Editorial | Carne barata da ministra

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Foto : Carolina Antunes/PR

Tempos distópicos estes em que vivemos. Uma realidade que parece paralela às vidas de brasileiros de todos os cantos reina em Brasília e esta semana fomos todos surpreendidos com mais um discurso fora da realidade de cada um de nós, proferido desta vez pela ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina. Depois de uma alta de 26% no preço da carne, ela afirmou que a carne estava muito barata nos últimos três anos e que este ano chegou a um novo patamar que não deve voltar à média anterior.

A alta da carne bovina fez com que as carnes de frango e a suína subissem automaticamente. A cartela com 30 ovos, vendida semana passada de R$ 7 a R$ 9 reais pela cidade toda, subiu para R$ 15, R$20 reais, dependendo da região. Não enxergam que o desemprego bate na porta de 12,4 milhões de brasileiros e que uma massa descomunal de trabalhadores vive hoje na informalidade. Foi a uberização do mercado de trabalho promovido pela atual gestão do país. A fome voltou ao Brasil porque programas que a erradicavam foram suspensos e pouco se faz agora para alcançar os menos favorecidos.

Em Goiânia, uma parceria entre a Organização das Voluntárias de Goiás e a Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas) enxergou os invisíveis. São 250 pessoas em situação de rua cadastradas no Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro Pop) recebem todos os dias no antigo Restaurante Cidadão, hoje Restaurante do Bem, almoço saboroso e nutritivo, com cardápio elaborado por nutricionistas com base no Programa de Alimentação do Trabalhador, do Ministério do Trabalho e Emprego. O alimento faz parte do resgate da cidadania a estes invisíveis.

Com o salário mínimo perdendo cada vez mais seu poder de compra e os itens da cesta básica perdendo incentivos, o trabalhador está cada dia mais acuado entre pagar as contas e colocar comida na mesa da família. Há o risco iminente de aumento no número de miseráveis caso nada seja feito para minimizar o problema. Em clima de fim de ano, que tempo mais distópico! A preocupação da família brasileira hoje é conseguir se alimentar. Comer no dia a dia e não apenas na ceia de Natal.

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