Polícia Civil de Goiás desarticula quadrilha internacional de tráfico de drogas

0
726

A Polícia Civil do Estado de Goiás (PC-GO) apresentou ao governador Ronaldo Caiado nesta sexta-feira (9/8) os resultados da maior operação já realizada na história da corporação. Nomeada de “Operação Icarus”, a ação desarticulou uma quadrilha internacional de tráfico de drogas, que utilizava Goiás como parte do trajeto, chamado de “rota caipira”. Caiado estava acompanhado pela primeira-dama Gracinha Caiado e o vice-governador Lincoln Tejota.

Emocionado com o fruto do trabalho dos policiais civis, que investigaram o caso durante seis meses, o governador elogiou todos os servidores da Segurança Pública. “É a maior operação da Polícia Civil já feita em toda a história do Estado de Goiás. Tenho que cumprimentar a eficiência, o trabalho, a dedicação que têm sido colocadas em prática pelo nosso diretor-geral da Polícia, delegado Odair [José Soares], em total sintonia com o nosso secretário de Segurança Pública [Rodney Miranda]”, disse.

Ronaldo Caiado também enfatizou o empenho dos delegados da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic) em retirar do território goiano mais uma organização criminosa que traficava drogas. “Quero enaltecer aqui dois jovens, nosso delegado Thiago [Martimiano] e nossa delegada Mayana [Rezende], que trabalharam firmemente e conseguiram montar toda essa teia para capturar essa quadrilha internacional”, ressaltou.

Rota caipira

As drogas eram trazidas da Bolívia, Colômbia e Peru. No Brasil, Goiás e Pará faziam parte do trajeto, chamado de “rota caipira”, que levaria os entorpecentes a países europeus, como a Bélgica. A Justiça determinou o cumprimento de 13 mandados de prisão e, até o momento, seis pessoas foram detidas e sete estão foragidas. Entre os presos estão os líderes da organização criminosa, Denis, de origem holandesa, e Gilberto.

De acordo com o titular do Grupo Antissequestro (GAS) da Deic, delegado Thiago Martimiano, as investigações levaram à apreensão de 11 carros de luxo, um jetski, dois jatos executivos –  Dassault Falcon e Cessna Citation – e um helicóptero – Eurocopter EC 130 –, além de quatro máquinas de contar dinheiro, três telefones de comunicação via satélite, 13 relógios de luxo, das marcas Rolex e Hublot, e R$ 571 mil. Dentro do montante de dinheiro capturado ainda havia notas de dólar e, em relação aos veículos apreendidos, cinco foram encontrados em Goiás, cinco em São Paulo e um no Pará.

“As duas aeronaves e o helicóptero também pertenciam aos líderes da organização, Denis e Gilberto. Elas não eram utilizadas para o tráfico de drogas. Eram usadas para o lazer, para uso pessoal”, informou o delegado. No entanto, nenhum dos veículos ou aeronaves estava em nome dos suspeitos, que também lavavam o dinheiro do crime, já que não tinham como comprovar renda tão alta. “Eles não têm atividade lícita para justificar um patrimônio desse tamanho. Então, tudo está em nome de laranja”, completou Thiago Martimiano.

Para conseguir trazer as drogas para o Brasil e levar para outros países, as aeronaves usadas sofriam alterações, o que resultava em maior desempenho. “Eram aeronaves pequenas e modificadas, tanto a questão de autonomia de combustível, para que eles pudessem fazer voos mais longos e também na questão da cabine, para caber mais drogas”, explicou. Além disso, para fugir de identificação, os pilotos arriscavam a vida. “Os voos eram baixos para ficar abaixo dos radares do controle aéreo. Eram aeronaves fantasmas, que não tinham nenhum controle do tráfego aéreo nacional”, alegou Thiago Martimiano.

Vida de luxo

Segundo o delegado-geral da Polícia Civil, Odair José, a estimativa é de que a organização criminosa tenha iniciado a atuação entre cinco e dez anos. “Essa quadrilha foi crescendo e, como o próprio nome da Operação diz, no sentido figurado, esse holandês começou a ganhar tanto dinheiro e a comprar jatos que começou a voar e se achar Deus, e achou as malhas da Polícia Civil de Goiás”, enfatizou.

O longo período de crime proporcionou aos integrantes da quadrilha uma vida de luxo. Assim como todos os veículos e aeronaves eram utilizados para lazer, os suspeitos também esbanjavam dinheiro em viagens para Dubai e Ilhas Maldivas, além de viver em condomínios de alto padrão. “Isso mostra o que o crime hoje está podendo ofertar a eles em termos de renda ao destruírem todos os nossos jovens e a maioria das famílias que tem qualquer um dependente das drogas”, comentou o governador, indignado.

Origem das investigações

O Grupo Antissequestro iniciou as investigações após o desaparecimento do piloto Bruce Lee Carvalho, em dezembro de 2018. Ainda conforme o delegado Thiago Martimiano, existem indícios de que o piloto tenha colidido a aeronave em um fio de alta tensão e caído em um lago enquanto viajava para a Bolívia. “O que a gente sabe é que Bruce Lee pilotava para esse grupo criminoso. No mês do desaparecimento, ele pilotava uma aeronave de prefixo PTVPH. Essa aeronave se encontra desaparecida desde dezembro”, disse.

Também participaram da apresentação o secretário de Segurança Pública, Rodney Miranda; o presidente da Saneago, Ricardo Soavinski; o secretário-chefe da Casa Civil, tenente-coronel Luiz Carlos de Alencar; os deputados estaduais Humberto Teófilo, Bruno Peixoto e Delegado Eduardo Prado; e comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Dewislon Adelino Mateus.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here