadores. Ali, eu vi que o Caiado iria ganhar. Eu falei com Maguito e com o Daniel. “Daniel, é o nosso momento, venha para cá. Vamos com o Caiado”. Ele não entendeu. “Você é novo, você pode ser vice do Caiado”. Mas ele não entendeu.

Daniel não seria uma renovação, já que não participou de eleições anteriores para o governo?

Participou. Mas ele não é tão novo assim. Ele já foi vereador, deputado estadual, foi federal e o pai dele (Maguito Vilela) está na política há muitos anos. Só que ele não entendeu: o momento não era do MDB. Era do Caiado. Outra coisa: o dito Tempo Novo aprendeu a bater no MDB. Nós somos desorganizados. Prova disso é que ninguém fez coligação com a gente nas eleições passadas.

O que tem que acontecer agora?

Daniel tem que falar assim: “O MDB saiu menor do que quando entrou”. Tínhamos dois deputados federais e não temos nenhum. Tínhamos quatro deputados estaduais e tem três, sendo que o Humberto Aidar veio para cá. Ele não era do MDB. Então, nós temos que unir todo mundo, sentar, o que precisamos fazer? Traçar uma meta, todo mundo ficar tranquilo. Sei que ninguém vai ser candidato a nada aqui, mas vamos fazer o MDB crescer de novo.

Quem poderia presidir e dirigir o partido?

Tem muitas pessoas qualificadas. Tem pessoas do bem que podem unir o MDB.

Quem?

Eu não vou falar isso agora porque não importa agora. Todo mundo falar agora pode dar um problema na frente, mas uma coisa eu sei: Daniel não é o mais o nome apropriado para reerguer o MDB, porque ele saiu perdedor dessa campanha. O Adib é nosso companheiro também, mas precisamos de um perfil mais conciliador, que agregue. Então, tem que achar um meio termo. Tem gente muito boa para assumir o MDB. O MDB é um partido muito grande, com muitos quadros.

Muitos amigos do senhor foram eleitos, inclusive Henrique Cesar que é seu sobrinho. Ele merece ser presidente da Assembleia?

Merece. Mas na Assembleia quem tem mais voto não significa que será eleito presidente. Depende de muita articulação de muitos partidos. Eu acho que Henrique é muito competente e poderia ser presidente da Assembleia, mas tem muitos deputados que foram eleitos junto à nossa base que têm direito também. Todos têm direito de pleitear, temos que ver o que vai acontecer. Tenho muitos colegas que são candidatos. Eu sou tio dele, mas muitos deputados me ajudaram a ser eleito. Então, não posso pegar essa bandeira, mas pode ter certeza que será um candidato da nossa coligação.

Para presidente, em quem o senhor votou em quem?

Sou Bolsonaro. Votei nele porque acho o seguinte: a cúpula do PT está toda presa. Eu encabulo de as pessoas não verem isso. O desemprego hoje é por causa do PT. Quando ele fala que vai baixar o preço o gás para R$ 49,00 eu pergunto: e a energia que está mais cara no Brasil, que é culpa deles? Eu não conheço. Nunca o vi, mas acho que hoje é o momento de os mais ruins, dos que têm aí, ele é o melhor.

Bolsonaro defende liberar armas para a população. O que o senhor pensa sobre combater violência com mais violência?

Eu penso diferente. Eu tinha uma filha, que foi assassinada para roubarem o carro dela. Cinco bandidos chegaram armados e mataram minha filha. Ela era indefesa. Ela não dava conta de reagir. Mas o bandido tem que ter um pouco de medo: “Olha, não podemos assaltar aqui porque tem alguém armado”. Não é que vai armar a população. Só que é o seguinte: a pessoa tem que fazer um curso, saber direitinho. Mas a Polícia não dá conta de resolver esse problema que está hoje. Sozinha, não dá conta. Tem que mudar algumas leis, mas realmente sou a favor de armar a população, não do jeito que está falando, todo mundo, mas quem tem capacidade. Os bandidos não estão armados aí?

Na opinião do senhor, quem tem capacidade para andar armado?

Isso é fácil. Vai ao psicólogo, você tem condição de ser armado? Faz um curso, entende? É fácil fazer isso. “Você tem condição de ser armado, você quer?”. Eu, por exemplo, tenho fazenda, e você fica lá desguarnecido, não pode aparecer uma luz de carro lá na frente que você fica desesperado, com vontade de correr para o mato. Se você tiver uma arma, pelo menos, você se sente mais seguro. Não estou falando que vai resolver, mas que dá mais segurança ao cidadão, dá.

Hoje, se o senhor encontrasse quem assassinou sua filha, o que faria?

Fazer o que? Eu desviaria dele. Eu não vou matá-lo, eu desviaria dele. Agora, é injusto.

“O principal fato não é o parlamentar ser evangélico ou não. É trabalhar pelo que o povo quer”

O senhor defende a pena de morte?

Pena de morte eu não defendo, mas defendo que a pessoa pague pelo erro, pelo crime. Os bandidos que mataram minha filha, por exemplo, pegaram 27 anos de cadeia. Eles foram condenados. Com seis anos de cumprimento de pena, eles estão saindo. Tem a regressão de pena e eles estão saindo. Minha filha tinha 30 anos e teria 36 agora. Quantos anos minha filha teria de vida pela frente e eles tiraram? Então, a lei é injusta. Se pegasse esse bandido e deixasse 30 anos preso, ele não mataria mais pessoas. Mas a lei é frouxa, por isso temos que mudar a lei.

