Artigo | Segunda virou Planalto

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Por Lorimá Dionísio (Mazinho)

Texto de gente velha geralmente nasce com um ditado antigo: “O mundo dá muitas voltas”, quem diria hein?

Na história empresarial de Sebastião Barbosa, com mais de 33 anos, aparece uma participação minha dentro do Jornal da Segunda, nos bons tempos da chamada imprensa livre em Goiânia. Não me lembro onde as edições eram impressas, mas na época Tião ainda não tinha impressora própria. O jornal saía com os resultados do futebol de domingo e registros dos últimos acontecimentos do cotidiano e da política. E a repercussão era boa e forte, pois na minha época, para jornal semanário, os fatos eram comentados em textos opinativos. O Jornal da Segunda, por incrível que pareça, pautava certos setores da imprensa diária – jornais, rádios e tevês.

Eu poderia citar vários profissionais que trabalharam comigo, porém a memória não é a mesma de tempos passados e temo esquecer pessoas amigas. Me lembro bem de alguns fatos, entre elas a visita do candidato a governador pela segunda vez, o então senador Iris Rezende Machado, na sede do jornal. Na entrevista, que abordava assuntos positivos, eu perguntei se ele esperava apoio do governador Henrique Santillo. O silêncio tomou conta do ambiente e Iris disse que “achava que sim”. Entrou logo em outro assunto, mas em seguida me chamou de lado e relatou o fato de Santillo ter lhe negado apoio quando ele tentou disputar a Presidência da República pelo PMDB. “Ele escolheu ficar com Ulysses Guimarães, mas fez comentários duros contra mim. Logo eu que o salvei de ser derrotado por Mauro Borges aqui em Goiás. O partido e todas as nossas lideranças sabem disso. Não espero nada da parte dele”, disse e, após limpar os cantos dos olhos, pediu para não escrever sobre esse desabafo dele.

O Jornal da Segunda tinha força e conceito. Sebastião Barbosa, com toda a sua humildade quase sertaneja, era querido por empresários e políticos. Ele e sua mulher Edna faziam almoços ou jantares na casa deles e a comprida mesa ficava cheia de autoridades e amigos.

Tempos depois o jornal foi transformado no Tribuna do Planalto. A solenidade de lançamento da novidade foi bastante prestigiada. Era evidente que a evolução exigia modernização, porém confesso que não gostei do nome, tanto que perguntei se a sede iria para Brasília. Disseram que não e que continuaria aqui na Capital. Aí eu comentei que aqui não era Planalto Central. A região ressaltada começava ali por Abadiânia. Senti um pouco o desconforto e tratei de ficar calado. A Tribuna do Planalto venceu as dificuldades, cresceu e se manteve melhor do que muitos projetos editoriais que brotaram e murcharam nesses 33 anos. Jornal, no meu entender, não é o nome e nem o título. É o homem que está por trás dele.

Sebastião Barbosa da Silva cravou o nome dele na história da imprensa em Goiás, sem dúvida alguma. Gerou empregos e sempre procurou honrar seus compromissos com seus funcionários. A Tribuna não apenas sobreviveu. Está aí para provar que, com paciência e com a força do fio do bigode, chega-se onde se idealiza chegar. A prova disso é Sebastião Barbosa.

Lorimá Dionísio (Mazinho) jornalista aposentado e foi editor geral do Jornal da Segunda.

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