Hora de voltar à rotina

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Por Fabiola Rodrigues

Ficar acordado até mais tarde, jogar videogame, brincar, passear, tirar maior tempo para o lazer, tudo isso combina com as férias, mas elas estão no fim. Quem estava curtindo atividades alternativas precisa começar a focar novamente nos estudos. E para que essas mudanças não se tornem assustadoras ou um tormento para o estudante, ele deve encarar com naturalidade a volta para a sala de aula. A psicóloga educacional Maris Eliana Dietz explica que neste momento de retorno à escola é essencial o aluno refletir sobre seus objetivos e se concentrar neles, saber que para alcançá-los é necessário empenho.

“É hora de encarar a realidade de forma séria. O segundo tempo está começando. Comparo este momento como um jogo de futebol, que os ‘jogadores’ alunos estavam no intervalo e agora estão voltando para o campo. A pausa de descanso foi para renovar a energia. O estudante deve continuar praticando o que deu certo quanto aos estudos e mudar ou abandonar aquilo que não trouxe conhecimento e atrapalhou seu desempenho. E isso deve acontecer também nos relacionamentos, no gerenciamento do tempo. Sobretudo investir no aprendizado significativo para a vida”, frisa a psicóloga.

Preparar-se para enfrentar a rotina de horário, de ordem e estudo é uma tarefa complicada e que, se mal planejada, causa insatisfação pessoal e dificulta encontrar prazer nas atividades diárias.

“Por isso o melhor é encarar os dias rotineiros com tranquilidade e equilíbrio”, observa.

O momento de reinserção no ambiente escolar oportuniza ao estudante algo que talvez ele não perceba: a capacidade de reflexão pelo prazo de descanso que teve. Para que novas atitudes sejam praticadas e garanta êxito educacional é necessário colocar em prática a autoavaliação. É o que ensina a psicóloga.

“Quando o aluno retoma os estudos, ele está com a mente mais apta a receber conhecimento, não apenas pelo descanso, mas porque as férias são um momento de fazer balanço. O mês de julho deu a oportunidade de o estudante refletir e projetar melhorias para o aprendizado dele. Como estamos caminhando para a fase final do ano letivo, se o estudante estava desconectado, neste momento mais do que nunca ele deve esforçar e desempenhar qualidade nos estudos”, ressalta Maris Eliana Dietz.

É momento de encarar o segundo semestre

Acostumar-se com a volta às aulas é uma tarefa difícil para uns enquanto outros já encaram com naturalidade. “O importante neste momento é lembrar que as férias serviram para dar ânimo à reta final de estudos”, frisa a psicóloga Maris Eliana Dietz.

“Boas lembranças fazem com que a memória funcione melhor. Então é aproveitar que o cérebro está descansado para regressar à jornada estudantil e acadêmica com vigor e disposição”, diz a psicóloga.

Estudante Tainara Oliveira relata que as férias foram marcantes. Ela passou quase dez dias com a família em uma chácara. Aproveitou o tempo livre para brincar, descansar e fazer novas descobertas, mas revela que não está animada com o retorno das aulas.

“Confesso que queria mais tempo para ficar descansando. Estava muito bom, precisava disso. Meu desejo é que tivesse pelo menos um mês ainda”, relata.

Tainara Oliveira completa dizendo que ir à escola todos os dias durante as próximas semanas será um desafio. “Não vai ter como voltar no tempo, então preciso aos poucos me acostumar, indo dia após dia até sentir vontade mesmo de estar em sala de aula”, conta.

Assim como a estudante vários outros alunos querem mais tempo para descanso e brincadeira. O interessante é a família e os professores ajudarem o aluno, neste momento de volta às aulas, voltar para rotina. Aos poucos a garotada vai acostumando de novo e quando perceberem já estão no ritmo escolar novamente.

Interação e diálogo

Vários fatores podem contribuir para que o período de volta às aulas seja prazeroso para professores e estudantes. Tudo depende de como o ambiente escolar contribui para fazer desse momento de adaptação um período de descobertas. Maris Eliana Dietz esclarece que incentivar o estudante, já na primeira semana de aula, a oferecer o seu melhor nos estudos é um desafio que o faz crescer.

“Os professores precisam estar com a mente renovada e com projetos de aulas prontos. É momento de incentivar reflexões aos alunos, no que ele perdeu ou ganhou no primeiro semestre e por quais motivos. Fazer um questionamento prático em sala de aula é importante para a autoavaliação”, observa.

A professora Neuza Rosa ministra aulas em algumas escolas estaduais em Goiânia. Ela diz que nos primeiros dias de aula é bom que haja formas diferentes de prender a atenção do estudante. “Aulas diferenciadas podem despertar no estudante interesse por voltarem às práticas estudantis. Incentivá-los a falar será produtivo de várias maneiras, inclusive fazendo com que fiquem à vontade e nem vejam o tempo passar. Palestras e aulões podem despertar no estudante o prazer de compartilhar ideais”, diz Neuza Rosa.

Para a professora, um dos maiores desafios educacionais atualmente é manter o estudante concentrado na aula devido, entre outras coisas, o uso do celular em horários impróprios.

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