Maternidade aos 40

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Foto: Divulgação

Dados da Estatística do Registro Civil de 2017 divulgados pelo IBGE destacam que os casais estão, cada vez mais, optando por ter filhos após os 30 anos. Dos 2,86 milhões de nascimentos registrados no período analisado, mais de 35% dos casos a mãe tinha mais de 30 anos, muito por conta da busca pela estabilidade no emprego e do planejamento para constituir famílias. Outro número que cresceu foi o de casais que optam em ter apenas um filho. O relatório Situação da População Mundial, do Fundo de População das Nações Unidas (Unpa-ONU) de 2018 destaca que a família brasileira tem uma média de 1,7 filhos, menor que a taxa da América Latina (2) e bem abaixo da década de 1960, quando a média alcançou seis filhos por família.

A executiva Angelina Carvalho, de 42 anos, é um exemplo típico dessa nova realidade, bem diferente das gerações anteriores que se tornavam mães na segunda década de vida. Devido à dedicação maior à carreira profissional, ela postergou a ideia de formar uma família, pois além de não ter muito tempo, também não tinha certeza se queria ser mãe. “Foi uma decisão super certa, de esperar um pouco mais para ter um filho. Com a maternidade tardia pude aproveitar mais a vida, tanto no trabalho quanto em viagens, me desenvolvendo melhor como pessoa. Hoje me sinto preparada e segura para exercer esses dois papéis, o de mãe e o de empresária”, esclarece.

A executiva diz que as cobranças típicas que pesam sobre os ombros das mulheres, como casamento, ter filhos, constituir família, nunca deixaram de existir, porém ela conta que sempre buscou a autonomia sobre suas escolhas pessoais e profissionais, sem se preocupar muito com os padrões sociais.

Graduada em Farmácia, Direito e com especialização em Gestão Empresarial, Angelina acompanhou de perto o empreendedorismo do pai, o empresário Luiz Roberto de Carvalho, fundador do grupo URBS, da qual é uma das diretoras. Mas, mesmo tendo um caminho aberto por seu pai no mercado imobiliário, Angelina não se furtou em vivenciar suas próprias experiências e fazer por si só suas escolhas. “Antes de atuar em definitivo no setor imobiliário, quis experimentar uma área diferente e trabalhei por três anos como farmacêutica. Apesar de não ter seguido na profissão achei importante ter tido essa liberdade de escolha”, pontua.

Maternidade
Enquanto a vida profissional desenrolava, Angelina conta que era comum ser questionada sobre a maternidade.  Mas, apesar das cobranças, ela soube fazer valer sua decisão. O então namorado, hoje marido, por sua vez não fazia cobranças. Juntos há 11 anos, a executiva conta que ele sempre entendeu sua posição.

A maternidade veio há cerca de uma ano e meio,  aos 41 anos, quando ela definiu que havia chegado o momento. “É mais cansativo, não é tão fácil, mas vale a pena viver essa relação de amor tão profundo”, conta a executiva sobre ser mãe após os 40 anos. A carreira continuou coexistindo com a maternidade. Ela voltou ao trabalho com apenas 15 dias após dar à luz.

A diretora da URBS amplia o crescente hall de mulheres que optam por ter apenas um filho, uma decisão, segundo ela, definitiva. E como muitas mulheres de hoje, independente de classe social, Angelina precisou se adaptar para assumir dois importantes papéis: o de empresária e o de mãe.  “Eu fico com ela um pouco antes de ir trabalhar. Almoço em casa só para ficar com ela, antes eu quase não comia em casa. E a noite eu só saio quando ela já está dormindo”, revela a executiva, que conta ainda que a filha já entende que a mamãe precisa ir trabalhar.

 

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