Artigo | Tempo de Orquídeas

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Por Luiz Carlos Amorim

Recentemente, recebi uma foto de um pé de xinxin feita em algum lugar de Corupá e como estou na terrinha neste final de semana, resolvi procurá-lo. Não lembrei que não é mais época da fruta, já não há mais laranjas maduras, limas, tangerinas. Só há, ainda, um pouco de limão maduro, vermelho, vermelho e junto com eles muita flor e limões pequeninos, bebês. O dourado de tangerinas, laranjas, xinxins, ponkãs, que manchava o verde de matas, pomares, quintais e jardins já se foi, para voltar apenas no próximo inverno.

Uma vez na terrinha, saí para passear e rever lugares já conhecidos e também para conhecer novos recantos. Não visitei nenhuma nova cachoeira, mas andei pelo interior e fui almoçar num restaurante com uma deliciosa comida caseira, quase em São Bento.

No caminho, enchi os olhos com uma quantidade imensa de olho-de-boneca, um tipo de orquídea que alguns chamariam de ordinária, porque é muito comum em nossa região, só que eu não aceito isso, pois orquídea é orquídea e ela é sempre bela. E também porque visitei uma exposição de flores no sul da França, em Menton e descobri que lá o olho-de-boneca é a estrela das orquídea, pois estava exposta dentro de uma redoma, com grande destaque.

Há muito olho-de-boneca, em tudo que é jardim, em Corupá. É tanta cor e tanto perfume que a gente quase não entende como a natureza pode ser tão prodigiosa e tão generosa. O perfume das orquídeas, inclusive, se mistura com o perfume da flor de laranjeira, que também há por aqui, embora a safra da fruta já tenha acabado, e a fragrância resultante é sensacional.

Mas não é só orquídea que a gente vê. Os ipês ainda estão florescidos, pequenos sóis a derramar tapetes de luz pelo chão. O manacá-da-serra – a variedade de jacatirão de inverno – ainda está florescido, uma segunda florada, talvez – convivendo maravilhosamente com os ipês. As azaléias atrasaram um pouco, com o descompasso das estações e estão desabrochando flores vermelhas por todos os lugares. Além de petúnias, amores-perfeitos, marias-sem-vergonha, gerânios, cristas-de-galo, hibiscos, cravos de defuntos, gérberas, margaridas, etc.

Então, é muito bom voltar à terra da gente. Corupá ainda é um bom lugar para se viver e a natureza aqui é mais bela, o verde é mais verde, as cores são mais vivas. O Vale das Águas ainda é a perfeita tradução da beleza e da abundância e o cheiro de primavera é perfume de orquídea e flor de laranjeira.

Morei por mais de meio ano em Portugal, aproveitei para passear por Itália, França, Espanha, Egito, Grécia, Turquia, Montenegro, Suiça, Croácia e vi muitos lugares belíssimos por lá. Mas nada como voltar à nossa terra. Ela é linda também. E com orquídeas, fica mais bonita.

Luiz Carlos Amorim é escritor, editor e revisor. Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA em SC, com 39 anos de atividades e editor das Edições A ILHA. Ocupante da cadeira 19 da Academia Sul Brasileira de Letras.

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