À época o senhor defendeu prisão de 50 anos sem progressão de pena, em casos de latrocínio. E agora?

Quando mataram a Michele eu fiquei muito desesperado. Michele era a filha que andava ao meu lado, que cuidava de mim. Eu fiquei muito desesperado naquele momento. Vejo várias pessoas foram perdendo filhos, várias pessoas. Eu fui vice-presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), da Segurança Pública, criada na Assembleia Legislativa. Todos os técnicos que trabalham com segurança e sistema prisional confirmaram que esse tipo de pessoa, o latrocida, não se recupera. Não teve um que recuperou. Por que fazer isso então? Soltar. Deixa preso. Alguém fez uma maldade, ele tem que sair fora da sociedade, e dependendo da maldade, tem que ficar preso. Eu não disse 50 anos, mas a pena que a justiça deu. Mas na prisão ele continua comandando crimes aqui fora. Aí não é problema dele. É problema do Estado.

O que o Estado deveria fazer nesse sentido?

Ele não pode deixar alguém mandar dentro de cadeia. Se isolou, está isolado. Tem uma corrupção ali dentro, não tem? Para entrar com celular, alguém pagou. Então, se o Estado brasileiro quiser, não deixa ninguém chegar nem perto do presídio. E volto a repetir. A corrupção é um câncer generalizado que tem de ser combatido.

Em relação ao seu voto favorável ao Bolsonaro e as polêmicas de fake news sobre kit gay, homossexualidade, como o senhor analisa isso?

Deus criou o homem e a mulher para formar a família. Eu defendo esse modelo de família. Não tenho nada contras os gays. Eu amo o ser humano, gosto dele. Eu não tenho nada contra, mas o difícil é eles imporem isso para a gente, não podem impor. Isso não pode. Realmente essa é uma lei natural. Agora, eu não vou discriminar ninguém. Para quê vou discriminar? Eu tenho vários amigos gays e não discrimino ninguém. Vou discriminar para que? Agora, não concordo com atitude deles. Eu não preciso concordar.

E casamento de pessoas do mesmo sexo?

Não concordo também. Está errado. Se ele quiser fazer um contrato no cartório. É uma coisa particular deles. Mas na hora que coloca a lei nisso aí, está errado. É uma coisa pessoal, ninguém manda em ninguém, todo mundo faz o que quer da vida, mas faz um contrato particular, não precisa do Estado dar aval nisso.

Só que isso hoje é legalizado. Se é legal, fazer o que?

A lei fez. Não pode ir contra a lei. Eu acho que tem uma lei e estamos todos debaixo da lei. Se a lei fez isso, a lei está errada, mas existe. Eu sou legalista.

Como o senhor vê a democracia e a liberdade de imprensa?

Eu acho que a democracia está consolidada no Brasil. Ficam falando que a democracia está ameaçada, mas não vai ter isso não. A liberdade está assegurada. Está todo mundo falando, comprando, falando mal dos outros. Não tem isso. A democracia no Brasil não está em risco.

Nenhum risco?

Nenhum. Zero. Enquanto a Constituição for obedecida, e será obedecida, é zero. Não tem jeito de Bolsonaro ou alguém fazer alguma coisa.

Qual sua opinião sobre a fala do deputado eleito Eduardo Bolsonaro sobre a possibilidade de fechar o STF com um cabo e um soldado?

Isso é conversa fiada. Você acha que vai chegar um cabo e um soldado e fechar o STF (Supremo Tribunal Federal)? É alguém que conversou fi ado. Não existe isso. Como vai fazer isso? É um absurdo falar isso e é absurdo quem acredita. Então, olha, a Constituição está funcionando normal e vai funcionar. Está consolidada a democracia no Brasil.

Ronaldo Caiado sempre diz que o Estado está quebrado. Está mesmo?

Quebrado e muito quebrado. Prova disso você está vendo que está devendo mais de R$ 200 milhões para as OS’s (organizações sociais). O Estado não tem dinheiro, está desviando de um lado para pagar a folha de pagamento. Agora, eu acho que Caiado não fez compromisso com ninguém: “Olha, vou te dar isso e isso”. Não tem isso. Ele vai fazer um governo que tem que fazer, um governo austero que acabar com um monte de cargos de confiança. E ele vai dar conta. Vai levar um tempo, mas ele vai conseguir. Não vai ter prefeito que ganhará sem trabalhar, não terá primeira-dama que vai ficar sem trabalhar. Quem vai ganhar é quem trabalha e, realmente, para trabalhar tem poucos cargos no governo que vão precisar trabalhar realmente.

Qual perfil de secretariado o senhor indicaria para Ronaldo Caiado?

Técnico e político. Tem cargo para ser político e tem cargo para ser técnico. Mas o Caiado fará a maioria de técnicos no governo dele. Eu tenho certeza, Caiado será um dos melhores governos que Goiás já teve.

Qual é o MDB que estará com Ronaldo Caiado? Quem está dentro do MDB. Quem está fora, do MDB?

Os deputados que ganharam já estão todos ao lado dele. A oposição ao Caiado será a mais fraca desde que eu entendo por política aqui em Goiás. Todos já estão com Caiado, porque sabem que ele fará um bom governo, sabe que ele será austero, sabe que ele vai fazer só o certo.

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