Setenta e cinco por cento dos estudantes da UFG são de baixa renda

0
935
Foto: Reprodução

A Universidade Federal de Goiás (UFG) apresenta nesta quinta-feira (23/05) o desmembramento regional da V Pesquisa do Perfil Socioeconômico e Cultural dos Estudantes de Graduação das Universidades Federais, realizada pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes). Uma semana antes, em Brasília, os dirigentes da Andifes divulgaram o resultado nacional e entregaram um relatório executivo sobre o estudo ao Ministério da Educação (MEC).

O levantamento revela que as universidades federais, principalmente a partir de 2012, com a aprovação da Lei de Cotas (Lei n⁰ 12.711/2012), do ponto de vista de renda familiar e raça e cor estão cada vez mais próximas do que é mostrado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) do Instituto Brasileiro de Estatística e Geografia (IBGE).

O resultado geral mostra que 51,2% dos participantes do levantamento se identificaram como negros (pardos e pretos). Na UFG, a população negra é de 54,58% dos graduandos.

Enquanto no cômputo total das instituições federais de ensino superior (Ifes), 70,2% possuem renda mensal familiar per capita de até 1,5 salários mínimos. Na UFG, esse número atinge 75%. Ou seja, três quartos dos graduandos – o percentual mais elevado da região Centro-Oeste.

Em escala nacional das Ifes, o menor índice foi observado no Distrito Federal (47,1%) e o maior no Pará (88%). Entre os estudantes incluídos nesta faixa, a renda média per capita é de R$ 640,70.

Rede pública
Outro dado apresentado pela Andifes classifica os graduandos segundo o tipo de escola cursada durante o Ensino Médio e, mais uma vez, fica evidenciado que as instituições federais de ensino superior recebem prioritariamente estudantes oriundos da rede pública de ensino (64,7%). Na UFG, o percentual é de 63,1% vindo da rede pública de ensino.

O percentual de graduandos das Ifes que fizeram o Ensino Médio exclusivamente em escolas públicas passou de 37,5% em 2003 para 60,4% em 2018. Essa mudança também foi observada a partir de 2014. De acordo com a pesquisa Andifes, os dados locais são de que 58,7% dos graduandos da UFG que participaram da pesquisa fizeram o Ensino Médio somente em escolas públicas.

Este fato se reflete também nas formas de ingresso na Universidade Federal de Goiás, onde 48,3% entram pela modalidade ampla concorrência e 41,97% por cotas. Dentre os cotistas em Goiás, 34,09% reúnem a combinação escola pública, com pretos, pardos e indígenas (PPI), e renda mensal familiar de até 1,5 salários mínimo.

Pela pesquisa nacional, é possível perceber essas alterações desde 2014, tornando-se mais evidentes em 2015. Em 2005, 96,9% dos graduandos chegavam às Ifes por ampla concorrência e 3,1% por meio de cotas. Ano passado, a situação estava mais equilibrada. Foram registrados 51,7% ingressantes por ampla concorrência e 48,3% por cotas.

A pesquisa Andifes foi realizada com estudantes de graduação de 63 universidades e 2 Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefets) de Minas Gerais e do Rio de Janeiro. Os dados foram coletados entre fevereiro e junho de 2018 pela internet. Foram validados 424.128 questionários. O equivalente a 35,35% dos estudantes.

A Universidade Federal de Goiás participou do levantamento por meio de 5.089 estudantes. O que representa 16,61% dos 30.633 discentes da Instituição.

Realidade
O vice-presidente da Andifes e reitor da Universidade Federal de Goiás (UFG), professor Edward Madureira, acredita que a pesquisa traz inúmeras possibilidades de aplicação, principalmente no atual contexto de ataque às Ifes e à pesquisa científica.

“A primeira, sem dúvida, é na defesa e na constatação de uma realidade que ainda muitos atores do governo e da mídia desconhecem que é a composição, do ponto de vista da renda, dos estudantes das universidades. Fica muito claro que os ingressantes das universidades federais são em sua maioria, das classes C, D e E nas matrículas”, ressalta.

O reitor da UFG afirma que o levantamento também é um instrumento de gestão de muito valor para as Ifes, pois permite compreender como conduzir a assistência estudantil de modo a torná-la o mais efetiva possível.

O reitor acrescenta: “Temos informações sobre os meios pelos quais o estudante se comunica, sua origem, necessidades que podem levar a problemas de evasão. Enfim, poderemos utilizar os dados coletados para ajudar a evitar a evasão e a promover o sucesso do acadêmico”.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here