Artigo | Como as startups têm contribuído para a educação no Brasil

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Imagem: Internet

Por Gustavo Leme

Um levantamento feito pela Associação Brasileira de Startups (ABStartups), o maior segmento de startups do Brasil é o de educação, ou as chamadas EdTechs. Elas estão presentes em 25 dos 26 estados brasileiros, 7,8% do total de 350. Segundo relatório EdTechXGlobal, suas receitas crescem em média 20% ao ano e, até 2020, podem faturar US$ 252 bilhões.

A liderança é reflexo de um movimento mundial de “repensar a educação”, isto é, de mudar o papel dos pais, dos professores, das escolas, e melhorar, de modo geral, o ensino e aprendizado. É desse pensamento coletivo que vêm as oportunidades para essas empresas, que usam a tecnologia para auxiliar todo o ecossistema educacional, de alunos a instituições.

Em um passado não tão distante, as salas de aulas eram resumidas a alunos enfileirados ouvindo um professor e anotando o que havia no quadro, em todos os níveis de ensino, do pré a univerdade. Mas o surgimento das Edtechs fez com que isso fosse sendo modificado aos poucos. As tecnologias têm surgido para tornar o ensino menos padronizado, mais imersivo, colaborativo e aberto.

Quando tecnologias entram nesse setor, as vantagens vão de personalização, flexibilização e aumento de desempenho, até engajamento de todos os envolvidos no ecossistema.

Existem startups focadas no ensino básico, ou seja, nas crianças e adolescentes, pensando em prepará-los para profissões do futuro. Outras, na área acadêmica, com soluções para alunos e professores. Além das que investem em educação corporativa, mais voltadas à capacitação profissional.

No Mapeamento Edtech 2018, realizado pela Abstartups, 61,6% das startups de educação atuam com produção de conteúdo e 18,95% com coleta de dados e processos, enquanto o restante se divide entre gestão de informações, realidade virtual e aumentada, simulados e avaliações, entre outras categorias.

Ou seja, as soluções apresentadas vão de plataformas online e jogos educacionais para auxiliar no aprendizado, a otimização de tempo, custos e ferramentas utilizadas por alunos, pais e professores.

As Edtechs conseguem identificar como a disseminação do acesso ao mundo digital pode contribuir para a educação e não o inverso, como muitos acreditam. Elas criam alternativas para tornar a educação mais eficiente, mais rápida e com maior retenção por parte dos alunos.

Unem criatividade, inovação, tecnologia e os desejos e necessidades dos usuários. Quando o foco é aluno, é nítido perceber que grande parte das startups oferecem um produto gratuito, inclusive, de forma a disseminar, e democratizar o acesso à educação, sem restringi-lo a classes, sexo ou religião.

O surgimento dessas empresas é importante para retomar o interesse dos jovens pelo aprendizado, para motivar o público, principalmente, para um futuro empreendedor, que por produzir bens e serviços se torna peça chave para um crescimento econômico.

A educação no Brasil sofre com um sistema burocrático, obsoleto e com falta de estrutura, ao mesmo tempo em que passa por uma crise econômica. Sendo que, a área mais estratégica para o desenvolvimento econômico é exatamente a de educação.

Um estudo realizado pelo Banco Mundial identificou que 50% dos jovens brasileiros estão em risco de não ingressar no mercado de trabalho. Isto é, o Brasil, que já ocupa uma posição bem baixa no ranking de mão de obra qualificada, tende a cair ainda mais nesse quesito.

Por isso, mais que importante, investir em EdTechs é necessário! Social, cultural, político e economicamente, elas vieram para transformar mais do que o setor em que atuam, mas para servir como base para o crescimento e desenvolvimento dos demais setores e resolver um problema latente de desengajamento por parte dos jovens brasileiros.

Gustavo Leme é CEO da Estudante Herói, startup que imprime gratuitamente para universitários

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